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1602 – A estreia de Neil Gaiman na Marvel

Por Jacques

O escritor inglês Neil Gaiman, que tem diversas obras traduzidas para o português, entre elas Deuses AmericanosFumaça e EspelhosStardustBelas MaldiçõesCoisas FrágeisLugar NenhumCoraline (que se tornou uma ótima animação dirigida por Henry Selick) e Os Filhos de Anansi, é conhecido por criar mundos estranhos e fantásticos e personagens incomuns que estão à uma parede de distância.

E é com esta visão insólita e original que ele nos mostra como seria a sua versão do Universo Marvel no ano de 1602.

A trama desta hq se inicia quando, por razões desconhecidas, o clima do mundo inteiro enlouquece e a rainha Elizabeth ordena que seu médico e assessor de assuntos místicos, Stephen Strange, encontre uma resposta para o enigma. Ele entra em transe e tem visões dos demais heróis espalhados pelo mundo, e, cabe a eles reuni-los para tentar acabar com a ameaça, seja ela qual for.

Contada deste jeito, a trama parece simples e banal, mas temos de lembrar que naquele tempo não existia nenhuma forma de comunicação trans-oceânica e a Igreja adorava queimar pessoas para tomar seus bens e suas propriedades; se já era ruim para os humanos, imagine para os mutantes possuidores de poderes bizarros e formas animalescas.

Foi lendo esta hq que eu me dei conta que o Quarteto Fantástico representa os quatro elementos, terra (O Coisa), fogo (Tocha Humana), água (Senhor Fantástico) e ar (Mulher Invisível). Esse é o tipo de coisa que está tão na sua frente que você não vê.

Os Quatro do Fantásticko

Assim como 52 e Crise de Identidade (ambas da Divina Concorrente da Marvel), 1602 é o que se pode chamar de história COM super-heróis, onde a trama é muito maior do que eles próprios, que tem de dar nó em pingo d’ água para resolvê-la; ao contrário de uma história DE super-heróis, onde um supervilão ou grupo de supervilões aparece, faz um discurso contando seu plano, espanca ou é espancado pelos heróis, rapta ou fere mortalmente um deles, o que causa a dissolução do grupo, que após algumas histórias solo de seus integrantes, se reúne novamente, dá um surra no vilão, que é preso, dado como morto ou foge e então tudo recomeça com outro vilão.

A arte desta hq é de Andy Kubert e Richard Isanove, que fizeram um trabalho memorável na mini-série Origem, onde é contada a origem de Wolverine, o mustelídeo mais famoso dos quadrinhos.

Esta é uma hq tão bem contada que é capaz de agradar até mesmo aqueles que tem ódio visceral por super-heróis, já que foi criada pelo autor que fez da morte uma garota bonitinha de cabelos arrepiados que coleciona chapéus, e só isso basta para que ele tenha para sempre um lugar de destaque entre os grandes autores de quadrinhos.

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  1. 04/08/2010 às 11:20

    gostei muito de 1602, ao ponto de considerar uma das pouas coisas que li da Marvel nos últimos anos que prestou,apesar de muita gente não considerar grande coisa. Acho que os heróis da marvel nunca foram caracterizados de forma tão “elegante”, e acrescentando spoilers, acho que a a parte em que o navio voador dos sangue-bruxos ataca o castelo da latvéria, ao mesmo tempo em que é revelado o tesouro dos templários, muito empolgante!

    • 23/08/2010 às 20:56

      Concordo, Vinícius,
      Li uma entrevista no Omelete em que o Gaiman conta que gostaria de ver 1602 virar filme, o que infelizmente não é possível.
      Acho que a visão de Gaiman para o Universo Marvel é bem particular e inesperada, o que rendeu uma ótima história.
      Apareça.

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