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O Chamado de Cthulhu

Por Rafael

Adquiri o pocket book da Editora Hedra, O Chamado de Cthulhu e Outros Contos, de H. P. Lovecraft, traduzido por Guilherme da Silva Braga. O livro traz mais que simplesmente os contos do idolatrado autor. O próprio Guilherme Braga faz uma incrível  introdução, contando detalhes interessantes da vida de Lovecraft que explicam muito seu gosto por contos de terror.

O livro é composto pelos contos Dagon, Ar frio, O que a luz traz consigo, A música de Erich Zann (o melhor na minha opinião), O modelo de Pickman, O assombro das trevas e O chamado de Cthulhu.

Eu não tinha lido O chamado de Cthulhu e estava ansioso, por tudo que falam, cultuam, idolatram. Acho que tive uma sensação antecipada de “finalmente vou ler o melhor conto de terror do mundo”, só que me decepcionei. Acho que pela expectativa, achei o texto um tanto “normal”. Gostei muito mais de Ar frio e A música de Erich Zann, que do chamado de Cthulhu.

De acordo com Lovecraft, os seres humanos nunca poderão entender totalmente Cthulhu, pois sua existência vai além da compreensão mortal. O universo de Lovecraft possui muitas criaturas igualmente incompreensíveis. Algumas delas são conhecidas como Great Old Ones, ou Old Ones, e são seres poderosos e eternos além das estrelas. Embora Lovecraft tenha usado a frase “the Great Old Ones” de formas contraditórias, a maioria de seus fãs pensa que Cthulhu é um desses seres extraterrestres que somente existem parcialmente em nossa dimensão.

Fãs de Lovecraft cultuam o panteão por ele criado como se religião fosse. Cthulhu, apesar de não ser a criatura mais poderosa, é o mais famoso. Dentre os mais interessantes estão:

  • Azathoth – um ser gigante com enorme força, que reina no centro de infinidade de maneira descuidada.
  • Dagon – um deus que gerou uma raça de criaturas conhecidas como os Deep Ones, que parecem ser metade homem, metade peixe. Dagon não foi uma invenção Lovecraftiana – foi a principal divindade dos filisteu.
  • Hastur – um deus maléfico, às vezes chamado de “ser que não deveria ter nome”, pois era conhecido por aparecer sempre que alguém dizia seu nome, geralmente de mau humor.
  • Nyarlathotep – também conhecido como “O rastejante caos”, espírito e mensageiro de Other Gods (seres cujo poder impede o crescimento até mesmo dos Great Old Ones), ele apresenta formas infinitas e parece ter um senso de humor malicioso.
  • Shoggoths – criados pelos Elder Things para trabalharem como escravos, essas criaturas poderiam assumir qualquer forma com seus corpos pegajoso.
  • Yog-Sothoth – o deus ‘completo’, que protege toda a existência e o tempo, bastante mencionado no livro místico “Necronomicon”.

Em O chamado de Cthulhu, Lovecraft revela muita coisa sobre o monstrengo. Cthulhu tinha dominado a Terra uma vez e que, um dia, ele o faria novamente. À medida que a história se desenvolve, o narrador descobre que Cthulhu ficou preso em uma cidade de pedra, chamada R’lyeh (não é O’ rly!), no fundo do oceano, mas que um terremoto trouxe parte da cidade de volta à superfície. Segundo o conto, ela fica a S 47 9′, W 126 43′ 47″.

Em 1997, a Marinha dos Estados Unidos detectou um misterioso som no fundo do Oceano Pacífico. Os microfones colocados embaixo d’água, originalmente para direcionar os submarinos soviéticos durante a Guerra Fria, registraram um som repetitivo e alto em um nível muito baixo, próximo ao S 50, W 100. Ao acelerar digitalmente o som (que, inalterado, dura mais que um minuto), é como um “ruído”. O barulho assemelha-se ao de uma baleia, mas biólogos afirmam que teria que ser uma baleia muito maior do que qualquer uma já vista pelo homem para fazer o barulho. Alguns fãs de Lovecraft sugerem que o ruído vem do Cthulhu, já que possivelmente ele ronca dentro das paredes de R’lyeh.

