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Tecno trash

Por Jacques

O cinema hollywoodiano atual vem passando por uma fase um tanto quanto paradoxal, uma vez que os efeitos especiais chegaram a tal ponto que o limite do que deve ser filmado (ou criado) está apenas na imaginação do diretor.

Acontece que, em tempos de internet, em que a overdose de informação (na maior parte inútil) é a regra e o que ocorreu há um minuto atrás já é passado, os efeitos especiais, movimentos de câmera e técnicas usadas para atrair a atenção (como o ultrapassado “bullet time” e o “scroikchtch” do corpo humano sendo perfurado em C.S.I.) tornam-se tediosos de um filme para outro.

E qual a solução encontrada para isso?

Simples: Sobrecarregar o espectador com uma avalanche de efeitos gráficos e sonoros para que este não perceba o quanto o roteiro é ruim e os personagens centrais são superficiais e repetitivos.

Um bom exemplo disso é Transformers – A Vingança dos Derrotados, de Michael Bay, que arrecadou milhões  e faturou os Troféus Framboesa de Ouro de Pior Filme, Roteiro e Diretor.

A explicação para esta contradição é que adolescentes assistem qualquer coisa, basta haver perseguições, lutas inúteis, explosões, mulher bonita e final Scooby-Doo.

E o exemplo mais verdadeiro e escrachado de tecno trash é Avatar, de James Cameron (mais conhecido como Pocahontas 3D), que se tornou a maior bilheteria da história do cinema (o que não quer dizer absolutamente nada), conseguida com uma história mais do que batida (o retardado que se dá conta do que é e muda de lado) e efeitos especiais de última geração (seja lá o que for isso) aliados à  novas tecnologias de projeção, onde se filma o ator interagindo com os efeitos em tempo real, mais o IMAX (Imagem Maximum) e o 3D.

E as mensagens que Avatar tenta passar são dignas do filósofo John Rambo:

"Não é norte americano? MATA!"

“Os pobres imbecis não tem culpa de não serem norte-americanos!”

“Não destrua os recursos naturais de seu país! É para isso que existe o resto do mundo!”

Dizer que as novas tecnologias de visualização de filmes elevarão o nível do cinema pré-fabricado estadunidense é o mesmo que dizer que Domingo Legal e Fortaleza x CRB se tornarão assistíveis se forem vistos no último modelo de tv de tela plana.

A tecnologia por si só não quer dizer nada, é a forma dela ser usada e o conteúdo do material a ser exibido que conta, e, em matéria de efeitos especiais, menos é mais (Até rima!), como em Filhos da Esperança, de Alfonso Cuarón, e O Curioso Caso de Benjamim Button, de David Fincher.

O tecno trash é igual ao funk carioca: chegou para ficar, e cabe a nós ignorá-lo, pois a vida é curta demais para se perder com o que não vale a pena.

  1. Michelle Porto
    05/04/2010 às 21:08

    Caramba, você foi bem critico quanto a Avatar em ?
    Não sei se sabe, mas na net tem até um texto mostrando que Avatar é na verdade um novo Pocarrontas, se sacar de inglês vale a pena conferir o texto http://www.umtudo.com/avatar-pocahontas
    Esses filmes que você sitou, Transformers e Avatar, eu os classifico como pipoca… É aquele filme que você vai ao cinema assistir mas que não acrescenta nada na sua vida, é só por diversão mesmo, não são realmente para mudar o mundo e tal… Gostei do lance do Benjamim porque eu achei um dos melhores filmes que já vi, recentemente vale a pena conferir 7 vidas do Will Smith que é muito bonito também…
    A já ia me esquecendo tb tenho um blog mas de cinema, aparece lá qualquer hora. http://movietips.wordpress.com/
    Abraços

    • 10/04/2010 às 18:20

      Valeu, Michele,
      Eu simplesmente já perdi a paciência com estes filmes que fazem um estardalhaço e não te somam nada.
      Para mim, os filmes devem divertir e ensinar, ou provocar o questionamento e o senso crítico.
      Bem legal o teu blog, eu darei uma olhada melhor nele quando der.
      Até mais.

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