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Tormenta RPG

Entre os vários cenários de RPG um que merece destaque é o Tormenta, por ser uma criação nacional e bem sucedida dos autores Marcelo Cassaro, JM Trevisan e Rogério Saladino.

Naturalmente ele recebe muitas críticas, afinal cada jogador de RPG tem suas próprias preferências, e nesse pequeno artigo vou dar minha opinião sobre o assunto e não vou citar eventos do cenário para evitar spoilers.

Lançado 11 anos atrás como um brinde acompanhando a revista Dragão Brasil número 50, o mundo de Arton surgiu como um apanhado de matérias de edições anteriores compiladas e organizadas sem grandes pretensões, como muitos falam ele era uma “colcha de retalhos”, ainda assim foi um grande sucesso.

Durante anos os maiores defeitos do Tormenta em minha opinião foram a grande quantidade de “buracos” na descrição do cenário gerados por sua origem, e o fato de sua cronologia e tramas de cenário avançarem muito pouco.

Com o passar dos anos esse quadro foi mudando, a excelente história em quadrinhos Holy Avenger de Marcelo Cassaro contribuiu muito para história de Arton e amarou diversas pontas soltas de Tormenta.

Mais tarde veio uma ótima trilogia de livros escritos por Leonel Caldela que não só avançou a cronologia do cenário como conectou a maior parte das pontas soltas restantes trazendo muito mais coesão ao mundo de Arton, avançando tramas importantes do cenário.

Sempre gostei do Tormenta, mas na edição atual lançada pela editora Jambo ele se tornou bem mais interessante e muito mais coeso, embora ainda tenha coisas que me desagradem como os elfos emos e alguns outros detalhes, mas admito que ai seja mais uma questão de gosto pessoal.

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  1. 04/10/2010 às 11:56

    Eu gosto bastante do cenário. Sempre rola um preconceito por ser um produto brasileiro e não gringo, mas o cenário é interessante. Eu contestava a maneira que eles empurravam o Tormenta goela abaixo pra gente. Um dos motivos de eu ter parado de comprar a DB foi a “falta de interesse” da revista pelos inúmeros sistemas.

    No início comprava a DB pra ter mais aventuras pro Hero Quest (quando surgiu o Mestre Arsenal), depois joguei Gurps e, por fim, o auge do Vampiro: a máscara. Naquela época a DB se dedicou um monte ao sistema e eu curti muito.

    Meu problema foi não ter conseguido acompanhar a onda manga/anime, eu acho. Quando começou a aparecer Tormenta na DB fui torcendo o nariz.

    O legal no sistema todo é que os caras conseguiram fazer o que muito nerd (até eu) tentou: criaram um cenário e conseguiram reconhecimento.

    Como disseste no teu texto, o cenário tem furos, que talvez tenham sido deixados pra depois, pra serem tapados em expansões. O que me incomoda são os remendos…

    O cenário é criativo, de fácil entendimento e acessível (quando a Liber Ludo era aberta, vendíamos quase todo dia um exemplar – muito longe dos famosos D&D e Vampiro que, quando muito, vendíamos 1 por mês). Mas ganhou fama de forma apelativa, sendo empurrado pra um público gigante e fiel de leitores da DB num período de difícil acesso aos livros de fama internacional. Foi uma grande jogada, mas poderia ser melhor aproveitada.

    Talvez a falta de aproveitamento seja por falta de tempo. Eu mesmo tenho umas boas ideias, mas me falta tempo e a preguiça abunda. Uma coisa é ser pago pra criar, outra é criar no tempo que sobra entre os estudos e o trabalho. Sempre acompanhei a seção de cartas da DB e via os inúmeros projetos que os caras estavam envolvidos, tornando-os incomparáveis aos escritores/criadores de grandes empresas como a Wizards of the Coast.

    Apesar de tudo, eles fizeram um bom trabalho. Joguei pouco no cenário, mas foi fácil e divertido. É ótimo pra quem tá começando, pois tem apelo.

    • Fábio
      04/10/2010 às 13:06

      É bem isso Rafael, e agora que está na Jambo o Tormenta deu um grande pulo de qualidade, o que era de se esperar considerando a competência deles.
      E como comentei a hq e principalmente os romances taparam a maioria dos buracos de formas bem interessantes.

  2. 04/10/2010 às 18:19

    Eu não gosto de Tormenta. Nunca gostei. Comprei fielmente a Dragão Brasil pelos mesmos motivos do Rafael (Hero Quest, GURPS, Vampiro… Aventuras prontas sempre são bem vindas, coisa e tal), e sempre achei o Cassaro, o Saladino e o Trevisan bons escritores, com idéias interessantes. Mas também acho que são idéias interessantes E distintas. Horror, mangá e codigo de cavalaria simplesmente não funcionam juntos. Abomino o mundo colcha-de-retalhos que a Tormenta traz, com samurais sem daimios, piratas limpinhos, bárbaros imperialistas e romanos zoófilos, todos convivendo juntos, de mãos dadas, felizes e todos em guerra uns com os outros! Além do cenário simplesmente não fazer sentido nenhum em termos culturais, ainda por cima ele tem aquela cara de anime, que pra mim, mais do que uma tendência de mercado, é muito mais incompetência de desenhistas (já fiz críticas pesadas á essa capa da Tormenta, com duas personagens cheias de erros anatômicos e uma enganação fotoshópica por fundo, e minha resposta [vinda do próprio Trevisan] foi simplesmente “ok, mas a gente gosta!”, o que prova que eles próprios sabem que está mal feito, mas simplesmente não se importam).
    Se não fosse pelo Leonel Caldela, que teria salvo até o argumento do Spawn, visto que é um excelente escritor, ainda teriamos um mundo completamente sem nexo nem plexo, sendo mais vendido simplesmente porque os caras da Dragão Brasil souberam aproveitar o mercado de uma maneira decente.

    • Fábio
      04/10/2010 às 18:56

      Pois é Domênico, na verdade concordo com seus argumentos, ainda assim já conseguia gostar do cenário antes mesmo do Leonel, apesar de sempre ter tido consciência do monte de defeitos que ele tinha. Possivelmente por um fator sentimental, ele foi o primeiro cenário de AD&D que eu tive! Sim o livreto original também tinha regras para AD&D, pois era oficialmente um brinde e não um produto visando lucro XD

      O Tormenta parece ainda estar longe do ideal, mas melhorou muito, muito mesmo, porém antes de lançarem um novo suplemento focado no cenário (o módulo básico novo é quase só regras) não posso dar uma opinião mais embasada.

      E sobre a arte também concordo com você.

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