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Ex Machina – Um super-humano na prefeitura de Nova Yorque

Por Jacques

Existem hqs que, de tão originais, simplesmente não se encaixam em gênero algum e, aos trancos e barrancos, acabam por criar seu próprio sub-gênero.

Ex Machina é uma das poucas obras que se encaixam nesta descrição.

Criada por um dos roteiristas mais inovadores e originais dos últimos tempos, Brian K. Vaughn, e ilustrada por Tony Harris, esta hq da Vertigo pode ser definida como incomparável.

Literal e figurativamente.

Ela conta a história de Michael Hundred, um humanormal nova-iorquino que, uma noite, ao passar de rebocador por baixo da ponte do Brooklyn, vê algo brilhando sob a água, se aproxima, leva um tremendo choque e, a partir daí, ganha a habilidade de conversar com as máquinas, podendo até obrigá-las a obedecê-lo.

O nome da hq vem da expressão latina “deus ex machina” (ou do grego “theos ex mekhanes”), que quer dizer “os deuses na máquina”, expressão que surgiu no teatro grego, onde, no auge da representação, os deuses saíam de uma máquina para resolverem os problemas dos mortais.

Acredito que o termo “os deuses na máquina” tenha um sentido duplo nesta hq, pois tanto pode significar os seres que supostamente deram os poderes à Michael como ele próprio, que comanda a vida dos cidadãos de Nova Yorque, através da máquina política.

Após ganhar seus poderes, Michael resolve tornar-se um super-herói de uniforme (óbvio, né?) e descobre que, na realidade (similar à nossa) em que vive, os vigilantes acabam presos ou mortos.

Homem e deus

Assim, após um curtíssimo, elucidativo e instrutivo espaço de tempo atuando como vigilante chamado A Grande Máquina (onde até conseguiu salvar uma das Torres Gêmeas, nos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001), Michael pendura o traje, revela sua identidade publicamente e, valendo-se de sua popularidade como (suposto) único meta-humano do mundo, se candidata a vereador.

De vereador a prefeito de Nova York é um pulo relativamente pequeno, e é aí que a história começa; já com Michael como prefeito (sem saber como ganhou seus poderes), tendo de lidar com atentados à sua vida por parte de alguns cidadãos que acham que ele é um alien e com estranhas aparições de pessoas com poderes análogos aos seus.

Mas nada disso se compara aos perigos de Michael ao tentar sobreviver no hipócrita e desumano mundo da política (onde os amigos e adversários não o deixam esquecer seu passado relativamente infame como super-herói), onde o sujeito que o cumprimenta de manhã tenta comer seu fígado com arroz e um bom vinho à noite.

Além do ponto de partida pouco usual, a narrativa seca, sucinta e afiada (usando e abusando dos flashbacks) e o humor inteligente e refinado, típico das histórias de Vaughn (como a divertida, overaclamada e bem bolada, mas com um final brocochó, Y – The Last Man) estão entre os pontos fortes desta hq.

Por esta razão, não seria nenhuma surpresa se Ex Machina viesse a se tornar filme ou uma série televisiva no futuro.

Sem dúvida nenhuma, merece.

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  1. J Júnior
    21/02/2011 às 19:19

    Pela descrição é linda a revista, me arrependo muito de não ter acompanhado desde o primeiro numero. Fico meio inseguro de comprar alguma agora.
    Brian K. Vaughn é foda!

    • Jacques
      02/03/2011 às 16:45

      A revista com certeza vale a pena, J Júnior.
      Vaughn com certeza se esmerou para criar os personagens e as tramas.
      É uma hq inteligente, sem ser chata.
      Valeu.

  1. 11/01/2015 às 20:33

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