A pronúncia do nome Cthulhu é outro ponto muito discutido entre os Lovegeeks. Lovecraft afirmava que a linguagem dos Old Ones não era compatível com a fala dos humanos, e qualquer tentativa do homem de pronunciar Cthulhu seria, na melhor das hipóteses, uma aproximação. Lovecraft era inconsistente quando sugeria formas de pronunciar o nome, mas o exemplo mais citado é “khûl-lhoo”, com uma vocalização gutural na primeira sílaba. A pronúncia mais comum entre os fãs de Cthulhu parece ser “kuh-THOO-loo”. A origem do termo é muito questionada. Ela poderia ter origem árabe khadhulu (“aquele que abandona”, em outro sentido, inclusive no próprio Corão, “satã”). Cutha era chamada uma antiga cidade da Babilônia, cujo nome foi dado a uma tábua, que apresenta um relato da “criação”. Ainda no árabe, Khado é uma palavra popular pra “demônio-fêmea mau”. Outra possibilidade, do sânscrito, Kutila, que significa “curvo, encurvado, torcido, sinuoso; astuto, arteiro, enganoso.

Muitas bandas de música fazem verdadeiras homenagens à Cthulhu, como Metallica, nas músicas The Call Of Ktulu (faixa instrumental) e The Thing That Should Not Be (Hybrid children watch the sea / Pray for Father, roaming free / Fearless Wretch / Insanity / He watches / Lurking beneath the sea / Great Old One / Forbidden site / He searches / Hunter of the Shadows is rising / Immortal / In madness / You dwell) e Black Sabbath, na música Behind The Wall of Sleep (Now from darkness, there springs light / Wall of Sleep is cold and bright  / Wall of Sleep is lying broken / Sun shines in, you are awoken).

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  1. 22/01/2010 às 13:19

    Eh… Velhinho…. Parece que não há mais nada a se comentar sobre a obra de H.P. Lovecraft. Eu mesmo pensava em colocar para frente o meu TCC sobre a literatura fantástica dele, mas, por consequencia da pesquisa, acabaria buscando-o fora de sua literatura…

    Prefiro não mecher no bom amor que tenho pela sua obra.

    H.P.’.

  2. Fábio Ochôa
    22/01/2010 às 15:43

    Em cada conto é impressionante como Lovecraft usa as descrições “indescritível” e “inimaginável”, para descrever tudo.

    Mas Lovecraft, descrever coisas que nescessariante não estão diante de nossos olhos, não é justamente seu ofício?

  3. 22/01/2010 às 18:57

    rsrs, isto não é impressionante. 🙂

    Ah, vai ver que de tão fantásticos os pesadelos (e de tanto cansaço pelas noites insones) o cara tinha mesmo é de dizer que aquilo era ‘indescritível’, ‘inenarravel’, ‘indizivel’ e pronto! rsrs

    Era muita informação para aquele cabeçudo. Tenta ler a bíblia, ou então Machado, eles são mais descritivos (Beeeeem descritivos).

    Deixando o meu humor bizarro e a poeticidade de lado, ele realmente usava demais adjetivos do tipo. INCLUSIVE quando substantivava os mesmos como em “o indiscritível”!

    Estou gostando de comentar aqui, quase nunca tenho muito a dizer, mas diverte-me 😀

    Abracetas e até a próxima,
    H.P.’.

  4. 26/01/2010 às 07:56

    O grande mérito dele é a narrativa que prende a leitura. Ele nasceu em Ilha de Rodes e Plantações de Providência, um estado no nordeste dos EUA, em uma cidadezinha onde, embrora seja a capital do estado, nada de muito grandioso acontecia (ou acontece até hoje). As descrições das casas, ruas, ruelas são sempre as mesmas em todos seus contos, como se ele estivesse preso àquele mundo, como se um dos Great Old Ones não permitisse que fosse muito longe.

    Lovecraft foi um bom escritor, é uma pena que o modismo sem causa o transforme em Pop na Internet. Não que eu não queira que sua obra seja divulgada e disseminada, mas odeio esses movimentos Pop sem causa, como Zombie Walk, Pillow Fight e culto a coisas ditas underground.

  5. 26/01/2010 às 11:01

    He he, o H.P. daqui é um tanto parecido com o H.P. de lá.

    Atualmente vivo numa cidadezinha chamada Socorro, desloco-me à Cidade (Aracaju) apenas quando vou à Universidade ou quando quero resolver algum probleminha corriqueiro.

