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Frankenstein e a revolução industrial

Por Rafael

FrankensteinO livro Frankenstein: ou o Moderno Prometeu, foi escrito pela britânica Mary Shelley em 1817, aos seus 19 anos. Mary Wollstonecraft (nome de solteira, antes de casar com Percy Shelley), Percy Shelley, Lord Byron e John Polidori criaram um desafio onde cada um deveria inventar uma história de terror. Da brincadeira surgiu o Frankenstein de Mary; Polidori inventou um vampiro que depois inspirou Lord Byron a escrever The Vampire, que inspirou Bram Stoker a escrever Dracula.

Frankenstein, na verdade, não é o nome da criatura, mas sim do criador. Na história, ele é chamado de adjetivos como “mostro” ou “criatura”. A história é cheia de referências e são fortes as influências que levaram a jovem escritora a desenvolvê-la.

Segundo a mitologia grega, Prometeu roubou o segredo do fogo dos deuses para dar aos recém criados homens e, por isso, foi severamente castigado por Zeus. Isso traça um paralelo à história de Victor Frankenstein, deixando claro que a manipulação da vida é algo divino.

Porém, a referência mais clara que a história transmite vem das feridas deixadas pela revolução francesa e pelas guerras napoleônicas por todo o velho mundo. A revolução burguesa, a revolução industrial e a tecnologia davam margens a pensamentos impuros sobre forças terríveis e anti-naturais que estavam sendo liberadas.

Numa sociedade tapada pelos dogmas religiosos, a revolução industrial, assim como  o Dr. Frankenstein, era a ciência desafiando a ordem natural. O monstro representava o produto da revolução industrial: o proletariado, feito de restos humanos de um mundo em decomposição. Era a personificação do capitalismo e seu algoz.

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  1. 05/08/2009 às 10:30

    O tema de vocês tiltou geral ou é só comigo?

    Eu sou fascinada pelo Frankenstein. Não concordo muito com a leitura de que o monstro represente a revolução industrial (leitura esta que é tão dominante atualmente, que acaba sendo usada no resumo da obra na wikipedia). Muito mais coerente o monstro ser uma reação à ciência da época, que aparentava ser capaz de tudo. Do século 19 até 1930, era comum os jornais apresentarem manchetes sobre cientistas malucos, raios da morte e coisas do gênero (A cultura popular sai de algum lugar, afinal). Horror é feito de exagero frente a um medo comum, afinal.

    E a autora tinha 18 anos quando escreveu o livro… Acho que esse fato não precisa de comentários, certo?

    • 05/08/2009 às 12:10

      Eu tinha combinado com o Ícaro de não responder aos comentários, mas achava que as pessoas contestariam o conteúdo e não a fonte. Não tirei essa idéia do “resumo da Wikipedia”… me senti a mosca do coco do cavalo do bandido… Além do mais, essa idéia não é tão nova assim. Odeio a Wikipédia e a proposta desse blog não é essa.
      Tomei contato com ela pela primeira vez no livro do professor de Economia Política, o portoalegrense Francisco de Oliveira e nas obras do sociólogo português Boaventura de Souza Santos.
      Se leres o texto até o fim, e se entenderes que a ciência e a revolução industrial estão intrinsecamente ligadas (não há como negar), verás que o que falas é o mesmo que eu: a revolução industrial, toda sua nova e fantástica ciência e o capitalismo trouxeram o medo. O terror, como disseste, sai do medo comum. Não entendi a crítica, já que dizes o mesmo que escrevi.

      Não conheço a vida e obra de Mary Shelley, mas, segundo as fontes que pesquisei, ela nasceu em 1797 (FONTE: http://www.infoescola.com/escritores/mary-shelley/ e http://people.brandeis.edu/~teuber/shelleybio.html) e escreveu o livro em 1816, conforme introdução escrita por ela na edição de 1831 (mesmas fontes supracitadas). Por isso deduzi seus 19 anos.

  2. 05/08/2009 às 12:15

    Imaginem uma sociedade regrada por dogmas da Igreja que, subtamente, abre as portas do desconhecido, da ciência, dos “raios da morte”, das máquinas… era de contestação a tudo que antes era chamado “divino”. A ciência trouxe mais dúvidas que respostas naquela época e a dúvida gera o medo. Frankeinstein, na minha ótica, é a personificação do medo de “até onde o homem pode ir com a ciência”.

  3. 06/08/2009 às 08:45

    Peço desculpas pela forma que havia respondido ao comentário. Odeio, de verdade, a Wikipedia e não esperava que contestassem a fonte dos nossos textos, apenas a idéia. Não estou num bom momento e fui rude ao responder. Desculpe-me.

    • 06/08/2009 às 19:44

      Imagina, o meu comentário ficou meio dúbio mesmo. 🙂

      Eu estava falando do ponto de vista literário mesmo, em especial da literatura de gênero e da literatura pulp. Sou uma daquelas pessoas que fica reclamando pelos cantos que os trabalhos acadêmicos sobre marcos da literatura de gênero sempre desconsideram a obra como ficção de gênero, acho que o meu comentário tinha deixado escapar um pouco dessa ideia.

      De qualquer maneira, estamos falando da mesma coisa, sim ^__^

  4. Fábio
    13/08/2009 às 12:15

    Rafael, tudo bem que a Wikipedia é uma fonte nada confiavel, mas ela até que quebra um galho de vez em quando. hehehehehehhehe
    A história do livro é bem legal e só comentario, não estou dizendo que é o caso aqui, mas muitas vezes para o autor a obra tem muito menos significados, do que os especialistas acreditam que foram colocados no livro propositalmente.

  5. Fábio Ochôa
    14/08/2009 às 15:41

    Acho o livro fraquíssimo.
    E para completar, todos os personagens tem a mesma voz e personalidade.

  6. ANARC
    23/02/2011 às 12:37

    FRANKSTEIN? BURGUESIA? CAPITALISMO???

    HAHAHAHHA! FUMOU O QUÊ? EU TAMBÉM QUERO!!!

    • 23/02/2011 às 18:57

      Acho uma graça nesse tipo de comentário…

  7. beatriz costa
    03/06/2013 às 15:48

    Gostei muito desse texto tem os dois temas em 1 (um) texto só.muito legal muito legal mesmo.e é bom que não precisa olha dois textos diferentes e junta em um só.Gostei .Parábens!

  8. Roberto Washington
    14/04/2015 às 20:52

    muito boa a alusão aos temas de revolução e iluminismo, me quebrou um galho sem tamanho, achei um blog que vale a pena parar para acompanhar 🙂

    • 14/04/2015 às 21:32

      Valeu Roberto. Fico feliz que tenhas gostado.

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