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Promethea Despertando a Magia/Curiosidade

Recentemente li a história em quadrinhos Promethea escrita por Allan Moore e composta por 32 edições. A história principal da série não é das mais desenvolvidas, logo nas primeiras edições fica-se sabendo qual vai ser o final e não há grandes viradas de roteiro após isso, embora aparentemente a protagonista resolva esquecer como as coisas aconteceriam realmente e tenha que “descobrir” a verdade durante as ultimas edições.

A genialidade da história vem dos eventos paralelos a trama principal, tirando o lucro que é o objetivo principal de qualquer obra comercial, o objetivo de Allan Moore com Promethea fica muito claro, recrutamento de novos ocultistas, pois essa série em quadrinho trás ao publico leigo os conceitos mais básicos e importantes para se entender as bases da magia de uma forma bastante divertida e atraente.Podem ter certeza que qualquer leitor que continue acompanhando a revista através da fase da cabala certamente tem ou adquiriu interesse no ocultismo, pois essa parte é um tanto chata se você não está realmente curtindo aprender ou revisar sobre o assunto. Essa é a segunda grande aula sobre magia na revista e se fazem relações até mesmo com o tarô.

A primeira ocorre um pouco antes e foca em ensinar sobre os chacras durante uma cena de sexo tântrico, claro que nenhum close é mostrado, mas ainda assim a protagonista gostosona fazendo sexo com um mago idoso chama bastante atenção.

Claro que além dessas duas “aulas” durante toda a saga o autor vai através dos personagens entregando aos leitores diversos conceitos e idéias básicas sobre a magia e alguém com um conhecimento maior sobre o assunto certamente se diverte muito com os easter eggs espalhados pelos desenhos das páginas, uma vez que Allan Moorer usa e abusa da simbologia durante toda a série, as instruções mandadas para o desenhista J.H. Williams III deviam ser massivas.

Particularmente recomendo a leitura de Promethea a todos, vale muito à pena, mesmo que seja apenas para chamar o Allan Moore de maluco depois. É impossível terminar de ler a saga sem ter pelo menos por alguns momentos, ponderado sobre a realidade e a humanidade, a história trás muito que se pensar sobre a sociedade e mesmo a política.

Talvez você não decida se tornar um mago apenas por ler Promethea, mas talvez você repense muitas de suas atitudes e quem sabe até se torne uma pessoa melhor. Claro que uma história em quadrinhos não vai fazer milagres, mas nós que crescemos lendo ou adquirimos essa paixão depois de mais velhos sabemos a força e o potencial que essa mídia tem para influenciar positivamente seus consumidores. Uma vez que muitos autores tentam usar seus trabalhos para expandir os horizontes de seus leitores, sendo Promethea um grande exemplo disso.

Para encerrar um pequeno comentário sobre a última edição, na verdade a história termina na edição anterior, a número 32 na realidade é um grande pôster, embora possa ser lida na forma de uma história em quadrinhos, o ideal é que se recortem as páginas e as colem na forma do pôster.

Nessa edição a protagonista conversa com o leitor! Sim, Promethea conversa com os leitores, se despedindo e reforçando os objetivos da obra. Ao longo dessas páginas é exposto em quadros laterais um resumo sobre a cabala e da mesma forma que em edições passadas também se relaciona o assunto com o Tarô.

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  1. 22/03/2011 às 16:11

    Interessante ponto de vista sobre a obra.

    Eu tentei ler Promethea, mas parei lá pela edição 15, porque achei terrivelmente chata.

    É importante observar que Promethea fala muito sobre ocultismo orienta, mais especificamente cabalística. Apesar do Tarô ser de origem italo-francesa, sua capacidade “divinatória” só “apareceu” depois da revolução francesa. Promethea pode ser uma leitura interessante pra alguém interessado nas doutrinas orientais, mas é de pouquíssimo interesse para um estudioso de ocultismo – principalmente porque mistura conceitos de muitas formas, e isso faz uma bagunça na cabeça de um interessado no assunto…

    • Fábio
      22/03/2011 às 23:38

      Realmente, não é como se ocultistas ocidentais tivessem interesse na cabala desde a idade média, a ponto de desenvolverem uma variação própria… Ou que quase todas as sociedades místicas dos últimos dois séculos estudassem aspectos das doutrinas orientais…

      • 25/03/2011 às 04:08

        Opa, opa! Eu não disse que cabala não é ocultismo! Só o que quiz dizer é que ele não fala de ocultismo “no geral”, mas sim do ocultismo oriental, principalmente cabalístico.

  2. 22/03/2011 às 18:36

    Ainda não li toda essa hq, mas parece Alan Moore dando uma de Grant Morrison…

    • Fábio
      22/03/2011 às 23:15

      Sim, é bem por ai mesmo Jacks.

  3. Camila Gamino
    23/03/2011 às 00:26

    Achei bem interessante, e com certeza lerei assim que tiver oportunidade!

  4. Fábio
    25/03/2011 às 12:14

    Você está certo Domênico, no Promethea esse é o foco mesmo, mas é uma tendência geral pelo que eu tenho notado.

    Boa parte dos autores de ocultismo hoje em dia começa com esses conceitos de chacras e cabala e depois entram na parte mais tradicional ocidental.

  5. 26/03/2011 às 00:58

    eu gostei de Promethea, embora as vezes ela se torne “didática” demais e fique muito cansativa. mas a série tem alguns pontos muito bons, como aquela história das cartas de tarô.se não é o melhor trabalho do velho barbudo, ao menos fica acima da média das outras hqs.
    abraço

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