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“Nossa estupidez transformou o mundo numa granada! Nossa ganância puxou o pino!”

Por Jacques

Surrupiei o título deste post do gibi DC 2000 26, da história “O demônio e o mar profundo”, onde o ainda não tão conhecido escocês doidão Grant Morrisson interrompia a história principal de Buddy Baker, o Homem-Animal, para mostrar aos leitores a luta dele ao lado de Delfim e seu amigo ecoterrorista Dane Dorrance para tentar impedir a matança anual de golfinhos e baleias que ocorre nas ilhas Faroe, que é um arquipélago de 18 ilhas pertencente à Dinamarca.

Esta prática, que teve início séculos atrás por necessidade, hoje nada mais é do que uma tradição estúpida e desnecessária.

Este é apenas mais um exemplo de como a autoproclamada “superioridade” do ser humano o impede de se ver como parte integrante do planeta (forma holística), ao invés de se achar dono dele, como vem fazendo por boa parte de sua história.

Quando o primeiro sujeito cercou sua precária moradia com pedras, apontou para o terreno cercado e disse “Meu!” e apontou para a mulher ao seu lado e disse “Minha!”, bom, nesse momento a vaca foi para o brejo e nunca mais conseguiu se desatolar de lá.

Isso ocorreu quando houve a passagem do sistema matriarcal, onde se venerava  a deusa Gaia (do grego “gaea”, que quer dizer “Terra”, que aportuguesando virou “geo”) para o sistema patriarcal, onde passou-se a venerar o Deus Único que passou a ser visto como o único Deus.

A partir daí a cooperação foi substituída pela competição e o resultado disso foi a subsequente espoliação progressiva do planeta, pois a lógica que passou a vigorar foi a de que ou algo serve ao ser humano, ou não serve para nada.

O resultado dessa prática é o nosso modo de vida consumista/hedonista /imediatista, onde vivemos apenas para satisfazer nossas necessidades momentâneas, sem nos importarmos de que forma isso ocorre e como as demais espécies do planeta são afetadas por isso; e é esse modo de vida que está levando o planeta ao colapso climático.

Um exemplo disso é o corredor de tornados que se formou há alguns anos atrás no norte do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
A impressão que dá é que este século será o último em que os padrões climáticos continuarão mais ou menos estáveis, a partir daí será ladeira abaixo rumo à extinção, que é o destino final de todas as espécies, mas nem por isso precisamos antecipá-la.

O que estamos fazendo com nosso único lar hoje é algo parecido com o que Hugo Chaves fez com a Venezuela nos últimos dez anos, ele varreu a sujeira para debaixo do tapete até que o tapete explodiu e ele não teve ninguém a quem culpar.

Daqui a algumas décadas, quando o descaso, a superpopulação, a poluição e o umbigocentrismo humano tornarem o planeta inabitável, as pessoas assistirão ao colapso total do clima em tempo real em suas tvs holográficas de última geração e chegarão à simples e terrível conclusão:

– É a vontade de Zeus…

Ou Deus, sei lá. Eu confundo os dois porque ambos possuem barba branca, ficam mandando para depois desmandar e tiveram filhos problemáticos.

E como termina a história do Homem-Animal?

Buddy larga o líder dos matadores de golfinhos, o caçador de baleias chamado Ongur Nielsen, de algumas dezenas de metros acima d’ água e ele afunda no mar. O golfinho cuja companheira Ongur havia matado pouco antes o vê debater-se e pensa em como ele morrerá afogado e em como um dia os seres humanos não mais existirão e a paz reinará no oceano (que ele chama de Mundo), e que até lá haverá o derramamento de sangue de inocentes, agressão, dor e tristeza, e que esse é o modo de ser dos tristes homens.

E enquanto ele pensa nisso, ajuda Ongur a chegar até a praia. Ele se vira e olha embasbacado para o golfinho, que vai embora pensando:

… o nosso modo é diferente…

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