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Drow

Algumas pessoas fazem certas relações entre os drow (sem plural mesmo), muitas vezes chamados simplesmente de elfos negros e o racismo, entretanto considero isso exagerado.

Sou um grande fã dessa raça existente em muitos cenários de RPG e jogos eletrônicos. Para quem não conhece os drow é bom esclarecer um fato, eles não são simplesmente elfos de pele escura, ao menos não no mesmo sentido em que se falaria sobre humanos de pele escura. A ciência já provou claramente que na espécie humana não existe divisão racial, pois geneticamente todos os povos humanos são praticamente iguais, nós humanos nos dividimos apenas em etnias, cuja diferença é basicamente estética e cultural. Já no caso dos drow eles se diferenciam dos outros elfos por mais do que apenas aparência e cultura, embora em geral sejam diferenças sobrenaturais em vez de genéticas.

Em cenários de fantasia se trabalha com o pressuposto de que existem várias raças (anões, elfos, humanos, etc.), cada uma delas dividida em diversas etnias. Em alguns universos fictícios onde os orelhudos são bastante utilizados além de existirem elfos de pele escura, equivalentes aos humanos de pele escura, também existem os drow, cuja pele não tem tons normais, eles tem pele preta como carvão, muitas vezes com um tom azulado ou arroxeado; o cabelo branco e muitas vezes os olhos vermelhos.

Um desses cenários é o Forgotten Realms, onde originalmente eles até eram apenas elfos de etnia negra, mas foram amaldiçoados com sua forma atual porque uma parte de seu povo se tornou maligna, porém com o passar dos anos os autores viram que algumas pessoas podiam encarar isso de uma forma negativa e em eventos mais recentes na história de Faerûn todos aqueles que não eram malignos (uma boa parte) tiveram a maldição quebrada, diferenciando os dois povos claramente, agora existem os elfos negros e os drow em Forgotten.

Em Shadowrun um cenário futurista que mistura ficção cientifica e magia, as raças meta-humanas, compostas por todos os humanóides inteligentes geneticamente relacionados aos humanos, (orcs, anões e outros), se dividem em todas as etnias humanas, por exemplo, existem anões brancos, negros, indianos, japoneses, etc. Com os elfos não é diferente, mas uma entre eles se destaca, ela se chama Aina Dupree e não se parece com as outras elfas negras, sua pele é escura como a noite e seus cabelos brancos como a neve! (Poético não?) Não usam a palavra drow, mas na prática ela é a única conhecida no cenário.

Achei importante comentar o assunto, porque em muitos mundos da ficção só existem dois tipos de elfos, os com pele clara e os de pele escura, o que pode levar quem não é um fanático conhecedor do assunto como eu, a fazer uma associação com as “raças” humanas. O que pode passar uma imagem errada, pois os drow são sempre “mais maus do que um pica-pau”. São piores que o Pica-Pau de polainas e quem assistiu os episódios dessa fase do Pica-Pau sabe que isso é extremamente assustador!

Já ouvi piadas acusando os drow de representarem estereótipos negativos em relação aos negros, mas não acho que seja o caso, na fantasia seres malignos muitas vezes são ou recebem o título “negro” por uma associação às trevas, afinal de contas em geral os monstros mitológicos não atacam as pessoas no meio de um dia ensolarado e sim na escuridão da noite, o que na verdade faz sentido, reparem em qual é a hora de operação preferida dos criminosos.

Em geral os drow são representados como um povo completamente depravado e maligno, escravocratas cruéis e sádicos completos que querem dominar o mundo, afinal qualquer vilão que se preze quer dominar o mundo, será que eles não percebem o inferno burocrático em que iam se meter se conseguissem? Sério! Imaginem o estresse de administrar TODO UM MUNDO, um mundo onde todos querem lhe ver queimando nas chamas do inferno!

De qualquer forma os drow sempre são populares entre os jogadores, não sei como é nos jogos eletrônicos, mas no RPG tradicional a grande maioria dos personagens drow NÃO SÃO malignos! Verdade seja dita, muitos também não são muito bonzinhos, mas em geral os jogadores criam personagens que se rebelam contra sua sociedade tirânica e almejam se tornar verdadeiros heróis.

Muitos desses personagens são inspirados em Drizzt Do’Urden, um drow que é um dos maiores heróis de Forgotten Realms. Gosto desse personagem, mas acho o Drizzt meio atormentado demais, claro que levando-se em conta todo o histórico dele faz todo sentido a sua forma de agir e pensar, mas prefiro um pouco menos de drama em protagonistas de fantasia medieval.

