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Diga não ao cartesianismo

Por Jacques

O termo “cartesianismo” vem de “cartesius”, que quer dizer “Descartes” em latim,em homenagem ao filósofo e matemático René Descartes, que criou a geometria analítica e os eixos x e y, também chamados de eixos cartesianos.

Descartes também é o famoso autor da sentença “cogito ergo sum” (Penso, logo existo), com a qual pretendeu demonstrar a realidade da existência humana , embora para o escritor norte-americano Ambrose Bierce, o mais correto seria “cogito cogito ergo cogito sum” (Penso que penso, logo penso que existo).

O cartesianismo é uma forma de se estudar lugares, fenômenos e seres vivos decompondo-os em unidades menores, como se faz ao se desmontar uma máquina, razão essa pelo qual se assemelha ao mecanicismo e o reducionismo.

Por séculos o cartesianismo foi uma ferramenta eficaz para se entender processos metabólicos, reações químicas e a anatomia e fisiologia dos seres vivos, substituindo o misticismo e a suposição infundada pela análise científica.

O problema é que esta forma de estudo não nos revela de que forma os componentes analisados interagem entre si e com o ambiente à sua volta.
No passado, quando cientistas ocidentais capturavam animais em regiões desconhecidas (para eles) como Ásia e África, tudo o que faziam era matar o maior número de exemplares que podiam, levavam as carcaças para os museus, onde, após medirem e pesarem todos os órgãos, conservavam estes em formol e taxidermizavam as carcaças.

Depois disso, escreviam um artigo científico com o nome maior do que o ego da Luana Piovani e partiam para a próxima matança.

O mundo natural e o mundo humano separados

Esta forma de pesquisa nada nos diz sobre a função da espécie no meio em que ela vivia (seu nicho ecológico), sua inter-relação com as demais espécies, de que forma estas inter-relações influenciavam o ecossistema, como a ação humana atuava sobre esta espécie (e vice-versa) e que prejuízos a extinção desta espécie traria para o planeta.

Hoje em dia se sabe que o modelo cartesianista de pesquisa está ultrapassado e que, ao se retirar um determinado organismo de seu hábitat natural e colocá-lo em um “ambiente controlado”, está se isolando o organismo das condições normais em que ele vive, ou seja, está se criando um ambiente artificial sem validade prática.

Como alternativa ao cartesianismo existe a holística ou holismo (do grego “holos”, que quer dizer “completo”), termo criado por Jan Christiaan Smuts, em seu livro “Holismo e Evolução”, de 1926, embora o princípio geral do holismo apareça na obra de Aristóteles chamada “Metafísica”: “O inteiro é mais do que a simples soma de suas partes.”

A holística é uma forma de estudo onde se soma a função de cada elemento isolado para se conseguir enxergar o todo.

Por exemplo: cada vez que alguém usa spray de cabelo, aumenta-se a probabilidade de ocorrência de erupções vulcânicas e terremotos no planeta. Como? Simples: o spray de cabelo contém clorofluorcarbono (o famigerado cfc), que destrói a camada de ozônio, aumentando a incidência de radiação solar nas regiões polares, o que derrete o gelo superficial que ajuda a refletir a radiação solar de volta para o espaço, assim, o volume de água nos oceanos aumenta, o que eleva a pressão da água sobre as placas tectônicas e a pressão sobre o magma no interior da crosta terrestre, o que aumenta a chance de ocorrência de erupções vulcânicas, terremotos e tsunamis.

O único mundo que temos

Como exemplo mais prático de holística, temos a acupuntura, onde trata-se o corpo humano como algo íntegro e não compartimentalizado, ao contrário da medicina ocidental, onde, daqui a alguns anos, se trocará partes do corpo com a mesma facilidade com que se troca pneu de carro.

Outro exemplo é a economia mundial, onde uma burrada feita nos EUA faz com que paguemos o pato aqui no Brasil. E em dólar.

Uma visão holística do mundo é necessária neste início de século, onde a raça humana está começando a perceber que aqui se faz e aqui se paga, pois, apesar de vivermos em mundos separados, o planeta em que vivemos é o mesmo.

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