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Dia do orglho nerd

Por Rafael

Relutei muito antes de escrever sobre o assunto, no dia de hoje, mas, após ver o trailer do filme Zero Charisma, mudei de ideia.

O Dia do Orgulho Nerd é marcado pela preimere do primeiro filme da série Star Wars, em 1977. Isso eu nem precisava dizer, afinal, todo nerd sabe disso. Ou será que não? Todo nerd tem que gostar de Star Wars?

Nos anos 80, com a série de files Nerds, atribuía-se aos nerds o esteriótipo de debilóide, magrinho, feio e ridículo. Eram os nerds todos assim? Alguém se orgulharia de ser assim? Quem gostava de RPG, ficção científica ou colecionar bonecos de ação não se dizia nerd. Na época, também, não havia uma fatia de mercado definida para quem gostasse de “coisas de nerds”. Pelo contrário, era ridículo ser um.

Diferentemente, hoje as empresas se deram conta de como podem lucrar com esse nicho produzindo em massa bonecos, camisetas, livros e bugigangas (é, bugigangas, porque é a tradução de gadget, que só porque é em inglês, parece que tem alguma utilidade). Hoje as pessoas se orgulham de ter uma camiseta com uma fórmula de química que ningém entende, uma tatuagem escrita em élfico, um boné com um símbolo de um super-heroi de segunda linha, um boneco de um personagem coadjuvante de um filme B. É legal ser diferente, é legal instigar as outras pessoas a imaginarem “o que é isso na camiseta dele”? Tanto que se criou um termo novo: Geek.

Para o mercado, era mais fácil criar um termo novo e um novo orgulho em “ser diferente” do que modificar a ideia criada nas décadas anteriores sobre nerds. Já ouvi muita gente dizer “eu não sou nerd! Geek, talvez, mas nerd não”!

Somos criados num mundo que nos habituou a fazer, e também pensar, determinadas coisas que são comuns a todas as pessoas. O pensamento médio, o senso comum, contenta-se como se tudo fosse redutível a uma ideia de valor que ele carrega na cabeça, que usa à revelia, que aprendeu a partir de sua relação com outras pessoas, que repete porque todo mundo repete. Em nossa sociedade é extremamente natural acharmos que “cada macaco tem seu galho”, ois sempre foi dito assim.

Quando falo o nome Carla Perez, que parte do corpo vem à mente? Em um mund onde uma bunda se torna o astro principal de um gruo que não precisa cantar nem mesmo tocar algum instrumento, é natural que a realidade das pessoas tenha se tornado muito pobre para perceber o mundo em suas inter-relações e complexidades. Para a grande maioria valem as aparências do que as coisas mostram, perdemos nosso vínculo com o sentido que é feito do nosso mundo.

Após um jornal nacional da vida, faça a pergunta a sim mesmo: “o que aprendi com isso”? Ou: “quantas notícias me disseram alguma coisa”? Ainda: “eu queria saber sobre isso? É relevante para mim? Isso é realmente o que aconteceu”?

No filme Zero Charisma, um grupo de nerds “de filme”, jogadores de RPG, barbudos, embotados, com camisetas de HQ se deparam com um jogador de RPG que curte cachecol, andar de bicicleta, terninho justinho, sair à noite, tênis All-Star… Deram até um nome pra esse “tipo” de gente: Hipster. Há no filme um choque de tribos. Mas que tribos? As que o mesmo jornal nacional quer que a gente acredite que exista e escolha uma pra assumir como um time de futebol (aliás, odeio futebol, vou escrever sobre isso depois)?

Depois recebemos ataques de pessoas defendendo ou odiando nerds. Essas pessoas fazem isso porque pensam ou porque foram formadas?

Diariamente somos testados a pensar e diariamente engolimos notícias como fatos.

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  1. 26/05/2011 às 15:56

    Acho que existem alguns pontos que eu gostaria de comentar no texto do Rafael. Rótulos e tribos só servem para definir um público alvo para industrias. Se alguém precisa vestir uma camiseta e sair por aí comprando todo tipo de quinquilharia para satisfazer seu “belonging feeling”, é apenas a triste condição humana falando mais alto…
    Não necessitamos de um rótulo ou de uma identidade para nos dizer do que gostar, como se vestir e, muito menos, o que pensar.
    Vivemos num breve e colorido faz de conta, ninguem lê nada, todo mundo comenta sobre tudo, como se fosse uma “wiki-autoridade” sobre qualquer coisa.
    Nerds pareciam legais, pareciam ter conhecimento, havia uma necessidade de repensar o mundo e de expressa-lo também. Ser diferente era ser diferente dos anos 80 e 90, depois disso virou comércio e grife.
    Comemorei o orgulho nerd em 1999. Casa de Cultura Mario Quintana, lembro bem. Hoje em dia não comemoro, não vejo razão.
    Por: Valim

    • Fábio
      27/05/2011 às 01:24

      Bancando um pouco o advogado do diabo, a maioria dos estudos indica que precisamos sim de um rótulo, faz parte da natureza humana e não é nescessariamente triste, é natural. Mesmo quem tem orgulho de ser diferente se sente melhor entre pessoas parecidas com ele.

