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A Marvel divã (e a DC também)

Por Rafael

Assiti a uma palestra do psiquiatra Nei Guimarães Machado na Sociedade Sigmund Freud, aqui em Pelotas, sobre os heróis dos quadrinhos à luz da psicopatologia.

Fã dos quadrinhos que surgiram nos anos 40, Nei Machado mencionou uma dezena de figuras heroicas, passando pelas biografias deles, suas façanhas, inimigos e traços patológicos ou do desenvolvimento psíquico. Observou que os traumas de infância são decisivos na aparição de certos “heroísmos”, as vinganças e até de patologias mentais.

A bipolaridade do Super-Homem (triste versão do ideal de Nietzsche) e a do Incrível Hulk (reedição do Médico e o Monstro) contrastam com a falta de superpoderes do esquizoide Fantasma.

O Capitão América teve um sentido político durante a Segunda Grande Guerra: no número 1 da revista – relatou o palestrante – “o marmanjo aparecia dando uma sova em Adolf Hitler”, vilão da realidade, muito recordado como personificação de desajuste mental e social. Chaplin representou esse conflito, mais elegantemente, no filme “O Grande Ditador”.

Sobre o Homem-Aranha, o dr. Machado escreveu em 2002 – quando saiu o primeiro filme – que se tratava de uma simbolização do despertar sexual da adolescência (leia o artigo). Por outro lado, Batman tem características depressivas, paranoides e homossexuais. A Mulher Maravilha representa a liberação da mulher nos anos 60, e assim por diante.

Os diversos super-heróis podem ter significados políticos – construídos com diversas características de anormalidade mental ou com superpoderes simbólicos (as cores americanas no uniforme do Super-Homem) – ou simplesmente psicológicos, com a idealização ou exagero de traços de personalidade ou de momentos do desenvolvimento humano. O mesmo pode ocorrer nos personagens dos contos, dos quadrinhos, da TV e do cinema.

Na palestra ele também comentou sobre dois livros muito interessantes: Psicanálise dos Contos de Fadas, de Bruno Bettelheim, Ed.Paz e Terra, São Paulo (ao qual tive acesso e é muito interessantes) e Fadas no Divã, de Mário e Diana Corso, Ed. Artmed, Porto Alegre.

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  1. Domênico
    30/05/2010 às 19:56

    Ah, os psiquiatras… sempre tentando dar sentido à todas as coisas, à luz do herr Freud…

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