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Thor – Um deus entre os heróis

Por Jacques

A versão super-heróica de Thor, denominada de O Poderoso Thor, foi criada em 1962 pelo penetra de filmes heroísticos Stan Lee e o mago dos quadrinhos Jack Kirby, e, de lá pra cá, mostrou ser tão imortal quanto o deus nórdico que lhe deu origem.

Originalmente, Thor era apenas a versão anabolizada de Donald Blake, um cirurgião deficiente físico que encontra um cajado em uma caverna, e, ao golpeá-lo no chão, transforma-se no Deus do Trovão, mantendo sua personalidade intacta no processo.

Com o tempo foi revelado que Don Blake era uma espécie de castigo imposto por Odin, para que Thor viesse a aprender a ser humilde, e assim, digno do imenso poder que carregava.

Poder esse, no mínimo, considerável…

Além da força, resistência e reflexos asgardianos, o martelo encantado (Mjolnir, feito do metal místico Uru e forjado por Eitri, soberano dos Anões de Nidavellir) lhe permite conjurar ventos e tempestades, lançar raios, abrir portais para diferentes dimensões e também permite a Thor voar de uma das formas mais toscas que existem: ele arremessa o martelo no ar, o agarra pela alça e vai de carona.

Teoricamente, Mjolnir só pode ser erguido e manuseado por seres dignos e por seres desprovidos de vida, como robôs e simulacros animados, a quem a restrição não se aplica.

Ciente de sua identidade e responsabilidade, Thor voltou a Asgard e reassumiu seu papel como Deus do Trovão e se proclamou protetor da Terra, ou, como ele mesmo chama, Midgard (“Terra Média”, no dialeto nórdico, pois ficava no meio do caminho entre Asgard, a Morada dos Deuses, e o Niflheim, que seria uma espécie de Inferno nórdico), sempre auxiliado por seus aliados, como os Três Cavaleiros (Hogun, Fandral e Volstagg), Balder, o Bravo, o valente Heimdall, (guardião da Ponte Bifrost ou Ponte Arco-Íris) e a outrora amada de Thor, Sif.

Thor x Bill Raio Beta

Pois foi assim que teve início sua saga super-heróica, onde ele foi um dos membros fundadores dos Vingadores, ao lado de Vespa, Homem-Formiga, Hulk e Homem de Ferro.

Desde então Thor passou pelos altos e baixos que todos os super-heróis de gibi têm de conviver em suas carreiras; para a sorte dele, no início da década de 80, o talentosíssimo Walter Simonson (aquele de Star Wars no gibi do Hulk, lembram?) assumiu sua revista e conseguiu tirá-lo da obscuridade em que estava (semelhante ao que George Pérez fez com a Mulher Maravilha, Allan Moore com o Monstro do Pântano e a dupla Chris Claremont e John Byrne com os X-Men), reaproximando Thor de suas origens míticas, criando histórias dignas do rol das lendas e introduzindo personagens ímpares, como o demônio Surtur, o Elfo Negro feiticeiro Malekyth e Bill Raio Beta (que, após dar uma surra inesquecível no filho de Odin, se tornou um segundo Thor) e sua nave senciente, Ferocímea.

Infelizmente, após a saída de Simonson do título, nenhum roteirista conseguiu sequer chegar perto de suas inesquecíveis sagas; isso só foi feito neste século, com J. Michael Straczynski, que, ao lado do original ilustrador Olivier Coipel, resgatou, literalmente, Thor do limbo (livrando-o e os demais asgardianos do ciclo de morte e ressurreição do Ragnarok) para viver aventuras épicas em uma Asgard realocada para o Meio Oeste norte americano, Loki na forma feminina (o que só o deixou mais recalcado do que o normal), Don Blake fazendo parte dos Médicos Sem Fronteiras, Jane Foster (antiiiiiigo amor de Thor) de volta ao cenário e a volta de inimigos clássicos de Thor, como a serpente Jormungand.

Ano que vem sai o filme Thor, dirigido por Kenneth Branagh (o vilão Airliss Loveless, do infame As Loucas Aventuras de James West, de Barry Sonnenfeld), e com Chris Hemsworth no papel principal; se conseguirem criar um Thor e uma Asgard convincentes e tiver, pelo menos um quebra pau com o Destruidor, já vai valer a pena.

Thor de Olivier Coipel

Mas com Anthony Hopkins como Odin, acho que a probabilidade de o filme sair ruim é a mesma de os apresentadores de programas de futebol da Band ou da Tv Gazeta conseguirem ficar mais de cinco minutos sem falarem no Corinthians.

Ou seja, mínima.

Seja deus ou herói, Thor é um personagem icônico, caracterizado pela sua relativa ingenuidade, eterna inadequação ao mundo moderno, compaixão, nobreza, senso de honra e amizade, bravura, selvageria em combate e abnegação somada ao senso de dever.

Acho que é por todas estas razões que ele consegue sobreviver ao tempo e detonar seus maiores inimigos.

Incluindo-se entre estes, é claro, os maus roteiristas.

  1. 14/10/2010 às 15:30

    bem legal o texto, não conhecia a fase do straczinsky( que não é um escritor do qual sou muito fã), mas fiquei com vontade de ir atras.E, pela aposta arriscada de adaptar o universo marvel para o cinema, com a mistura de ciência e magia que pode ficar estranho pra caramba, o filme do thor é a adaptação que mais estou animado de assistir ano que vem. gostei das armaduras que geraram polêmica, e do video que vazou na internet. mas dava pra ter sido mais lisonjeiro com o diretor(que também fez o frankenstein de mary shelley e adaptações bacanas do shakespeare) e omitir esse detalhe do “james west”hein? rsrsrsr.

    • Jacques
      18/10/2010 às 17:00

      Pois é, meu caro,
      Eu não assisti a nenhum filme dirigido pelo Brannagh, e só escrevo sobre aquilo que vejo ou leio.
      Concordo que não é um filme fácil de fazer, o que deve ter sido um desafio interessante.
      E o Thor merece um bom filme.
      Abraços.

  1. 08/11/2010 às 08:06
  2. 30/01/2011 às 20:04
  3. 28/10/2011 às 14:22
  4. 30/04/2012 às 18:56

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