    Apesar de minhas produções literárias nem se quer beirarem o bizarro, digo, fantástico mundo do nosso cabeçudo… Tendo a transliterar nos blogs e ‘diários-de-minha-vida-toda’, tirando não sei de onde, o ‘prim cæmentu’* que o quão logo consigo, transformo em textos.

    Acredito que a vida pacata/monótona ajude muito na produção literária. A frustração pode gerar sim bons frutos.

    CONTINUEMOS A DISCUSSÃO! 😀

    Meu e-mail: hugopereira.lds@hotmail.com

    Envia-me também o teu e-mail, Sr. Rafael.

    TFA,
    H.P.’.

  6. 31/01/2010 às 21:07

    Ficou um post curioso.

    Não gostei muito dessa edição da Hedra.

    Também achei meio sem graça “O chamado de Cthulhu”.

    Mas existem contos cthulhescos impressionantes, como “Sombras sobre Innsmouth”.

    E peças piradas, alucinantes como “O medo oculto” e “Herbert West”.

    Você os encontra em “Waking up screaming”, pela Ballantine Books/Del Rey, que me custou R$ 18.

    Conheça meu esboço de adaptação de Cthulhu para 3d&t em http://camilorpg.wordpress.com/2009/01/09/3dthulu-cthullu-para-3dt/

    Ou se divirta com o jogo Big Brother Zombie em http://camilorpg.wordpress.com/2009/05/23/uma-casa-seis-concorrentes-um-zumbi-%E2%80%93-quem-saira-vivo/

    Até mais!

  7. Jacques
    02/02/2010 às 18:04

    Também achei o conto “O Chamado de Cthulhu” fraco.
    Acho que o conto “Ar Frio” foi o que me chamou mais a atenção.
    Além deste livro, eu li apenas “O Caso de Charles Dexter Ward”, que acho que todo mundo leu.
    De qualquer forma, sendo modismo ou não, o Lovecraft manda bem.
    Se tu continuar com essa busca frenética pela etimologia, Rafael, vais terminar tirando Biologia.

  8. Fábio
    10/02/2010 às 16:20

    Lembrando que o autor também se inspirou em algumas coisas macabras do ocultismo, só não lembro se ele chegava a acreditar nessas coisas.

    • 11/02/2010 às 12:43

      Eu não sou nenhum especialista em Lovecraft, mas acho (repito, ACHO) que ele não acreditava ou praticava “bruxaria”. Em tudo que li dele não encontrei referência nenhuma, mas é certo que muita base tem em religiões digamos pouco apreciadas.

  9. 12/02/2010 às 06:32

    Rapazes… O conhecimento teórico pode sim influenciar a literatura produzida… O que diremos do conhecimento empírico!

    Infelizmente, nenhum de nós pode com certeza afirmar que o querido H.P. tenha tido (ui!) contato com algum grupo infernalista, ou mesmo de bruxaria tradicional, mas as linhas estão lá… Expostas, dissecadas. Contudo, cheguei à conclusão de que pelo menos de uma linha celta ele não era, pois o mesmo demonizou entidades pagãs no conto ‘o festival’. PORRA! Se tratava de um festival SAZONAL! YULE! A fogueira gigantesca foi bem retratada e tudo o mais como aquele fogo perene e que não queima (mas vai fazer um teste num rito de verdade… ¬¬). Enfim… Rene wellek, um teórico da literatura, fala que “um determinado indivíduo só pode escrever sobre ALGO que ele CONHECE”.

    Só para ilustrar, já tô terminando 🙂 Na epistemologia, ciência do conhecimento, diz-se que a diferença entre o ‘saber’ e o ‘conhecer’ jaz justamente no ultimo, ou seja, algo só é conhecimento se puder ser passado a um outro indivíduo – Conhecimento = algo que pode ser ensinado.

    Conclusão: provavelmente Lovecraft em algum momento de sua vida teve contato com religiões pagãs, ainda que por meio de livros.

    Contestação: caso alguém queira por à prova esta teoria, dissertem à cerca do tema “o pingo da grampola da parafuseta” (sem o auxílio do google)

    Abraços, irmãozinhos 😀
    H.P.’.

  1. 03/09/2010 às 19:14

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