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Globalização: a ilusão da autonomia

Por Rafael

Ser livres, donos da própria vontade e comandar nossas ações é o que todos aspiram dentro da sociedade. Mas é mesmo só isso: um desejo. Na verdade agimos de acordo com um grupo. Forças sutis agem perpassando nossa vida e constituindo nossa “individualidade”, porém, como explicar singularidade quando a mídia consegue lançar “bandas” como Fresno ou NXzero, cada uma com mais de 50 milhões de cópias vendidas de seus discos?

Para Michel Foucault, comportamentos considerados normais seriam ditados por regras impostas pela sociedade e internalizadas como padrão. Não que sejamos todos idênticos, mas agimos de forma parecida porque a sociedade é “adestrada” por um conjunto de regras e disciplinas que, de tão disseminadas e repetidas, são internalizadas e vistas como normais. Um poder sem centro e sem dono. Quem o domina é capaz de determinar nossos atos e governar nossa vida.

Freqüentemente eu falo que o mundo é movido pelo medo. O medo define metas, religião, limites, desejos, enfim, o medo rege nossa vida. Quando li Vigiar e Punir, de Foucault, ano passado percebi que meu pensamento não era tão isolado assim. Nesse livro o filósofo faz um profundo e completo estudo sobre a prisão e como essa instituição consegue explicar os mecanismos de poder normalizador social.

Esse controle disciplinar, utilizando-se do terror punitivo desde a  Idade Média, evita pequenos desvios dentro dos espaços institucionalizados, além de infrações descritas pelas leis. Foucault percebe que o indivíduo se torna “dócil e útil”. Dócil, pois é integrado ao mecanismo disciplinar e útil porque essa integração permite produção. Isso não se aplica somente a quem está na prisão, mas se espalha pela sociedade, que passa a constituir a marca da docilidade e utilidade, perdendo “liberdade e autonomia”.

O indivíduo se torna fruto da padronização. Na escola, no ambiente de trabalho tem-se limites e modos comportamentais pré-determinados. A internalização desses princípios de conduta resulta numa espécie de adestramento, a formação da moral. Para Foucault o conceito de autonomia se perde no processo de socialização, quando passamos a seguir as tais forças sutis que doutrinam a sociedade.

Assim, sendo todos submetidos aos mesmos padrões disciplinares e mobilizados pelos mesmos interesses, ditados pelos detentores do poder de repetição e disseminação, tornamo-nos mobilizados e submetidos uns pelos outros, ligando-nos em características, muitas vezes relacionadas às relações de consumo.

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  1. 07/11/2009 às 10:45

    Foucault é fantástico, quando li Vigiar e Punir me apaixonei de cara pela visão dele, principalmente pela questão do panoptismo, que prova de fato como as pessoas se movem pelo medo.
    É, assim somos, dóceis e úteis, alguns não tão dóceis, outros não necessáriamente úteis, mas todos incrivelmente medrosos.

    Pedro.

  2. 09/11/2009 às 08:45

    Rafael, tudo tem sentido sim! Pelo menos na minha visão pessoal. Gostei do livro também.

    Continue com estas idéias pois você não está sozinho!

    Sucessos

    Mandel Souza
    http://www.blog.romanegocios.com.br

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