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Groo – O mais engraçado dos bárbaros

Por Jacques

Junte o q.i. de um caruncho de plástico, a paciência do Taz, o discernimento de uma britadeira, a lógica de uma avestruz lobotomizada e a perspicácia de um giz de cera com um voraz apetite por queijo derretido e combates sem sentido (ou, como ele mesmo chama, “pelejas”).

Some um bom coração a tudo isso (o que, infelizmente, não é suficiente para manter a integridade física de quem o acompanha) e teremos Groo, o mais atrapalhado, sonso e divertido bárbaro que já apareceu nas hqs, em todo e qualquer Universo.

Originalmente criado em 1982, pela insana dupla Mark Evanier (que escreveu desenhos do Garfield e Caverna do Dragão (o episódio em que aparece o Observador (Beholder) é dele)) e Sergio Aragonés (que é famoso por ter criado os chamados “marginais da Mad”, que são aqueles pequenos cartoons que aparecem nas bordas das páginas da revista Mad) como coadjuvante nas histórias de um fracassado personagem chamado The Destroyer Duck, da Eclipse Comics, Groo acabou roubando a cena como exímio espadachim e completo destrambelhado.

Sátira descarada de Conan (que é conhecido por destruir os locais aonde vai, como em sua história mais famosa, A Torre do Elefante), Groo é famoso por afundar todo navio em que desafortunadamente embarca.

Outro personagem que é satirizado por Groo é o selvagem-mas-nem-tanto Wolverine, já que a frase clássica deste, ”Eu sou o melhor naquilo que faço”, é repetida por Groo como “Groo faz o que Groo faz melhor!”.

A primeira aparição de Groo no Brasil se deu em 1990 na graphic novel A Morte de Groo, da Marvel, pela Editora Abril, que depois lançou a revista mensal em formato americano Groo, o Errante, cancelada em 1992.

Groo, Rufferto, Chakaal e Diana

Suas histórias se passam em uma Idade Média avacalhada, e entre os personagens secundários que as povoavam tínhamos o Sábio (que vivia repetindo frases feitas e tentava, inutilmente, ajudar Groo), Taranto (líder de um bando de ladrões que sempre enganava Groo), Grooela (irmã de Groo, que o odiava por ele ter feito um raio atingi-la quando pequena; o que fez seu lindo cabelo liso ficar parecendo um monte de esponja de aço), Arba e Dakarba (duas bruxas que, se lendo seus nomes de trás pra frente, forma-se a famosa expressão “abracadabra”), o Menestrel (que sempre falava rimando; a parte de cima de seu alaúde sempre mudava de um quadrinho para outro, e nunca se repetia), entre muitos outros.

Também havia o fiel amigo de Groo para todas as horas, Rufferto (cão de Aragonés na vida real), que confundia as burradas de seu mestre com brilhantes maquinações estratégicas.

Sua origem foi tão hilária quanto sua jornada: o pai de Groo, ao desagradar o rei feiticeiro Battu (que possuía ainda o poder de ler mentes), foi amaldiçoado a ter seu primogênito desprovido da habilidade de pensar.

Resultado: anos depois, o Groo adulto acaba causando a morte de Battu, já que este não tinha como antever as ações de seu obtuso antagonista.

O coração de Groo pertencia a (pobre coitada) Chakaal, uma guerreira que tinha o bom senso de desprezá-lo completamente.

Uma curiosidade sobre este abilolado personagem é que ele usa espadas orientais de uma só lâmina (katanas), ao contrário dos bárbaros normais, que usam espadas de lâmina dupla.

Segundo um amigo meu, isso é uma referência aos bárbaros de D&D, que podem utilizá-las.

Se isso é verdade, não sei dizer, mas é algo curioso.

Groo e... amigos?

Outras curiosidades sobre a revista eram a expressão “Mensagem Secreta”, que aparecia escondida em todas as histórias e a mania de Aragonés retratar a si próprio, Mark Evanier e demais conhecidos da dupla como personagens figurantes.

Além de Groo, a dupla Aragonés e Evanier ainda criou as edições especiais Aragonés Destrói a DC, Aragonés Massacra a Marvel e Aragonés Esmaga Star Wars (onde estes Universos são demolidos da forma mais divertida possível), todos eles ganhadores do prêmio Will Eisner de Melhor Especial de Humor.

Atualmente pertencente à Dark Horse Comics, Groo continua aprontando das suas, mostrando para todo mundo que a inteligência pode ser vencida pela força.

Desde que ela esteja devidamente acompanhada pelo bom humor.

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  1. 08/11/2010 às 10:10

    groo me traz muitas boas lembranças…uma grande hq, das mais divertidas que eu já li. era legal que era um humor que conseguia funcionar com repetição, com oisas como “terei errado” ; “o que ele quis dizer com meio devagar” e outros bordões. fantástico.

    • 23/11/2010 às 16:58

      Sem dúvida, Groo é o que se pode chamar de “humor em extinção”, já que, hoje em dia, só se fazem sátiras superficiais ou humor de improviso, que não tem a menor graça.
      Até mais.

      • Fábio Ochôa
        24/11/2010 às 14:32

        Adorava a revista. Depois de dois anos ela caiu vítima do grande mal das revistas de humor: a repetição das mesmas piadas.
        As edições que eu li depois também não conseguiram salvar o caldo.

        Nem todo mundo nasce pra ser Mafalda e Calvin & Haroldo e parar enquanto está por cima…

  2. 08/11/2010 às 12:57

    “Terei errado?” é um dos meus bordões favoritos!

    Sobre a katan do nosso amigo bárbaro, acho que muitomais provável do quer sido inspirada em algum RPG é ela ter vindo dos muitos filmes de ninjas e samurais que pipocavam na década de oitenta. O oriente teve muita influência na mídia americana a partir dos anos 70, com Bruce Lee e os “segredos do oriente”. Fanfarronou-se muito que a katana era uma espada perfeita, inquebrável e que cortaria qualquer coisa, naquela época… Até o imortal Connor McCloud usava uma!

  3. 10/11/2010 às 08:03

    “Terei errado” é um bordão que usei muito no RPG e até na faculdade.

    Sobre a katana, eu acho que seria uma grande homenagem e uma grande honra para os rpgistas, mas não sei se a Aragonés sabe o que RPG, o que dirá “classe bárbaro” ou, pior, “arma exótica”. Acho que uma lenda apenas.

  4. 18/09/2011 às 14:19

    Jacques, excelente texto e lembrança deste hilário Groo!

    Na faculdade eu costumava brincar com os colegas quando cometia uma gafe qualquer dizendo “Terei errado?”. Aí um deles, que também conhecia o nosso bárbaro, me chamava de “Groo”. Em homenagem a esta personagem e ao apelido – que não pegou, felizmente rs – criei um blog chamado GROOeland, um trocadilho de Groo com Groelândia, coisas que bem poucos tinham ouvido falar. Terei errado?

    Lembro que era difícil encontrar a revista. Teve um tempo que era até “fácil” encontrá-la em algumas bancas, mas depois ficou complicado. Mas tenho algumas edições ainda e são ótimas para relembrar bons tempos – e tenho também “Sérgio Aragonès Destrói a DC/Massacra a Marvel” e também um exemplar da revista PLOFT, engraçadíssima por sinal. E alguns poucos exemplares da fase boa da MAD.

    Obrigado por passar o link e me trazer boas lembranças! Abraço!

  1. 25/11/2010 às 11:06
  2. 17/07/2012 às 08:23

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