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Tecnologias de Star Trek que viraram realidade

Por Rafael

Uma das frases mais icônicas na história dos seriados de televisão,  que ouvimos com frequência em Star Trek – Jornada nas Estrelas é “Preparar teletransporte, Scotty”, ou “Beam me up, Scottie”.

Essencialmente, o teletransporte desmaterializava um corpo humano em um lugar e o rematerializava na sala de transporte da espaçonave (ou vice-versa). De algum modo, ele quebrava átomos e moléculas do corpo – dispersava-as através do vácuo do espaço sem perder nenhuma partícula entre o ponto A e o ponto B, e então voilà!, aquela pessoa emergia novamente do nada. Parece muito bacana, embora impossível, certo? Mas e se existisse tal dispositivo.

Imaginem a máquina necessária pra fazer isso. Lambram do filme A Mosca (The Fly – 1986)? Bastou entrar uma mosquinha pra experiência – e o corpo de Jeff – ir pro beleleu. O equipamento não poderia ter o Windows como sistema operacional também… Vai que dá pau e tem que reiniciar…

Embora em 2001, cientistas tenham conseguido teletransportar um átomo de uma margem a outra do rio Danúbio, ainda não foi possível fazê-lo com objetos ou seres vivos.

Mas isso não significa que algumas das ideias que pareciam ser absurdas quando a série estreou na TV em 1966 não se tornaram realidade. Vou falar sobre algumas tecnologias de “Jornada nas Estrelas” que, na verdade,  se tornaram realidade.

Hipospray

Vou começar pelo que mais marcou minha vida. Não tinha um episódio em que o Dr. McCoy não tivesse que dar uma vacina em alguém. O dispositivo que ele usava era muito interessante: o hipospray, um tipo de injeção de medicação hipodérmica. Uma injeção hipospray é forçada sob a pele (uma injeção subcutânea) com alta pressão de ar. A pressão do ar atira o líquido da vacina fundo o suficiente na pele para dispensar a necessidade de agulha. A aplicação do mundo real é conhecida como pistola de vacinação pressurizada.

Quando fui tomar a vacina BCG no colégio foi um pavor! Era com uma pistola! Achei que era pior que agulha! Nessa época Star Trek era transmitida pela TV Manchete, se não me engano (tá, estou velho, mas, pelo menos, não era a TV Excelsior), e meu avô me mostrou o McCoy aplicando a vacina no Spock e ele nem chorou!

As pistolas pressurizadas têm sido usadas há muitos anos. Na verdade, a tecnologia antecede “Star Trek”. As pistolas injetoras foram desenhadas originalmente para vacinações em massa. A injeção a ar é mais segura (nenhuma agulha para passar adiante doenças infecciosas) e mais rápida na administração de vacinas. Similar em aparência a uma pistola de pintura automotiva, os sistemas de injeção a ar podem usar um compartimento maior para a vacina, permitindo com isso que o pessoal médico inocule mais pessoas mais rapidamente.

Alumínio transparente

No filme “Star Trek IV: Regresso à Terra” – Star Trek IV: The Voyage Home – a tripulação volta no tempo, à Terra dos dias de hoje (dos dias de 1986, ano que o filme foi lançado, na verdade), numa nave Klingon. Nesse filme o engenheiro Scotty constrói um tanque para transportar 2 baleias jubarte para a terra do século 23 com alumínio transparente.

Pode parecer impossível, mas já existe a armadura de alumínio transparente ou oxinitreto de alumínio (Alon), como é mais conhecido. O Alon é um material cerâmico em pó que, depois de submetido a calor e pressão, se transforma em um material cristalino similar ao vidro. Uma vez na sua forma cristalina, o material é forte o bastante para resistir a balas. Polir o Alon moldado fortalece ainda mais o material. A Força Aérea americana testou o material para substituir janelas e cabines de suas aeronaves. A armadura de alumínio transparente é mais leve e mais forte que que o vidro à prova de balas. É Mulher Maravilha… pelo visto não vai ser a única com jatinho invisívle por aí… Agora que me dei conta: será por isso que ele não usa saia?

