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Os dragões nas animações

Por Jacques

O termo “dragão” quer dizer serpente, e foi criado quando, há centenas de anos atrás, encontravam-se crânios de tiranossauro (ou algum outro dinossauro igualmente enorme) e, como não se sabia do que se tratava, criavam-se origens fantasiosas para o achado.

Na Psicologia, eles representam nossos monstros interiores (que devem ser mantidos permanentemente em modo de espera, pelo bem comum) e os desafios (nada a temer, além do próprio medo) que temos de enfrentar para nos tornarmos melhores.

Besteirol psicológico à parte, eles são grandes, assustadores (na maioria das vezes), fazem muito estrago e rendem bons longas metragens de animação.

No desenho A Bela Adormecida, de Clyde Geronimi, feito em 1959, nos áureos tempos da Disney, a bruxa Malévola assume a forma de um gigantesco dragão para combater o Príncipe, em uma sequência de luta criada de forma incrivelmente dinâmica, para os padrões daquela época.

Em A Espada Era a Lei, de Wolfgang Reitherman, que foi a primeira história da Madame Min, a mal humorada bruxa transforma-se em um simpático dragão para tentar vencer Merlin em um imaginativo duelo mágico (onde os dois competidores mudavam de forma).

O amigável dragão Elliot foi o astro do singelo filme Meu Amigo Dragão, de Don Chaffey, que uniu desenhos animados com atores reais.

Elliot era um tipo de guardião que auxiliava crianças necessitadas, como o garoto do filme, Pete.

Em Mulan, de Tony Bancroft e Barry Cook, o pequeno dragão serviçal Mushu (dublado por Edie Murphy, que, sinceramente, deveria fazer um favor ao mundo e se dedicar apenas à dublagem), tem a difícil tarefa de ajudar a personagem principal e mostrar que não é um completo inútil.

O mesmo estereótipo draconiano oriental aparece em A Viagem de Chihiro, do grande mestre Hayao Myiazaki, onde Haku, um adolescente da realidade mágica onde a história se passa, assume a forma de um dragão serpentiforme desprovido de asas que, aparentemente, voava por magia.

Haku, personificando o dragão oriental

Sinceramente não entendi se ele era um garoto que se transformava dragão ou vice versa, mas não importa, o desenho é genial de qualquer forma.

Em A Lenda de Beowulf, Robert Zemeckis juntou forças com Neil Gaiman para criar uma versão igualmente heróica e humana do personagem nórdico, e o dragão que aparece nela ficou convincente e realista, nos proporcionando uma batalha que meus amigos rpgistas chamariam de “épica”.

Na saga demolidora de contos de fadas da Dream Works Shrek temos a simpática Dragão e seus pimpolhos híbridos asinino-draconianos, filhos dela com o Burro (também dublado por Edie Murphy), sem os quais o anti-higiênico ogro não faria muita coisa.

Criada pelo mesmo estúdio, a divertida animação Como Treinar Seu Dragão de Chris Sanders e Dean DeBlois, baseado no livro de Cressida Cowel, tornou-se uma espécie de Os Incríveis da Dreamworks.

Digo isso porque os dragões que aparecem nela, apesar de possuírem um aspecto caricato absurdo (criado por Nico Marlet), se movimentam de forma perfeita, tanto em terra como no ar, originando sequências de ação memoráveis.

Isso mais os seus diferentes tipos de fogo, a luminosidade e textura perfeitas das paisagens criadas para o filme, o carisma dos personagens e do astro principal, Banguela, o simpático e temperamental Fúria da Noite de aspecto mamaliforme (forma de mamífero), dotado de comportamento e personalidade felina, levou este estúdio ao próximo nível.

Descobrindo um outro mundo através da amizade

E as lições passadas aqui são de que deve-se respeitar as diferenças e que não se fica amigo de um dragão; ele é que fica seu amigo.

Realmente não importa de que maneira os dragões sejam retratados e nem o que eles representem nas animações antigas e atuais.

Com um mínimo de talento e inventividade de seus criadores, eles originam ótimas histórias.

Onde ninguém pode dizer que dragões não existem.

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  1. 15/12/2010 às 12:18

    Interessante observar que, via de regra, em animação os dragões são “gente boa”… Eles tentam com isso fugir do estereótipo do monstro, pra surpreender o público… E criam outro estereótipo…
    Ah, o dragão do Beowulf… Tsc… Um filme que podia ter sido realmente um épico, mas ficou aquela baboseira… Maldita Hollywood que não consegue manter seus personagens com o pinto dentro das calças!

    Mas dentro da categoria Dragão Mau De Verdade, faltou mencionar a Tiamat, do Caverna do Dragão. Tá, não é um longa, mas é o mais clááááássico dos dragões de animação, vai!

    • 15/12/2010 às 14:33

      Então tu acha que vão fazer um desenho com os dragões estripando pessoas e dizendo “Há!Há!”, como o Nelson dos Simpsons?
      Vai sonhando…
      E concordo sobre o Tiamat, mais clássico que ele, só o Space Ghost.

      • 17/12/2010 às 12:34

        Bom, ia ser diferente….

        Mas eu já me contentava com eles queimando a gurizada até os ossos!

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