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Da série desenterrando cacarecos: Coleção Mandrake

Por Fábio Ochôa

Sempre quando almoço sozinho no centro acabo comprando alguma coisa para ler, ou algum magazine de banca, ou vou em algum sebo garimpar algum gibi de 3, 4 reais, ou algum livro baratinho para deglutir junto com o almoço e no sol enquanto dura o intervalo.

Numa destas empreitadas achei uns exemplares da Coleção Mandrake, uma série que republicava as primeiras aventuras do nosso mágico bigodudo, nunca fui um grande fã dele, nem quando criança, mas de qualquer maneira, comprei a revista (R$ 2,00 cada exemplar, sebos são uma maravilha).

Historinhas básicas do Lee Falk, com nosso Mister M dos anos 30 e seu –aham- criado, Lothar, num estereótipo pra lá de racista, trombando com problemas e ajudando inocentes por aí, o que mais me chamou a atenção foi um vilão que aparece em uma das edições, chamado Cobra, que é a semelhança cuspida e escarrada ao bom e velho Doutor Destino, da Marvel.

Duvidam? Olha só: máscara de metal e túnica medieval? Confere. Inveja do herói, desde o tempo que ambos eram os estudantes mais brilhantes da escola de magos? Confere. Rosto deformado em um acidente e culpa o herói por isso? Confere.

Ah, Stan Lee, seu velho levado, andou copiando o velho Lee Falk, né? Só porque ele é uns 30 anos mais velho achou que ninguém ia se lembrar, é? Nunca ouviu falar de republicação, não, é?

Se bem que se a gente for parar pra pensar, vamos perceber também que o Doutor Estranho é também a cópia cuspida e lisergicamente escarrada do Mandrake, e pensar que meu pai me dizia isso quando eu era criança e eu ficava puto com ele.

Ah, Stan Lee, Stan Lee, seu velho maroto…

É curioso também que na minha geração e na anterior, acho que todo mundo leu algum dia Fantasma e Mandrake. E Tex também, que tem até hoje em banca, embora eu nunca tenha visto ninguém comprar Tex. Comprador de Tex é uma coisa meio lenda urbana do mundo nerd, uma coisa meio loira do banheiro.

Será que os editores de Tex também ganham por quilo de papel impresso e não por venda? É, isso faz algum sentido, pequeno gafanhoto…

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Categorias:Entretenimento
  1. 01/11/2010 às 19:22

    ha! mas eu vi com meus próprios olhos um senhor procurando por um volume do tex. mas não comprando. a distribuição estava atrasada e não havia chegado o que deixou esse fã de tex furioso com a moça da banca. mas vai saber se não foi um caso de marketing da editora, rs.
    agora, falando sério, dos fumetti gosto muito de mágico vento e de j.kendal, que parece que foi cancelada mesmo..
    abraço.

  2. 03/11/2010 às 08:34

    Bah, já tentei ler Tex. Meu pai lê! Ele até compra em banca, mas quando não tem ninguém vendo… Tex chama atenção dele, pois era o que tinha de legal na TV quando ele era criança: o bang bang. Eu não curto bang bang, pois fico puto com essa ideologia americana de fazer uma propaganda boa, mesmo de coisas ruins. Já meu pai lê por nostalgia e esquece a ideologia.

  3. Fábio Ochôa
    03/11/2010 às 11:08

    Eu também não gosto de bang bang e meu pai adora, deve ser coisa de geração, sei lá.
    Ainda assim, Blueberry é um dos meus 5 gibis favoritos, e no cinema, pelo menos uns 12 faroestes eu considero umas putas duma obra-prima, tá aí Os Imperdoáveis, Rastros de Ódio, Meu Ódio será tua Herança, os filmes do Leone, O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, para não deixar eu mentir.
    Contradição é o que há.

  4. 03/11/2010 às 21:25

    Filme de bangue-bangue é o que há! Eu acho absolutamente fantástico, principalmente os spaguety western!
    Heróis duróes, que sabem o que é ser um herói – If you whanna shoot, dont talk! – e têm colhões pra provar isso! Nada de personagens emotivos e chorões, ou garotinhos com super-poderes, como tá na moda. Herói que é herói manda bala nos canalhas usando uma lápide como dedo indicador depois de ter sido torturado até quase a morte – Django neles!

    “Ah, mas eles vendem uma imagem idealizada dos americanos, e matam os indizinhos bonzinhos!” Se os indios tivessem bolas, pra começo de conversa, não tinham sido exterminados (feio, Domênico)! Além disso, se o sujeito realmente acredita naquilo que que aparece em filme, então é muito mais perigoso assistir um Crepúsculo da vida do que Por um Punhado de Dólares!

    Tex só não é tão bom quanto um filme de bangue-bangue porque não tem o timming dos filmes, e isso, amigos, faz toda a diferença num tipo de história sobre caras com pintos – digo, revolveres! – mais exercitados do que cérebros!

    Em suma: Filme de western é uma boa ficção, pra desligar e aproveitar, não pra discutir no boteco com os amigos. Têm boas cenas, excelentes tiradas, e lembram a gente que, em algum lugar, houveram homens que sabiam como ser homens – estou me referindo aos sets de filmagem, que fique claro!

    • 03/11/2010 às 21:27

      O mais engraçado é que de toda essa historia do Mandrake x Stan Lee, só se aproveitou a mísera passagem sobre Tex…
      Acho que todo mundo já sabe que o Stan é um velho safado, e isso já ficou meio sublimado, mesmo… Ninguém dá mais a menor bola!

  5. Fábio Ochôa
    04/11/2010 às 14:54

    E eu achando que multidões ao redor do mundo estavam só esperando uma palavra minha para matar o velho…

  6. 05/11/2010 às 04:57

    Eu conheco um comprador e colecionador de Tex. E um cara meio “estranho” aqui de onde o Judas perdeu o toba, e sei que faltam menos de 10 exemplares p completar a colecao.

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