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O personagem sabe o futuro… E agora?

Por Jacques

O possível conhecimento dos acontecimentos futuros é um dos desejos mais antigos do ser humano e um dos temas mais instigantes e intrigantes da ficção.

Não são raros os filmes em que um ou mais personagens adquire/m conhecimento sobre eventos que ainda não ocorreram; o problema é o que ele/s fará/ão depois disso.

Um dos mais conhecidos deles, por se tratar da dupla Tom Cruise e Steven Spielberg, é Minority Report – A Nova Lei, em que as pessoas são presas por aquilo que farão em um futuro bem próximo.

 Com toda a certeza não é certo se prender alguém sem que esta pessoa tenha cometido algum crime, mas se ao se fizer isso se puder impedir a morte de um ou mais inocentes, como é que fica?

Sem dúvida, este é um assunto controverso, e, felizmente, fictício.

No filme, o personagem de Tom Cruise resolve acabar com o Departamento de Pré-Crimes quando descobre que os futuros previstos pelos pré-cogs variavam entre si.

Ou seja, o futuro aqui é uma probabilidade, e não uma certeza.

Em O Pagamento, do insuportável John Woo, a imitação de ator Ben Afleck interpreta um projetista que, para ser impedido de vender o que criar para outras empresas, tem parte de sua memória apagada. O que acontece é que ele cria uma máquina perigosa demais para existir e resolve enganar a si próprio para que destrua essa máquina.

 A ideia passada pelo filme é que é perigoso demais para qualquer ser humano ter conhecimento do futuro.

Já em O Vidente, de Lee Tamahori, o também talentosamente desprovido Nicolas Cage interpreta um mágico que tem a capacidade de ver até dois minutos de seu futuro, e utiliza isso para ganhar dinheiro. Nada de errado até aí, o problema surge quando uma agente do FBI resolve usá-lo para tentar rastrear uma bomba atômica escondida em algum lugar de Los Angeles.

Fingir te amar, eu? Não sou tão bom ator assim...

Acontece que, na presença da bela Jessica Biel, ele pode prever bem mais do que apenas dois minutos, talvez por ela fazer parte do seu “futuro principal”, por assim dizer.

Ele então resolve prever algumas horas no futuro para tentar encontrar a linha de ação mais acertada para achar a bomba e deter os terroristas.

Os filmes anteriormente citados foram baseados na obra de um dos maiores escritores de ficção científica de todos os tempos, Philip K. Dick, que soube explorar esse tema incrivelmente fascinante e versátil como ninguém.

Na previsivelmente decepcionante adaptação Watchmen, de Zack Snider, o Dr. Manhattan (que teve algumas de suas melhores frases, como “Todos nós somos marionetes, a diferença é que eu posso ver os cordões” e “O tempo é como uma jóia em que os humanos insistem em enxergar apenas uma face” suprimidas) enxerga passado, presente e futuro simultaneamente, e simplesmente não se importa com o destino da raça humana, pois ele já passou deste estágio.

O interessante é que ele afirma que o futuro não pode ser alterado, ou seja, é como se a eterna questão do “E se…” não passasse de retórica.

Acreditar nisso implica em crer que o livre arbítrio simplesmente não existe, o que é uma bela desculpa para se fazer besteira a vida toda.

Não, obrigado.

Uma variação do tema aparece naqueles filmes em que o personagem fica preso em um looping temporal contínuo (onde o dia fica se repetindo e apenas o personagem principal sabe disso), como o que acontece com Bill Murray no divertido Feitiço do Tempo, de Harold Ramis (parceiro dele nos Caçafantasmas), e no entediante Meia Noite e Um, de Jack Sholder.

Parte do fardo de se ser humano é não se ter como saber o que o futuro trará, e, pelo menos na ficção, podemos imaginar o que faríamos se soubéssemos o futuro.

Mas o que acontece é que não temos como saber se esse conhecimento, mesmo usado com boas intenções, poderia ocasionar uma tragédia maior do que aquela que se tentou evitar.

Futuro? Isso não existe...

Como disse Apolonius, em As Sete Caras do Dr. Lao, de George Pal, “O futuro é absurdo até tornar-se passado”.

Tudo o que podemos fazer é aceitar que o futuro é uma incógnita, tentar fazer o melhor possível e lidar com as consequências de nossos atos, sejam elas boas ou ruins.

O que não é nada fácil, e, na maioria das vezes, não parece nem um pouco justo.

Mas é assim que funciona.

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