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Alan Moore x Hollywood

Por Jacques

Ao se assistir os filmes adaptados a partir das hqs de Alan Moore fica-se com a mesma impressão que se tem ao ver-se Lula acenando com a mão esquerda: de que há algo faltando.

A saga das adaptações meia-boca das histórias de Alan Moore para as telas começa, coincidentemente, com um dos primeiros personagens que vieram a revelar o talento de Moore ao mundo: o Monstro do Pântano, que sob sua batuta, passou de um amontoado de musgo ambulante para um elemental indestrutível (uma espécie de Dr. Manhattan com escrúpulos) que dizia frases impactantes como:

“Idiotas, se a natureza desse de ombros, ou erguesse uma pálpebra… todos vocês seriam destruídos…”

Mas, nos filmes feitos para a tv Swamp Thing (infelizmente traduzido para “A maldição do Pântano” por algum tradutor que deveria morrer de unha encravada), de Wes Craven, e A Volta do Monstro do Pântano (Return of The Swamp Thing, agora sim!), de Jim Wynorski, e nos 72 episódios da série de tv Swamp Thing – The Series só faltou o coitado do Alec Holland usar uma calça roxa, ter um animal ajudante chamado Fungorila ou um parceiro mirim chamado Quiaboy ou Straw Barry (e um mascote chamado Morangotango) e repetir o refrão “Monstro do Pântano esmaga homenzinhos!”.

Na tela grande, a primeira adaptação das obras de Moore foi Do Inferno, de Albert Hughes e Allen Hughes, que foi bem apreciada pela crítica e pelo público, apesar do enxugamento da história.

Fato esse que se repetiu no filme A Liga Extraordinária, de Stephen Norrington, onde a imaginativa trama criada por Moore e desenhada por Kevin O’ Neill sofreu com a heroificação e simplificação dos personagens (um Allan Quatermain paizão, um Homem-Invisível certinho, um Mister Hyde chorão e uma Mina Murray comandando bat-pixels), o que foi feito visando-se aumentar a bilheteria.

A banalização do personagem também foi vista em V de Vingança, de James McTeigue, onde fica-se sabendo desde o início do filme que V é um homem, o que em nenhum momento  é revelado na sóbria hq ilustrada por  David Lloyd.

Os Simpsons parodiando a banalização da obra de Alan

E, na adaptação de Watchmen, que é considerada uma das hqs mais influentes de todos os tempos, feita pelo viciado em bullet time Zack Snider, não poderia ser diferente: o final foi modificado, trocando-se a criatura-polvo geneticamente engendrada e a montanha de corpos por uma cratera gigantesca provocada por uma devastadora explosão energética supostamente causada pelo Dr. Manhattan (como se ele não pudesse desintegrar o Sistema Solar inteiro com um simples pensamento), mais estética e menos repulsiva.

Repulsa esta que Alan Moore deve ter sentido ao assistir (e odiar) V de Vingança, pois foi logo após o lançamento deste filme que ele entrou na Justiça para que retirassem o seu nome dos créditos dos filmes baseados em sua hqs.

Alguns até podem dizer que ele fez isso para aparecer ou para passar uma mensagem tipo “Esses filminhos mequetrefes jamais chegarão aos pés de minha magnífica obra…”, mas acho que ele fez isso para deixar claro que os filmes não são SUA obra, já que, fatídica e inexoravelmente, eles sairão muito mais fracos do que suas hqs.

Hqs estas que abriram caminho para a criação do selo Vertigo (onde surgiram hqs imperdíveis como Sandman, Preacher, Hellblazer, Fábulas, WE3, Transmetropolitan, Os Invisíveis, 100 Balas, Ex Machina, Y – The Last Man) e de mais um sem-número de hqs adultas de qualidade indiscutível.

E muitas pessoas que nunca ouviram falar destas hqs podem vir a se interessar por elas através dos filmes baseados nas histórias de Alan Moore.

Só isso já faz os filmes valerem a pena.

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