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Elric de Melniboné – O espadachim feiticeiro

Pro Jacques

Elric foi criado pelo mestre da ficção científica e heróica Michael Moorcock, e tornou-se uma espécie de estereótipo no quesito personagem-sábio-misterioso-usando-trajes-maneiros-portador-de-um-objeto-amaldiçoado.

Além de sua Trilogia Marciana, Moorcock criou Runestaff, ou A Saga do Campeão Eterno, como Elric também é conhecido, que surgiu sob a forma de livro em 1961, publicado em capítulos na revista Science Fantasy, tornando-se seu principal personagem.   

Nobre de fala poética e educado, e expulso de sua terra natal, o decadente império de Melniboné, por seu malévolo primo Yyrkoon, munido da espada amaldiçoada Stormbringer (também conhecida como “Devoradora de Almas” ou “Espada Negra” (que, assim como o Um Anel, tem vontade própria, criada há milênios atrás pelos deuses para auxiliarem seus servos mortais em seus propósitos desconhecidos) e de muito ódio por seus inimigos, Elric viaja por lugares inóspitos (tanto em seu próprio mundo quanto em dimensões adjacentes à sua) habitados por criaturas fantásticas, feiticeiros inescrupulosos e piratas sádicos.

Stormbringer (que absorveu outra espada igualmente poderosa, Mournblade) possui o poder de absorver as almas de quem sua lâmina tocar e transmutar essas almas em poder para seu portador.

O Feiticeiro Albino, como também era conhecido, precisava se valer de drogas para manter-se vivo e ainda podia realizar pequenos feitiços, invocar a ajuda de seres como Elementais e trocar as almas absorvidas por Stormbringer pelos favores de Arioch, o Senhor do Caos, entidade a quem serve.

Elric é o que se pode chamar de “moralmente questionável”, pois ele pode tanto arriscar a vida por alguém quanto abandonar esse mesmo alguém à própria sorte, se isso for imprescindível.

Elric e Stormbringer: quem serve a quem?

Ele faz o que tem de fazer, e ponto final.

Aqui no Brasil, o Feiticeiro Albino teve algumas aparições esporádicas no gibi em formatinho Heróis da Tv, onde participou de algumas histórias ao lado de Conan, sempre com os argumentos de Roy Thomas (que também roteirizou a história A Imperatriz Verde de Melniboné, no gibi Conan Especial em Cores 3, desenhado por Barry Windsor-Smith, onde novamente Conan e Elric se encontram) que, ao lado de P. Craig Russel, criou a Graphic Novel A Cidade dos Sonhos (Editora Globo, 1990), e, com a parceria de Michael T. Gilbert, a mini-série Navegante nos Mares do Destino (Editora Abril, 1991).

Nesta mini-série Elric encontra os guerreiros Erekosë, Príncipe Corum e Hawkmoon (que não fica explicado se são encarnações futuras ou passadas de Elric ou versões alternativas dele), que, ao se unirem a Elric, materializam um gigante de quatro faces e seis braços, o chamado Campeão Eterno.

Estas adaptações destacam-se pelas belíssimas ilustrações, misturando minúcia de detalhes com desenhos clássicos.

Elric é um daqueles típicos personagens únicos que surgem nos raros momentos de inspiração divina que atingem os escritores, ou, pelo menos, alguns deles.

Uma pena que isto faça com que ele seja tão imitado, ao invés de apenas admirado.

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  1. 14/12/2010 às 07:51

    Elric é um personagem que gosto muito. Tenho três das quatro edições do Navegantes dos Mares do Destino – nunca consegui a edição número 2 – e A Cidade dos Sonhos, além de uma edição do Conan em que o Albino aparece.
    Infelizmente, poucas coisas sobre ele foram publicadas no Brasil. Nenhum dos livros, por exemplo, e pouca coisa em termos de quadrinhos.
    Alias,não é exatamente fácil de encontrar material sobre Elric na internet. Livros, RPG e HQs são raros de serem vistos, o que é uma pena.
    Um excelente personagem, que tem ainda hoje fãs ardorosos, e apelo junto ao público – se não fosse assim, não se teria lançado um RPG baseado em suas viagens, em meados de 2005.

    • 04/10/2011 às 23:35

      Existe um livro do Elric publicado no Brasil. É o primeiro a ser lançado pelo autor, e que cronologicamente é a última história da personagem. Chama-se “A Espada Diabólica” (ou “Stormbringer”, no original). Infelizmente, foi editado nos anos 1970, e agora só se acha procurando em sebos.

  2. 15/12/2010 às 14:43

    Eu esqueci de mencionar no texto que ele aparece no Conan Especial em cores 3.
    É bem engraçado o nome que a Wikipedia dá à Stormbringer: Tormentífera.
    Elric é um ótimo personagem, e o texto teria ficado bem melhor SE O RAFAEL TIVESSE POSTADO OS DOIS ÚLTIMOS PARÁGRAFOS!
    E eu não sabia que ele tinha o seu próprio rpg, se bem que quase todo personagem tem…

    • 08/01/2011 às 06:40

      Não é lá muita verdade essa afirmação sobre “quase todo personagem tem seu próprio RPG”. Alguns têm, realmente, mas são só os realmente cláááássicos e aclamados. As Brumas de Avalon, consagradíssimas, e com muito potencial pra virar RPG, nunca teve uma versão. Nem o Salomão Kaine. Nem o universo do Philip K. Dick, que dava um ótimo RPG cyberpunk. O mesmo ocorre com o universo de Neuromancer, do Willian Gibson. O universo de Julio Verne também dava um bruta RPG, mas não tem nenhum RPG específico sobre o trabalho dele.
      Mas enfim!

      Tá, o Rafael não pôs os dois últimos parágrafos. MAS TU PODIA COLOCAR, NÉ?!? Nem que fosse num comentário!

      • 04/10/2011 às 23:33

        Existe sim um RPG de Salomão Kane, no sistema Savage Worlds. Chama-se “The Savage World of Salomon Kane”.

  3. 16/12/2010 às 17:15

    Gosto bastante dessas hqs que vc citou no texto, e por isso tenho muita vontade de ler os livros do michael moorcock. puxa, não me lembro direito, mas tenho na casa dos meus pais uma revista antiga de “groo-o errante”, e naquela seção “dicionário de bárbaros e barbaridades”, falavam do hawkmoon e parece que ele tinha sua própria hq. caramba, agora vou ter que procurar essa revista,rs.

  4. 17/12/2010 às 12:24

    acabo de ler no “hqmaniacs” que sairá uma nova mini em quadrinhos de Elric pela BoomStudios. será que vai prestar?

    • 27/12/2010 às 17:14

      Eu nunca li nenhuma hq do Chris Roberson, então não dá pra falar nada, mas acho que dificilmente criarão hqs ruins para um personagem tão clássico.
      Eu baixei alguns livros do Elric, mas não consegui achar um programa para lê-los, o site era viciadosemlivros.blogspot.com ou portaldetonando.com.br, não lembro bem.
      Eu frequentemente uso o Dicionário Groo de Bárbaros e Barbaridades em meus textos, já que ele tem bastante informação útil.
      Até mais.

  5. Jacques
    06/10/2011 às 21:53

    Valeu pela dica, Igor.
    Eu já achei um livro do Elric em uma página de scans, mas livro de verdade, ainda não.
    Mas em sebos e sites de vendas deve dar para encontrar.

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