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O Homem que Copiava… E não aprendia quase nada com isso

Por Jacques

Em uma entrevista, o talentoso diretor e roteirista Jorge Furtado (Houve Uma Vez Dois Verões, Meu Tio Matou um Cara, Saneamento Básico – O Filme e o excelente curta-metragem Ilha das Flores, entre muitas outras mini-séries e especiais para a tv) contou que André, o personagem de Lázaro Ramos no seu inspirado filme O Homem que Copiava, foi criado a partir do hábito que muitos jovens (e não apenas eles) de hoje em dia tem de entrarem em diversos sites ao mesmo tempo, darem uma olhada rápida em cada um deles e não tirarem nenhuma lição realmente proveitosa disso .

Acho que, pelo fato de a internet ser uma relativa novidade, muitas pessoas ainda agem como criança em loja de doce, preferindo a quantidade à qualidade e usando a rede para assistir (ou produzir) o vidiota da semana, xeretar sobre a vida dos outros, participar de “redes sociais” inúteis (como “Quantas vezes você coçou o nariz hoje?” ou “Quantas vezes você usou a tecla Enter hoje?”), discutir o que é “melhor”: o SBT ou a Record (Quem me dera fosse piada… Acho que estas “pessoas” se auto-denominam “SBTapados” e “Recordementes”, mas não tenho bem certeza disso), fazer parte das guerrinhas ridículas do tipo “Eu twittei primeiro, viram?”(como se informação fosse sinônimo de conhecimento) ou passar horas e horas perdendo tempo em algum jogo on line onde o objetivo é passar de nível para passar de nível para passar de nível (literalmente) para o resto da vida.

Em resumo, bobagem pura e simples.

E esse é um dos motivos de se dizer hoje em dia que “os 30 são os novos 17”, pois até pouco tempo atrás, quando um jovem fazia algo extremamente idiota (como, por exemplo, vestir-se de abacaxi nas horas vagas), todos à sua volta lhe chamavam a atenção, ele/a então parava, pensava por algum tempo, se dava conta da bobagem que estava realizando no momento e mudava de atitude.

Acontece que, atualmente, quando o mesmo acontece com algum adolescente, ele/a, ao invés de mudar sua atitude, resolve criar uma comunidade no Orkut, onde fica conhecendo muitos outros com a mesma opinião (ou falta dela) equivocada, e continua o/a mesmo/a mané superficial  e infantilóide de sempre.

Usar, não exagerar

Não há crescimento sem sofrimento. Há um ditado oriental que diz “O bambu se verga, mas não se quebra”, pois, de tempos em tempos, ele forma nós que tem a função de manter a integridade do caule e, assim, evitar que este se quebre facilmente com o vento.

Na formação destes nós o bambu despende tempo e energia; e é assim que devemos proceder, temos de avaliar nossas ações, opiniões e crenças periodicamente para que isto nos torne seres humanos melhores.

Ou crescemos internamente, ou passamos o resto da vida repetindo frases idiotas e descabidas como “Porque duzentas mil pessoas não podem estar erradas!” ou “Eu sou fã do Fulano/a porque ele/a é famoso/a!”, que não querem dizer absolutamente nada.

A internet nada mais é do que uma ferramenta, e elas não trabalham sozinhas. Da mesma forma que um lápis pode ser usado para ensinar alguém a ler e, assim, mudar sua vida, também pode- se usar este mesmo lápis para se fazer múltiplos orifícios no pescoço desta mesma pessoa, o que também mudaria sua vida.

Em O Homem que Copiava, André, apesar de aprender pouco lendo os livros e revistas enquanto os copia, procurou utilizar de forma positiva e criativa aquilo que aprendeu (no caso dele, enganando seu perseguidor e fazendo com que este viesse a se tornar algo parecido com uma almofada de alfinetes).

E esta é a melhor forma de lidar com a internet, utilizá-la para adquirir sabedoria.

Ou passar o resto da vida orgulhando-se de sua própria mediocridade.

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  1. 04/07/2010 às 17:31

    Cara, isso é mais ou menos o que explica minha frustação quanto à Wikipédia, num dos meus primeiros e polêmicos posts. Com a Wikipédia, ninguém mais diz “não sei”. Todo mundo sabe tudo sobre tudo, da biologia à física quântica, do cinema às tragédias gregas.

    Quando a gente tinha o blog da Liber Ludo, eu fiz uma grande pesquisa para explicar o ginásio Johto da Liga Pokémon que ocorreria na loja e fiz um post. Tempos depois encontrei o post copiado em 3 blogs, inclusive com frases como “isncreva-se no balcão da Liber Ludo com o Rafael”.

    Texto grande a gurizada nem lê. Não dá tempo. Só dá pra correr os olhos em cima…

    • Jacques
      05/07/2010 às 18:00

      Pois é, Rafael,
      Nesta mesma entrevista que eu citei no texto, Jorge Furtado diz que livro é como remédio: não adianta nada se não for engolido.
      E é esse um dos grandes problemas dos jovens de hoje; eles tem acesso ao conhecimento, mas não aproveitam isso.
      Vai entender…

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