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Lição aprendida a fogo

Por Jacques

É comum vermos, nos desenhos mais antigos do Pica-Pau que são reprisados eternamente nas tardes da TV Record, a aparição esporádica do urso antropomórfico Smokey, que se tornou o mascote da Guarda Florestal Americana e tinha a função de advertir as pessoas que visitavam os parques nacionais dos EUA que era dever delas prevenir incêndios, pois estes poderiam causar perdas de vidas humanas e animais e a destruição da floresta em si.

Pelo menos era o que se pensava na época…

A campanha encabeçada por Smokey foi um sucesso (ele até ganhou um desenho animado, o Smokey Bear Show) e, por décadas, se conseguiu evitar incêndios, até que, em 1988, ocorreu um incêndio que durou 4 meses e consumiu 36 % dos mais de 9.000 quilômetros quadrados do Parque Nacional de Yellowstone (aquele do Zé Colméia). As altas temperaturas oriundas da tempestade de fogo que varreu o parque, muito mais do que apenas queimar, calcinaram a matéria orgânica do solo, praticamente esterilizando-o.

O que os administradores do parque fizeram, sem saber, foi acumular material combustível por anos, o que ocasionou o superincêndio. Se o material acumulado por todos aqueles anos tivesse sido consumido por incêndios regulares naturais menores, nada teria acontecido.

Hoje se sabe que o fogo tem um papel fundamental na dinâmica dos ecossistemas florestais, pois tem a função de manter a floresta saudável, eliminando árvores doentes, desobstruindo a superfície do solo, adicionando os nutrientes do material queimado ao solo e abrindo clareiras na mata para que sementes possam germinar e originar novas árvores; e existem algumas espécies de árvores que necessitam do fogo para se reproduzir, pois este tem o papel de abrir os frutos para liberar a saída das sementes (o que é chamado de adaptação pirofítica).

Frutos abertos após a ação do fogo

Atualmente existem nos parques nacionais dos EUA as chamadas “brigadas de incêndio”, que tem a função de provocar pequenos incêndios controlados, para se evitar o que ocorreu em Yellostone.

Apesar dos administradores dos parques nos EUA terem tido boa intenção, o que ocorreu em Yellowstone foi apenas mais um exemplo de como o ser humano acredita que pode controlar a natureza para seus próprios fins ao invés de aprender com ela.

Como se a natureza precisasse de nós para alguma coisa…

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  1. johnquaids
    30/01/2010 às 20:41

    Muito bom o post, não sabia dessa história.Valeu, abrazz…

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