E se vocês têm alguma dificuldade em entender o motivo pelo qual sou fã desses personagens a explicação até que é simples, aprecio a idéia de um individuo que se rebela contra a tirania e batalha contra o preconceito para forjar seu próprio destino em uma terra estranha, conquistando respeito e admiração. Os drow são perfeitos para esse tipo de enredo, além disso, vejam a ilustração abaixo…

XD

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  1. 17/12/2010 às 12:58

    [modo TRUE RPGista on:]

    Jogadores gostam de usar o esteriótipo do Drizzt simplesmente porque jogadores detestam seguir ordens, e na sociedade drow, tudo é hierarquia. Jogar com um drow ‘normal”, ou seja, dentro da sociedade, significa sempre estar sujeito à alguém superior, principalmente em uma sociedade matriarcal, como a dos drow, onde um jogador nunca vai estar no topo da cadeia de comando!
    Considerando isso, o “estigma Drizzt” é bem fácil de explicar.
    Agora, porque jogadores gostam de jogar com drow? Basicamente, dsois motivos: Overpower. Drows recebem muitos bons ajustes mecânicos, para além de simples bônus em atributos. São excelentes magos, feiticeiros, ladrões e paladinos (???).
    O outro motivo é mais “social”. Em tempos idos – não tenho mais sentido isso hoje em dia – jogadores de RPG eram vistos como criaturas à margem da sociedade. Jogar com um drow criava o mesmo tipo de situação em jogo, com a vantagem de tu poder provar que era “mais humanos que um humanos” – além de poder surrar qualquer um que viesse com preconceito pro lado do personagem/jogador! Só que isso mudou, e agora o atrativo do personagem é outro. Personagens marginais estão em voga. Batman, Justicieiro e V são todos epítomes do justiceiro marginal, o “sujeito durão”. Os drows podem ser usados para aplicar esse conceito em jogo. A popularização dos Tieflings como raça de jogo é um exemplo que esse tipo de personagem faz muito sucesso.
    No meu ponto de vista, drows são todos maus, e deviam todos morrer na lâmina de um machado! Jogadores que gostam de drows sofrem muito nas minhas mesas, geralmente trocando de personagens depois de umao u duas sessões…

    [mode TRUE RPGista off:]

  2. Fábio
    17/12/2010 às 15:16

    Ótimo comentário Domênico, mas discordo em dois pontos:

    Mecanicamente os drow eram pelões no AD&D, mas no D&D3.X ed com o negócio do ajuste de nível +2 eles ficavam horríveis como personagens jogadores, eu que uso muito personagens drow sei bem disso e qualquer outro jogador que usou a raça por um tempo pode confirmar. Já na 4ed eles tem o mesmo nível de poder das outras raças.

    E dizer que toda uma raça de mortais (como humanos, elfos, orcs e anões) é maligna é muito irreal, mesmo para um jogo de ficção, isso de todos serem bons ou maus só é válido para anjos, demônios e diabos.

    Mas é obvio que nos seus jogos você pode definir os elementos de cenário a sua vontade, mesmo contrariando o que é definido pelos livros.

    De qualquer forma de resto achei seu comentário excelente.

    • 20/12/2010 às 19:50

      Eu até agora só tive um jogador que usou um Drow – a campanha começou no terceiro nível, então ele decidiu jogar com um drow mago de 1º nível, enquanto o resto do grupo era mais “normal”. O resultado foi que o jogador jogava sozinho contra adversário que os outros jogadores, de 3º nível, tinham dificuldades em enfrentar. Não sei… Os bônus do drow me parecem mais do que suficientes pra jogar com qualquer personagem de longa distância – sejam lançadores dee magia ou especialistas em armas de longa distância – e não ter problema nenhum com o ajuste de nível.

      Quanto aos drows serem maus, essa é uma visõa de mundo padrão de qualquer cenário. Drizzt tinha problemas em relacionarse quase em todos os lugares – exceto entre as pessoas mais tresloucadas de Toril – mesmo quando pessoas ‘de bem’ o recomendavam.
      Não atacar um drow à primeira vista é uma quebra de interpretação por parte de qualquer jogador, no meu ponto de vista. Não matar um drow depois de tê-lo atacado é pedir pra levar uma adaga envenenada entre as costelas. É uma visão maniqueísta da questão, mas a maioria, a esmagadora maioria dos Drow é maligna, inegavelmente. Eu não pararia pra conversar com um, mesmo no meu dia mais comunicativo! Imagine o seguinte: Tu é um soldado do exército – a coisa mais próxima de um aventureiro que poderia haver no ‘nosso mundo’ – e um sujeito usando um turbante e com uma metralhadora na mão vem na tua direção dizendo “eu não sou mau! eu só quero conversar!”. Certo, tu não precisa atirar no sujeito, mas tu vai desarmar o sujeito, algemar o sujeiuto e levar ele preso. Tu não vai ‘bater um papo amigável com ele”. É a mesma relação entre um aventureiro e um drow. Tu não bate um papo com o sujeito, tu enfia uma espada na garganta dele – porque em D&D não tem convenção de genebra!

