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Ele voltou!

Por Jaqcues

– Você viu só que carrão? Era um Galaxy… Acho que da década de 50…
– É… Da época em que se dizia “supimpa”… A propósito… Que fim levou o “supimpa”?
– Bem… Ele… Pode ter se vendido para o sistema, morrido de overdose, se tornado pastor evangélico ou pode estar criando galinhas d’angola no interior do Goiás, sei lá…Acho que o “supimpa” simplesmente … deixou de ser supimpa!
– Hmm…Acho que … Vou trazê-lo de volta…
– Quê ?
– Isso mesmo! Organizarei uma campanha a nível nacional… Não! A nível mundial ! Como se diz “supimpa” em alemão ?
– Não faço ideia…Olha… Eu não sei se isso é uma boa, não…
– E porque não ?
– Porque o “supimpa” já teve sua época, entende? Seria como você tentar enfiar o Erasmo Carlos e o Gilliard goela abaixo dos jovens de hoje… Não daria certo…
– E que falou em jovens? Eu vou trazê-lo de volta ao linguajar daqueles que o usavam antes! Eu incorporarei o “supimpa” ao século 21!
– E de quais pessoas você está falando? Aquelas que fumaram, beberam e consumiram tudo a que tinham e não tinham direito nas décadas de 60 e 70 usaram as décadas de 80 e 90 para se desintoxicarem… e a maioria morreu no processo! As poucas que sobreviveram estão mais preocupadas em viver o que lhes resta da vida do que ficar relembrando-a…
– Ah, é ? E como você explica esses “revivals” que surgem como garrafas pet em dia de enchente ? Se bobear até o Rick Astley está de volta…
– Esses “revivals” nada mais são do que um reflexo da falta de imaginação dos profissionais da mídia de hoje…Eles sabem que músicas e filmes sobre personagens antigos já têm a sua parcela garantida de público… O que não ocorre com personagens novos…
– Ahhh… Mas então o que vai acontecer com o “supimpa”? Ele vai aparecer no Programa do Jô para ser avacalhado e no Superpop para falar mal da Globo e o Padre Quevedo apontar para ele e dizer: “Izto naum ecziste!” e será o seu fim ?
– Bem… Não totalmente… Ele ainda pode escrever suas memórias ou ser tema de algum documentário ou tcc…
– Mas que triste… E ele que nunca fez mal pra ninguém…
– Isso você está supondo, não?
– Como assim?
– Você não tem como saber quantas vezes nas baladas um sujeito chegou para o outro e disse: “Ah, foi você que disse que minha namorada era supimpa, né ? Toma!” ou “Vamos apostar uma corrida para ver quem tem o carro mais supimpa?” e isso acabou em morte…
– Mas nesses casos a culpa não foi dele… É o mesmo que você atirar em alguém e colocar a culpa na arma! De qualquer forma, mesmo que a culpa tenha sido dele, o “supimpa” já esteve exilado por tempo demais! Ele… Ele…Pagou sua dívida com a sociedade!
– Acredito que sim…Mas ao trazê-lo de volta você pode abrir um precedente perigoso…
– Porque?
– Porque você poderá incentivar a volta de gírias bisonhas que estavam mortas e enterradas com “putzgrila”, “numa nice”, “mixou o carbureto” e “ú-te-re-rê”… E isso seria um caos…
– Sim… Eu tenho que fazer isso sem que as pessoas saibam que fui eu…
– Você … Poderia… Criar uma comunidade no Orkut intitulada: “Eu quero a volta do supimpa”…
– Não, não… Comunidade no Orkut é igual umbigo: todo mundo tem e ninguém dá a mínima…
– E… que tal divulgar slogans como: “Filmes…Magia…Supimpa!”, “Na ausência do supimpa a escuridão prevalece”, “Viva o lado supimpa da vida” ou “O supimpa zela por você” ?
– Hmm… Não… Isso pareceria plágio e geraria antipatia…
– Então que tal: “ O supimpa voltou!” escrito em botons ?
– Não, não… As pessoas discordariam apenas por discordar… Tem que ser algo mais simples como…
– Como…
– “Ele voltou!”
– Quem voltou?
– O”supimpa”, é claro!
– É ? E voltou como ?
– Ainda não voltou, mas voltará com os botons onde estará escrito ”Ele voltou!” Sim…
– Mas essa frase pode levar à infinitas possibilidades, de Walt Disney a Michael Jackson passando por Einstein e Elvis Presley….
– Exatamente! E é isso que é genial!
– Não entendi…
– Eu explico: Eu espalho alguns botons por aí e as pessoas começarão a se perguntar quem é esse “Ele” que voltou e a dúvida as consumirá por dentro daí um belo dia eu chego em uma roda de amigos ou na internet e digo: “Vocês sabem quem foi que voltou? O supimpa!” E elas perguntarão: “Como é que você sabe disso?” E eu direi: “Eu ouvi um rapper dizê-lo na MTV…” E pimba! O “supimpa”  está de volta!
– Entendi… Todos ficarão tão felizes em ter sua dúvida esclarecida que não se importarão com a volta de uma gíria de décadas atrás! Muito bom… Mas e não há o risco das pessoas ignorarem os botons?
– Conscientemente, sim, mas inconscientemente, não.
– Se está dizendo… Mas e então? Você vai usar o primeiro boton ?
– Não… Eu posso falar demais e colocar tudo a perder… Mas você pode usá-lo, não pode?
– Tudo bem… Mas e se me perguntarem de onde eu o tirei, o que eu digo?
– Você diz que… Um dia você estava saindo de casa e encontrou o boton colado com fita adesiva na sua porta junto com um bilhete escrito: “Use, senão…” E que o bilhete se desfez logo após você lê-lo…
– E porque isso do bilhete sumir ?
– Porque as pessoas se deixam fascinar por fatos misteriosos… Elas os preferem ao invés das explicações mais simples … E então, você usará o boton ?
– Eu o usarei com duas condições…
– Diga…
– Primeira delas: sem perguntas…
– Muito bem…
– Segunda condição: você vai usar um boton onde estará escrito:”Carina, perdoe o Flávio!”
– Mas vocês brigaram de novo? O que foi que…
– Eu disse SEM PERGUNTAS!

  1. 29/07/2011 às 10:04

    cara, você escreve diálogos muito bons! gosto de como vai misturando um monte de referências e citações na conversa, além de conseguir deixar claro o tema que a história quer tratar!
    abraço!

  2. 03/08/2011 às 18:10

    Pois é…
    O que aprendi com isso é que as referências em excesso poluem o texto, prejudicando-o.
    É errando que se aprende.
    Valeu.

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