      Na prática a maioria das pessoas adota vários rótulos, mesmo que não se de conta. A frase “Pai é quem cria” é um bom exemplo, na prática é totalmente verdade e mostra que até mesmo “pai” é um rótulo.

      A mente humana precisa definir as coisas (sejam objetos, comportamentos, etc) para diferenciá-las.

      O problema é esquecer que cada indivíduo é na verdade a combinação única de uma miriade de coisas, mesmo que alguns pareçam mais mono-temáticos que os outros.

      Sobre os nerds não posso comentar como era nos EUA quando essa classificação começou a ser usada, mas nunca conheci alquém que refletisse integralmente o esteriótipo, na verdade a grande maioria nem chega perto.

      • 27/05/2011 às 15:03

        Desculpa, Fábio, mas eu não concordo com a “natureza” da coisa. Opinião minha.

        Antes de mais nada, não digo nesse texto “não sejam nerds”. Eu gosto e me considero um. Gosto de brincar com isso, bom o pessoal sabe, pois é o que a gente faz em todo “Encontro Nerd”.

        Não considero “natural” adotar rótulos. Os rótulos existem para o mercado consumidor. Isso é definido não porque a mente humana necessita, mas porque a sociedade estipulou necessário.

        No nosso grupo mesmo, temos diversos indivíduos extremamente diferentes, todos se considerando nerds. Eu curto Star Wars, sou sedentário e não curto Magic. Tu curte Star Wars e é um mega esportista. O Jax não curte Star Wars, curte Magic e não precisa fazer exercício por ser um nerd dos tempos bíblicos (ele ajudou a construir a arca de Noé e era o responsável pelos dinossauros… bom, pelo menos ajudou a construir a arca, né?). Onde está o rótulo aí? Só na brincadeira sadia que a gente faz. Tem gente que adota o rótulo e pensa que é uma religião.

        “Pai é quem cria” é o mesmo que “onde há fumaça, há fogo” é um pensamento comum que a sociedade cria, assim como os rótulos. Dizer isso é automático, mas não natural. Dizer isso é pré-julgar qualquer situação. Pai é quem cria, mas e os que criam e abusam de suas crianças? São pais? Onde há fumaça, há fogo, mas não existem maneiras químicas de se fazer fumaça sem queimar carbono? Essas expressões, assim como os rótulos, são julgamentos de valor que consideramos como inquestionável. Isso sai naturalmente da nossa boca, mas não não é “natural”, no meu entender.

        Sim, rótulos fazem parte da sociedade, mas não de forma natural e sim, cultural.

        Uma coisa é certa: também não conheço alguém que refletisse o estereótipo por completo. Como o polêmico Domênico disse num e-mail desses: Nerd que leva tudo a sério vira o Silent Bob.

  2. 26/05/2011 às 17:32

    Concordo com você! Temos que ter cuidado com aquela caixinha preta, nem tudo que ela diz é útil ou verdadeiro. O filme, redes de intriga, “network” relata bem isso! Tem um trechinho do filme legendado que é bem legal!
    Olha aqui: http://www.youtube.com/watch?v=1KueaBhi4d4
    Agora, sou nerd e adoro futebol! risos XD

    Cheiros da Serena!

    • 27/05/2011 às 15:22

      Não vi esse filme ainda, vou alugar pra ver.
      Essa diversidade é que é necessária e não a segregação. Futebol não é minha praia, mas que bom que tem nerd que curte!

  3. 27/05/2011 às 13:20

    Embora seja da natureza humana adotarmos rótulos e arquétipos para atingir uma sensação vazia de conforto, isso pode ser combatido. Adotar um grupo é assumir características de outrem e a mente humana, adaptável, acaba por nem se esforçar, o grupo acaba bastando.
    Não acho errado a vida em grupos, só alerto o cuidado que devemos ter para que não viremos uma massa de manobra para um mercado fútil e sem significado.
    Quantas festas de orgulho nerd vão haver por aí? Em quantas as pessoas vão porque realmente querem? Em quantas vão porque tem preguiça de pensar por si? É o “belonging feeling” falando mais alto.
    Nada contra o esteriótipo nerd, meus amigos até os 14 anos eram uma enciclopédia barsa, um computador XT e uma coleção de insetos, só acho vão e fútil tomar o caminho confortável porque pensaram ele para mim.
    Em tempo, aos cavalheiros e damas que optam por pensar, feliz dia do orgulho nerd.