      • Fábio
        20/12/2010 às 20:14

        Você deve ser um mestre mais bonzinho do que os com quem eu jogo, porque várias vezes eu já passei por essa de fazer um mago drow nivel 1 em um grupo de nível 3 e os 4pvs, associados as 2 magias de nivel 1 nunca foram muito úteis. XD

        Quanto a forma que os personagens reagem aos drow isso depende do cenário, na maioria é mesmo como você descreveu, mas em vários não, em Eberron por exemplo eles são vistos como “índios selvagens”, ou seja, ainda é tensa a convivencia, mas 1 drow fora da selva ia ser visto mais com curiosidade do que medo.

  3. 22/12/2010 às 12:40

    Duas magias de primeiro círculo? e a inteligência 20? Já são três magias. Mais uma da especialização….
    Isso sem contar a boa e velha besta de mão, indispensável pra magos drow, que, com uma alta destreza, ainda podem dar apoio em longa distância tocando virotes envenenados nos inimigos!

    • Fábio
      22/12/2010 às 13:03

      Ok, ficam Três magias mesmo.

      Mas três de nível 1, quando já se podia ter duas de nível 2.

      E a destreza alta até compensa o base ataque ser de nivel 1, mas ainda é o base ataque horroroso de mago e os penaltis para atacar inimigos engajados em combate ainda garantem q vc sempre vai acertar os amigos algumas vezes.

      O veneno drow é quase impossível de conseguir na superfície e cada vez q vc mexe com uma munição envenenada tem 5% de chance de se envenenar XD

      • 23/12/2010 às 03:18

        Ora, meu caro, é tudo uma questão de: Atire primeiro – pra não ter cobertura/aliados engajados – e depois lance magias. E escolha magias de utilidade, ao invés de magias “óbvias”. Dardos místicos só vale à pena depois do terceiro nível, por exemplo, e mãos flamejantes causam um dano tão irrisório que nem faz diferença em combate. Área Escorregadia, dominar pessoa e leque cromático são magias muito mais úteis nos níveis mais baixos. A receita é: Atrapalhe os adversários pra que os outros jogadores debulhem eles!
        E não vamos esquecer que todo drow sabe lançar fogo das fadas – uma magia que normalmente não é acessível à magos – , globos de luz e escuridão, esta última uma magia de segundo círculo bastante útil para proteger arqueiros e magos!
        E quem falou em veneno drow? Veneno de centopéia gigante é uma excelente opção pra enfraquecer os inimigos no início do combate.
        Ah, sim: Bolsas de cola e pedras trovão também são excelentes itens pra magos iniciantes, de qualquer raça!
        É só não pensar que magos só podem usar magias, que qualquer mago sobrevive aos níveis mais baixos.

  4. Fábio
    23/12/2010 às 03:39

    Nunca tive sorte de conseguir fazer mais de um ataque antes do resto do grupo todo engajar em combate.

    A probabilidade do próprio personagem se envenenar continua de 5% a cada uso de munição.

    O Fogo das Fadas e a Escuridão dão apenas uma pequena ajuda na 3ed.

    E nunca achei jogadores que realmente comprassem itens consumiveis (fora poções de cura).

    • 23/12/2010 às 13:47

      Bom, pra um mago, se envenenar com veneno de centopéia gigante não é assim tão grave – ele diminui Força.
      Sim, fogo das fadas é uma magia bastante restrita. Mas escuridão dá 20% de erro nos ataques. Pequena ajuda, mas 1d4+1 de dano num bicho de 30 pv também é uma pequena ajuda… D&D é jogo de cooperação, tudo funciona na forma de “pequenas ajudas”.

      Sério, eu sofro com a quantidade de itens que os jogadores carregam… Eu inclusive jogo saves pros itens não se quebrarem em casos de quedas ou coisas do tipo, mas isso nunca desencorajou meus jogadores. Jogadores mais “old school” costumam levar só pederneira, corda, arpel, 3 tochas e cinco dias de ração pra viagem na mochila, mas jogadores sem a “barreira” do rack´n´slash se fartam nos itens especiais do livro do jogador – e eu agradeço todo o fim de partida por eles não terem acesso ao livro do mestre!

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