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O Homem Aranha 2099 de Peter David e Rick Leonardi

Por Jacques

O Universo Marvel 2099 foi, assim como o Novo Universo Marvel, mais uma tentativa mal sucedida de pegar personagens que fizeram seu próprio caminho a ferro e fogo e caíram no gosto popular e transferir seu carisma para personagens novos.

É claro que houve uma ou outra exceção.

E esta é uma delas.

Neste futuro, à semelhança da insaníaca hq Transmetropolitan, a selvageria do corporativismo atingiu um novo patamar e passou a dominar a vida do cidadão comum de forma mais truculenta e invasiva, a ponto de toda cidade ser vigiada por câmeras e cada bairro de determinada cidade pertencer a uma megacorporação distinta.

Estranhamente, no início das histórias passadas neste ano não há super-heróis, pois devido ao chamado “Grande Cataclismo” ocorrido no nosso presente (a chamada Era Heróica), eles foram obliterados (mas não esquecidos, já que Thor aqui é venerado como um deus por seus seguidores denominados thoretes ou thoritas).

O Homem Aranha de 2099 teve origem quando o geneticista Miguel O’Hara, que trabalha na Alchemax (corporação “dona” de Nova Yorque), tem seu dna modificado por uma droga (que, uma vez no organismo, se tornava indispensável) dada a ele por seu inescrupuloso chefe, Tyler Stone, que havia feito isso para impedir que Miguel saísse da empresa, única fornecedora legal da droga.

Drácula 2099? Nada disso...

Após uma tentativa malsucedida de imprimir seu dna antigo sobre o adulterado (pois, sem querer, Aron Delgado, seu recalcado assistente, gravou uma amostra do dna do Homem Aranha sobre o dele), Miguel fica com os olhos totalmente brancos, caninos superdesenvolvidos e garras nas pontas dos dedos.

Desta forma, Miguel ganha seus poderes (força, reflexos e resistência ampliados, visão noturna (e hipersensibilidade fótica), lançadores de teias nos antebraços, injeção de neuro paralisante pelos caninos e aderência a superfícies lisas), que soma à sua posição na Alchemax para combater os abusos gerados pelas megacorporações.

E ele NÃO tinha o famoso Sentido de Aranha (que foi baseado o fato de as aranhas conseguirem sentir o que se passa em toda sua teia, como o peso de uma possível presa quando esta cai nela; ironicamente, algumas aranhas usam isso para se passarem por vítimas e, assim, predarem aranhas que constroem teias), acho que para diferenciá-lo de seu antecessor.

Como uniforme ele usava a única roupa de t.m.i. (tecido de moléculas instáveis, capaz de se ajustar às variações bruscas de massa e temperatura corporal, inventado por Reed Richards) que tinha: uma fantasia que usou em um Dia dos Mortos, em uma visita anterior ao México.

Seus amigos incluem Dana D’ Ângelo, sua noiva, Gabriel, seu ideologicamente adaptável irmão e a inseparável Lyla, um bem humorado holograma senciente com a forma de Marilyn Monroe (originado de uma tatuagem de uma antiga namorada dele) que atua como sua secretária, empregada doméstica e confidente.

Seus principais inimigos eram Risco (um ciborgue free lancer dotado de visão termoscópica e muitos truques), Abutre (criminoso antropófago que usava asas artificiais para efetuar seus crimes), Venom (o mesmo simbionte do presente, que havia hibernado nos esgotos até aquela época), Thanatos (que usava uniforme de espartano e nunca se esclareceu O QUE ele era, fantasma, demônio ou só um ser extradimensional em um corpo humano), Discórdia (um vírus de computador consciente e enlouquecido), Risque (irmã ciborgue de Risco) e, é claro, o Duende (versão upgradeada do maior inimigo do Escalador de Paredes).

Além, é claro, dos Alados (agentes da Polícia privada da Alchemax, que receberam este apelido por pilotarem motos voadoras), que Miguel usava como saco de pancadas.

E convém frisar que ele não era o típico herói certinho bobalhão, que salva seu inimigo hoje para levar uma surra dele amanhã, já que em uma luta, involuntariamente rasgou a garganta de um assassino da Stark Fujikawa com suas garras e, em outra ocasião, encheu Abutre de teia e o deixou despencar de cima de um prédio.

Alados comendo mosca

David e Leonardi produziram ainda um divertido encontro entre os dois Aranhas (publicado por aqui no gibi Homem Aranha 2099 nº. 35), em que Peter Parker vai para o futuro e Miguel O’Hara acorda no presente e, com a ajuda do Homem Aranha do ano 2500, conseguem impedir (ainda que de forma involuntária) o Grande Cataclismo.

Coincidência ou não, com a saída de Rick Leonardi (que já desenhou o Homem Aranha atual e conseguia passar a impressão de dinamismo necessária à hq) dos desenhos, as histórias perderam muito da agilidade e do ritmo.