    Por: Valim

    • 27/05/2011 às 15:14

      É a isso que me refiro. Não acho ruim a vida em grupo, em sociedade, desde que cada um faça o que fizer porque quer e não porque a sociedade assim espera. Claro, dentro do limite moral e legal, pois viver em sociedade exige no mínimo respeito.
      Referindo tuas palavras, optemos por pensar.

  4. 27/05/2011 às 15:46

    Belo texto.

    Sou “nerd”, ou seja, fã de Star Wars, quadrinhos, da série The Big Bang e concordo plenamente quando você diz que eles descobriram um mercado lucrativo com esse perfil.

    Não tenho orgulho em usar camisetas de A ou B. Usei ontem, uso hoje e amanhã também. Uso e sou assim porque gosto.

    Cada um deve se vestir, fazer e ser como se acha mais feliz. Não pode se preocupar com o pensamento alheio ou com a sociedade.

    A vida é individual, apesar de alguns esquerecem desse detalhe.

    Gostei do trailer. Me lembrou filme do Kevin Smith, nos bons tempos.

  5. 27/05/2011 às 16:17

    Eu também acho que rótulo não leva a nada e essa coisa de andar por aí com um toalha dependura no nariz (por causa da série de livros O Guia do Mochileiro das Galáxias) é pra quem é maria-vai-com-as-outras.
    Acredito que as pessoa devem tratar uma às outras como gostariam de ser tratadas, nem mais nem menos.
    Sobre eu não fazer exercício físico, ir de bicicleta (com uma única marcha leve irritante) da minha casa até o apartamento do meu irmão para usar a internet e até o centro é cansativo, porém recompensador.
    Polêmico Domênico, Rafael?
    Este trocadilho foi não intencional, não foi?
    Não precisa responder…

  6. Fábio
    07/06/2011 às 04:14

    huauhahahauhauhauhhuhauha

    Sem problema Rafael.

    Aos direitistas e esquerdista do movimento nerdico aviso que minha visão política é centrista. 😀

    As respostas foram mais ou menos o que eu esperava, sei que meus professores de psicologia não foram os melhores, mas me baseei no que eles me passaram e me pareceu fazer sentido.

    Vejam bem, não falei em um comportamento proposital, por exemplo não é que a pessoa decida ser pagodeiro para se enturmar (embora alguns façam isso), mas sim que ao conviver com a cultura dos pagodeiros ela se sente bem e em menor ou maior grau adota parte dela para si.

    Repito que pelo pouco que aprendi é uma reação humana natural, já a formalização dos rótulos por outro lado é realmente deliberada e passou a ser explorada.

    Hoje em dia o mercado certamente cria novos rótulos para obter lucro, mas não foi a industria que criou eles originalmente, o mercado apenas começou a explorá-los, assim como explora qualquer outra oportunidade.

    As expressões e rótulos não tem valor absoluto, embora algumas pessoas limitadas não percebam isso, mas elas são muitos úteis a comunicação humana. É muito mais prático citar um termo conhecido do que repetir toda a definição dele.

    A briga “cultural” vs “natural” é enorme no campo academico, não vale a pena entrar nela aqui, mas independente disso os humanos sempre definiram tudo ao seu redor, sempre rotularam as coisas. As pessoas normalmente sabem (ou deveriam saber) o quanto essas definições são limitadas, mas isso não tira a utilidade delas.

    E na real, não conheço ninguém que não utilize rótulos em seu vocabulário cotidiano.

    E aos defensores do pensamento independente, nenhum pensamento é totalmente independente, uma opinião seja ela a favor ou contra a do grupo/sociedade surge da interação da natureza do indivíduo com os pensamentos do grupo (a partir de 2 já é grupo).

    Se a pessoa vai adotar ou não um esteriótipo (em maior ou menor grau) é problema dela, cada um faz o que acha nescessário para se sentir feliz. Entretanto repito que no caso dos nerds, apesar do rótulo que a mídia pinta, nunca encontrei alguém que se encaixa-se muito no esteriótipo e acho isso muito bom.

    Já repararam que tem gente que enche a boca de orgulho para falar que sofria por ser nerd e chega a dar a entender que os atuais não merecem o “título” por ser tudo muito fácil? Que bom que é mais fácil, não desejo o que eu passei para ninguém e se está mais fácil para os novos está mais fácil para mim também.

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