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Deus na Terra: regressão de 7000 anos

Por Rafael

Desde a formação das primeiras sociedades primitivas, há uma forte ligação entre “direito” e religião. Não um direito que remete à justiça, mas um direito arcaico, que estipula garantias e deveres – muito mais deveres que garantias. Esse “direito arcaico”, imbuído de sanções rigorosas e repressoras, permitia que sacerdotes-legisladores fossem a principal fonte de legislação e regramento.

O receio da vingança dos deuses fazia com que tais regras fossem respeitadas rigorosamente. Henry Summer Maine[1], já citado em meu outro texto sobre a influência religiosa em nossas percepções, categoriza nossa evolução normativa em 3 grandes estágios: o direito que provém dos deuses, o direito confundido com os costumes e o direito identificado com a lei.

Durante a fase do direito ligado diretamente aos deuses, por volta de 3000 a.C., o Egito dependia do Nilo. A coroação de um novo faraó era muitas vezes adiada até que um novo início do ciclo da natureza recomeçasse. As cheias do Nilo eram previsíveis e estáveis e, sendo os povos egípcios politeístas, era muito comum a ligação entre as divindades e os fenômenos da natureza.

Conforme Cristiano Pinto[2], “a regularidade dos ciclos das águas do Nilo trazia, aos habitantes do Egito antigo, uma sensação de continuidade, de evasão da passagem do tempo, que acabou por ser associada a um rito de imortalidade: o culto a Osiris”. De 3100 a.C. a 30 a.C. (início do domínio romano) consolidou-se um poder central bem definido na figura do faraó, cuja realeza nunca foi posta em questão por quase 3000 anos.

Consagrou-se no Egito que o faraó não era simplesmente um representante divino na Terra. Ele era o próprio deus! O rei, chamado faraó (per-aa: “grande casa”, “palácio”) era um rei-deus, um presentante. Conforme uma das obras mais antigas da literatura, a ode fúnebre intitulada “Textos das pirâmides”, “o rei dá ordens, o rei concede dignidades, o rei distribui funções, o rei dá oferendas, o rei dirige as oblações – pois tal é, de fato, o rei: o rei é o único do céu, um poderoso à frente dos céus”.

Toda essa introdução escrevi para fazer ligação a uma interessante frase escrita na fachada da Igreja Universal do Reino de Deus daqui de Pelotas: “Aqui invoca-se o deus vivo”. Percebe-se nitidamente o poder que tem um pastor perante seu rebanho. As próprias palavras “pastor” e “rebanho” já remetem a julgo e submissão.  A fé cega se submete à regra de “quem gritar mais alto leva”.

Teremos outros 3000 anos de poder inconstável? Não questiono aqui a religiosidade ou a fé de cada um, mas o poder que alguns adquirem manipulando-as. “Aqui invoca-se o deus vivo” é muito mais que uma mera “frase de efeito marketeira”, remete a um poder infinito, incontendível e infundado a um brazagal. Se o próprio deus ministra a seita, quem há de questionar?

 

[1] SUMMER MAINE, Henry. El derecho antiguo. Madrid: Alfredo Alonso, 1893.

[2] PINTO, Cristiano P. A. Direitos e sociedade no oriente antigo. In WOLKMER, Antônio Carlos. Fundamentos de história do direito. 2ª. Ed. rev. ampl. Belo Horizonte: del Rey, 2004.

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  1. Marco
    24/08/2010 às 17:40

    mtos são os livros escritos pelo homem, movido pelo espírito satânico, no intuíto de macular a Verdade de Deus. Esses livros citados concertesa são exemplo da obra de satã.Deus diz em eclesiástes 12:12: “De se fazer muitos livros não há fim, e muita devoção a eles é fadiga para a carne”.

    Glória a DEUS!!!!

  2. Edson Júnior
    28/08/2010 às 10:24

    heeheheh

    Comentário nenhum pouco fanático ali em cima…

    Muito bom o blog, parabéns!

  3. 01/11/2010 às 14:49

    Rafael,

    1) legal o seu blog. Parabéns!!!
    2) microsoft, dona do poder, acabou com o Spaces e nos mandou para cá e ai tive a oportunidade de ver bons blogs, bem legais, como o seu;
    3) http://viannamar.wordpress.com/

    abraços,

    Marcos

  4. 01/11/2010 às 14:51

    Rafael,

    esqueci de falar do seu texto, você está certo. As pessoas usam o nome de Deus em vão e tiram poder do povo humilde e assim desde o inicio dos tempos.

    Este Pastor Mané e esta igreja tambem, deveriam saber que está em cada um.

    Mais uma vez Parabéns!!!

    Abraços – Marcos

    http://viannamar.wordpress.com/

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