De qualquer forma, esta é a típica hq que mostra que gibis de super-heróis podem ser divertidos sem caírem na mesmice.

O que é algo cada vez mais raro hoje em dia.

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  1. Fábio
    23/05/2011 às 13:21

    Eu gostava das histórias desse Homem-Aranha, não tanto quanto as do original, mas eram bem legais.

    A saga do Destino 2099 também foi interessante.

    • 27/05/2011 às 15:02

      Esta foi uma hq de heróis bem divertida e bem bolada..
      Destino 2099 ficou interessante porque não se sabia se ele era ou não o Victor Von Doom e os desenhos iniciais eram muito bons (do Pat Broderick, que ajudou a reformular o Capitão Átomo com os roteiros de Cary Bates).

  2. 24/05/2011 às 02:09

    Rick Leonardi era o ciração do Aranha 2099. Nenhum outro desenhista chegou nem perto de fazer o que ele fez. Mas, cá entre nós, depois do Leonardi, quem foram os outros desenhistas? Uns caras de segunda categoria de quem ninguém nunca tinha ouvido falar e que depois cairam no esquecimento… Fora Rick Leonardi, não houve outros nomes nos desenhos do Aranha. Alias, isso foi um fenômeno que atingiu praticamente todos os personagens de 2099….

    Uma pequena correção: O aranha 2099 não “aderia” à superfícies. Ele possuía garras retráteis nas pontas dos dedos – sacada muito original, alias! – que permitiam à ele se fixar e se ancorar em superfícies sólidas, cortar objetos e rasgar gargantas!

    O Humem-Aranha 2099 certamente foi o melhor e mais bem sucedido titulo 2099, sem dúvida, mas eu gostava muito do Motoqueiro Fantasma! Acho que foram os dois personagens que mais “entraram” e que melhor traduziam o universo 2099.

    • 27/05/2011 às 15:12

      Depois que o Leonardi saiu, assumiram Stephen Baskerville, Andrew Wildman e até Keith Polard, que eu preferi nem citar.
      Eu me expressei mal, ele não aderia à superfícies (poder aliás que eu nunca entendi; como é que uma hora gruda na parede e outra hora não? sem dúvida, tentar entender poder é perda de tempo…), e sim, ele usava as garras para escalar paredes.
      Eu também gostava do Motoqueiro (com roteiros de Len Kaminski e desenhos de Chris Bachalo e Kyle Hotz) que não tinha ABSOLUTAMENTE NADA a ver com o Espírito da Vingança (só o visual cabeça de fogo).

  3. 26/05/2011 às 20:51

    gostava muito do homem-aranha 2099, pincipalmente pela bom trabalho que fizeram ao desenvolver o contexto das histórias, naquele mundo controlado por grandes corporações como a alchemax e a stark-fujikawa. acho que um dos problemas dessa estratégia da marvel foi que depois de um tempo começaram a fazer versões dos personagens da linha normal da marvel. como fizeram um bom trabalho de criação naquele mundo, poderiam ter investido na criação de mais personagens novos. claro que é interessante ter os x-men 2099(apesar de que não gostava muito das histórias), para dar continuidade as questões dos mutantes do século XX.
    fora o homem-aranha, eu gostava também do destino, e daquela religião dos thoretes, que viam o deus do trovão da marvel sec XX como um deus “de verdade”. Uma pena que acabou minguando aos poucos, o universo marvel 2099 era algo legal de se acompanhar, e poderia estar por ai até hoje(acho que o miguel o’hara chegou a fazer parte dos exilados, aquela equipe formada por integrantes de diferentes épocas e realidades, mas não li nada pra opinar se era legal ou não…)
    sabe dizer o que aconteceu com as raças alienigenas como skrulls, krees e inumanos nesse futuro?
    abraço!

  4. 27/05/2011 às 15:24

    Pois é, Vinícius, eu comprava os dois gibis da linha 2099 só para acompanhar a saga do Destino, e tentei gostar dos X-Men, mas não deu; o roteiro fraco, a falta de carisma e os desenhos do Rom Lim não ajudaram muito.
    O futuro das raças alienígenas no Universo 2099 ficou meio nebuloso, eu só consigo lembrar da história do Destino em que o engravatado Avatarr é morto por Von Doom e na saga final da série, onde o mutante Nostromo é parcialmente assimilado pela Falange.
    Se alguém puder me dar uma ajuda sobre este assunto, eu agradeço.
    Nunca li Exilados (que dizem que é muito ruim) nem as novas hqs que saíram sobre este Universo, que me parecem ser caça níqueis.
    Sem dúvida se pode criar boas novas hqs com estes personagens, basta se ter vontade.
    Até mais.

  1. 12/05/2013 às 21:30

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