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E se Contatos Imediatod de 3º Grau fosse feito em 2010

Por Rafael

Contatos Imediatos de 3º Grau (Close Encounters of the Third Kind) é um filme de 1977, escrito e dirigido por Steven Spielberg, que conta a história de uma aproximação e “abdução concentida” alienígena. O legal do filme é que ele é um filme de suspense em si próprio. Explico: ele não é um romance com fundo de suspense, ele não precisa dessa artimanha pra ser sucesso.

Se ele tivesse sido produzido pelos anos 2000 seria assim:

O primeiro filme, sim, o primeiro, pois tendo o sucesso que teve, seria filmado um Contatos Imediatos 2 e, talvez, o 3, mas com outros artistas, quebrando toda continuidade… Como eu dizia, o primeiro filme começaria com a briga de um casal de uma jovem família. A briga seria sobre estresse no trabalho, como em todos os filmes estadosunidenses. O cara estaria abarrotado de trabalho e não teria tempo pra família, atendendo o Blackberry até no sagrado café da manhã de bacon com ovos. Ela, dona de casa, com uma criança no colo, caminha pela casa imensa e amplamente iluminada, de um lado para outro, juntando revistas e cartas pelo chão enquanto uma criança mais velha e um labrador destõem o jardim.

O protagonista não seria o feio Richard Dreyfuss. Isso não vende. Teria que ser algo como Ben Affleck e sua mulher a Jeniffer Garner mesmo. Eles dois brigam e o Ben sai pro trabalho irritado, deixando a Jenny chorando. No meio do caminho ele avistaria umas luzes, que o fariam parar o carro. Só que as luzes não queimariam o rosto de Ben, pois o Ben Affleck com a metade do rosto vermelha o filme todo não vende! Ele voltaria pra casa bem psicótico, confuso, distante, num show de representação desse ator. Jenny, como boa mulher, lhe afagaria e tentaria compreender, mas ele não consegue explicar nada e dorme.

No dia seguinte, ele descobre que sua mulher havia planejado passar um tempo na casa de sua mãe, até o clima se acalmar entre o casal. Ela não brigaria e fugiria da casa com as crianças ao ver o marido jogar terra pela janela da cozinha, surtando na frente dos filhos. Essa cena está toda errada. Surtar na frente dos filhos é politicamente incorreto. São crianças pequenas, ficariam chocadas com a cena. Fugir de casa raptando os filhos não se faz. É rápto, crime. Melhor sair pedindo um tempo (e permissão) ao marido. Ben Affleck surtando não poderia ser filmado, pois seu contrato não permite que sua imagem de “bom moço e herói” seja degradada.

Numa história paralela, uma jovem pintora, solteira e sem filhos (pois casada e com filho não vende) estaria pintando em sua mega-casa beira mar quando também avistaria as luzes e não pararia de produzir telas com uma estranha montanha. Ela não sabe o que é, mas não consegue parar de pintar.

Paralelo a isso, governantes do mundo inteiro estariam ligando pro presidente dos Estados Unidos, pois estariam recebendo misteriosos sinais de interferência em seus sistemas de comunicação. Não seria um problema local, do interior do EUA, seria mundial, que é muito mais chocante. O presidente dos EUA teria que slavar o mundo, acalmando os governantes e planejando uma estratégia para defender a Terra.

O presidente dos EUA não seria o Morgan Freeman, pois agora que o Barack Obama assumiu, perdeu a graça de mexer com o medo dos estadosunidenses de terem um presidente negro. O presidente seria um portorriquenho ou indiano.

Aquela cena mega-assustadora onde os ETs raptam o gurizinho, fazendo os móveis da casa tremer e o fogão elétrico e o aspirador de pó com lanterna embutida ligarem, aconteceria na casa da pintora sexy. Ela estaria pronta pra dormir, de shortinho e blusa branca e estaria chovendo, pra ter a clássica cena da gatinha toda molhada e assustada, desamparada.

De volta à Casa Branca, o presidente dos EUA sacaria que os sinais seriam coordenadas de ataque caso seu pedido não fosse cumprido e o pedido seriam voluntarios para ir com eles para seu planeta natal. Descobriria graças ao programinha de decodificação de voz que vem no brinquedinho de criança de seu filho mais novo. E ele não precisaria pegar um globo gigante de outra sala da Casa Branca, como no filme original, pois hoje tem Google Earth!

Ao final do primeiro filme teria que ter um gancho para o segundo. Não um gancho sutil, mas um bem escancarado, pois as pessoas não percebem mais sutilezas. Quando os voluntários estivesse entrando na nave alienígena um dos Ets acenderia uma luz vermelha nos olhos, com uma música de fundo bem misteriosa, acabando o filme logo em seguida.

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  1. 05/04/2010 às 22:16

    hauhauhua… adorei!
    poxa, como as coisas mudam para pior…
    presidente portoriquenho ou indiano é ótimo!
    gostei muito… parabéns… comparações exatas, pois hoje em dia é assim mesmo….
    valeu!

  2. anderson vieira
    27/05/2012 às 14:50

    (infelizmente) perfeito meu amigo….

    estou torcendo para que Prometheus seja uma exceção a maioria dos filmes feitos hoje em dia.

    parabéns pelo texto.

  1. 10/06/2010 às 08:27

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