Comunicadores

Os comunicadores usados pela tripulação da Enterprise eram dispositivos, aclopados no próprio distintivo do uniforme, que bastavam ser pressionados para possibilitar a comunicação. Esse dispositivo assemelha-se aos comunicadores push-to-talk da Nextel, dos anos 90.

Outro dispositivo usado pela tripulação era o comunicador com flip, que assemelha-se muito aos celulares de hoje em dia.

Nas recentes encarnações da franquia “Jornada nas Estrelas”, os comunicadores evoluíram para broches com o logo da Frota Estelar colocado no peito da tripulação. Com a batida de um dedo, a comunicação entre os membros da tripulação se tornava ainda mais fácil. A Vocera Communications tem um produto similar que pode conectar pessoas em uma mesma rede dentro de uma área designada, como um escritório ou um edifício utilizando, inclusive, software sobre LAN sem fio. O emblema de comunicação B2000 pesa menos que 50 g, pode ser usado na lapela de um casaco ou na camiseta, e permite comunicação em duas-vias sem ruído. Ele até foi desenhado para inibir o crescimento de bactérias, por isso é adequado para médicos.

Raio trator

Qualque nave de filme de ficção científica que se prese tem um raio trator. A Enterprise tem um, obviamente. Mas no Star Trek todo mundo tem. Uns mais potentes que os outros e fica todo mundo puxando qualquer navezinha que passe por perto. Eu sempre imaginava: “e se duas naves apontarem um raoi trator pro raio trator da outra”? Ía ser um cruzamento de feixes no melhor estilo Caça-Fantasmas, um estrago.

Quando a Nasa precisa fazer reparos no telescópio espacial Hubble, os astronautas têm de ser especialmente treinados para sair da nave espacial para a atividade extraveicular. Eles também têm de aprender como trabalhar dentro dos limites de sua roupa espacial, vestindo luvas grossas. Não seria legal apenas trazer o telescópio para dentro, onde os reparos seriam menos desafiadores e perigosos?

Atualmente o mais próximo que se chegou disso foi o que se chama de pinça ótica. São lazers ocos (não me pergunte o que seria um lazer oco), que servem para mover pequenas moléculas, como, por exemplo, extratir uma proteina de uma célula.

Uma proteina não é nenhuma nave, mas já é um avanço, né?

Phaser

Diferente de Star Wars, onde as armas eram pra guerra mesmo, em Star Trek tinha, acredito eu, todo um código de honra de marinheiros, por isso suas armas, os Phasers, podiam ser ajustadas para atordoar.

Na verdade, só os figurantes “red shirts” morriam. Quem tinha um nome ou levava um zoom de primeiro plano por uma câmera, não.

O mais próximo que se tem disso são os aparelhos de choque. O Teaser foi inventado em 1969. Ele não matava, mas dava um baita choque, suficiente para render a vítima, incapacitada.

Diferente da ficção, o Teaser tem que entrar em contato pra dar o choque. Hoje existe armas que lançam duas agulhas, com fios, que fazem a descarga ao atingirem o alvo, mas ainda assim é necessário a utilização de fios.

Existem muitas outras… Vou deixar pra um próximo post. Vocês lembram de mais algum?

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  1. 27/05/2011 às 16:34

    Lembro de ter lido um artigo sobre a possibilidade do teletransporte, e o grande problema é que não se pode converter matéria em energia sem torrar o objeto (ou ser vivo) em questão.
    Chato, né?
    Ouvi dizer que o design dos celulares atuais foram baseados no comunicador de Star Trek (aqueles que SEMPRE eram afanados do pessoal em terra para eles serem obrigados a reaverem).
    Acho que a moral dos phasers era que a Frota Estelar tinha a missão de conhecer novas culturas, usando a força letal só quando estritamente necessário, ao contrário de Star Wars, que era um cenário de guerra permanente.
    A melhor invenção de todas passou batida, que seria o sangue do Spock, que foi usado TROCENTAS vezes para curar o pessoal das doenças mais bizarras.
    Já imaginou a grana que ele ganharia se patenteasse seu próprio sangue?

  1. 30/04/2012 às 18:55

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