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Ray Harryhausen – O monstro do stop motion

Por Jacques

Hoje em dia qualquer jóquei de laptop com Q.I. de assessor de imprensa sabe administrar efeitos (Você quer mais 10.000 pessoas? Aperte F5), mas há poucas décadas atrás, quando os computadores ainda nem haviam sido criados (ou ocupavam salas inteiras, funcionavam na base da válvula e tinham menos capacidade de cálculo que a calculadora que vem grátis com o Windows), tinha de se usar pessoas de verdade (e dê-lhe hora extra) e passar horas montando-se miniaturas do cenário e torcendo-se para que este ficasse convincente.

E naquela época as criaturas eram obrigatoriamente animadas usando-se a penosa e exaustiva técnica da animação quadro a quadro, também conhecida como animação dimensional ou simplesmente stop motion (Aquela técnica em que os personagens se movem como se estivessem em um desenho do He-Man), na qual Raymond Frederick Harryhausen alicerçou sua carreira.

Influenciado quando criança por histórias de ficção científica onde apareciam monstros bizarros em ambientes ainda mais bizarros e, após assistir o King Kong original, de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, Ray Harryhausen apaixonou-se pela animação quadro a quadro e, após adquirir prática, estreou no cinema nos anos 40 com O Monstro do Mundo Perdido (Mighty Joe Young), também dirigido por Ernest B. Schoedsack (refilmado em 1998 como Poderoso Joe, por Ron Underwood), e, até aposentar-se, no início da década de 80, foi o responsável técnico em efeitos de muitos filmes que vieram a tornarem-se clássicos, sem, com isso, envelhecerem.

Ray trabalhou com heróis clássicos como Sinbad (que, segundo ele, representa o máximo em aventura), Jasão e Perseu (em seu último filme como responsável direto pelos efeitos especiais, Fúria de Titãs, de Desmond Davis, que infelizmente foi refilmado de forma insossa por Louis Leterrier, com uma típica sobrecarga inútil de efeitos para mascarar um roteiro simplista (e simplório)).

Dentre as diversas criaturas que ele deu vida (a maioria delas apenas para ser morta pelos heróis) com o stop motion, merecem destaque o centauro-ciclope, a Medusa, o grifo, a simpática coruja mecânica Bubo, a estátua de seis braços da deusa Kali, o Kraken, o gigante Talos, Pégaso, a Hidra de Sete Cabeças, o Minaton (espécie de Minotauro autômato) e o Ymir  (criatura trazida de Vênus por uma espaçonave, que, em nossa atmosfera, foi crescendo aos poucos), que é considerado um dos monstros prediletos dos fãs de Harryhausen, que ainda criou e aperfeiçoou a técnica chamada Dynarama (ou Dynamation), que consiste na união do modelo animado com os atores reais, inédita até então.

Nestes tempos em que até a personalidade dos atores (quando existe) é digitalizada, a animação em stop motion ainda é utilizada, mas é mais um atrativo nostálgico e uma excentricidade do que qualquer outra coisa; mas ela fascinou, divertiu e influenciou muitos cinéfilos (e alguns deles até tornaram-se cineastas) por décadas, e provavelmente ainda continuará fazendo isso por um bom tempo.

Estão aí as animações A Fuga das Galinhas, de Peter Lord e Nick Park, Coraline e o Mundo Secreto, de Henry Selick e O Fantástico Senhor Raposo, de Wes Anderson, que não me deixam mentir.

E isso ocorre em boa parte graças ao talento e determinação de Ray Harryhausen, para quem a imaginação, definitivamente, não é o limite.

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  1. 30/11/2010 às 09:53

    harryhausen era um mestre mesmo. muita gente torce o nariz,e até ri quando ve as cenas dos filmes citados no texto. mas acho que temos que olhar vendo o trabalho do artista, de como há vontade e aprendizado contido naquelas experimentações e nas técnicas manuais.
    um abraço!

    • 30/11/2010 às 17:31

      Acho praticamente impossível para quem é da “geração Youtube” gostar dos filmes e técnicas antigas do cinema.
      Esse pessoal só esquece que, sem estes filmes, os atuais não existiriam.
      Também é uma questão de nostalgia, já que teremos saudade do que vimos na infância por praticamente toda a nossa vida.
      Valeu.

  1. 04/03/2012 às 19:56
  2. 29/01/2013 às 13:41

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