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Crie seu livro ideal – Parte I

Por Mordred

Vou “abrir os trabalhos” aqui no Fantástico Cenário com uma idéia que me passou há alguns dias, quando 1984 passou no telecine cult: reúna dois livros que tenham marcado a sua vida, apresente-os de modo geral aos leitores e exponha a premissa do seu novo livro.

Depois vemos se emplacou o sucesso ou se esse negócio de escrever não é nossa praia.

1984
Mil novecentos e oitenta e quatro (1984), escrito por George Orwell em 1949, retrata um mundo dominado pelo totalitarismo absoluto, reprimindo qualquer traço de individualidade dos cidadãos. O protagonista é Winston Smith, um operário com a tarefa de encobrir os atos do Partido. O livro é referência para qualquer filme onde a sociedade do futuro é vigiada o tempo todo. O termo “Big Brother” foi forjado e representa a figura controladora do Estado retratado por Orwell.

Trecho do livro: “Uma nação de guerreiros e fanáticos, marchando em frente, todos pensando a mesma coisa em unidade perfeita, gritando e propagando os mesmos slogans, para sempre trabalhando, lutando, triunfando, perseguindo – três bilhões de pessoas, todas com a mesma face.”

american
American Psycho, do autor Bret E. Ellis retrata, de forma satírica, o mundo vazio da sociedade yuppie dos anos 80 em Wall Street.O protagonista vive em um mundo de perfeição e descobre que pode matar impunemente. O livro teve uma adaptação para o cinema, com Christian Bale no papel do psicopata Patrick Bateman.

Trecho do livro: “Existe apenas uma idéia sobre Patrick Bateman; um tipo de abstração. Mas não há um “eu” real: apenas uma entidade, algo ilusório. E mesmo que esconda meu olhar frio, e mesmo que você possa apertar minha mão e sntir minha carne contra a sua e talvez você até possa comparar nossos estilos de vida… Eu simplesmente não estou lá.”

Escolhi esses dois livros não por mero acaso, mas porque o segundo se passa na época em que Orwell retratava seu mundo. São duas formas de ver uma década, uma lá de 1949 (quando Orwell escreveu 1984) e outra, já dos anos 90 (American Psycho foi escrito posteriormente à época descrita no livro).

Nesse meu livro de faz-de-conta, o personagem vive em uma sociedade opressora, dominante, de um mundo sem esperanças. Por fazer parte da elite da sociedade, descobre que pode trazer à tona o que há de pior dentro de si. Não pensei em haver qualquer forma de redenção. Se o personagem é frio, o sistema opressor também o é. A crítica fica por conta do mal em larga escala e do mal em pequena escala, um ensaio de amostragem da barbárie que geramos, concordamos e, porque não dizer, pagamos.

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Categorias:Entretenimento
  1. 06/06/2011 às 18:31

    Vi os dois filmes e amei. O livro 1984 li…..mas, faz muito tempo. Ainda nem tinha cabelo branco. Porém, lembro de ter apreciado muito.

    Se fosse citar dois livros que marcaram minha vida diria: “Éramos Seis (acreditem se quiser) e A República (o mito da caverna foi a melhor aula que tive no ensino médio).

    Adorei sua idéia.

  2. 06/06/2011 às 18:33

    Vi os dois filmes e amei. O livro 1984 li…..mas, faz muito tempo. Ainda nem tinha cabelo branco. Porém, lembro de ter apreciado muito.
    Psicopata Americano é uma aula de roteiro inteligente, cruel, insano e realista. 1984, por sua vez, é uma experiência futurista inteligente, cruel, insana e realista.

    Por tanto entendo que ambos são obrigatórios.

    Se fosse citar dois livros que marcaram minha vida diria: “Éramos Seis (acreditem se quiser) e A República (o mito da caverna foi a melhor aula que tive no ensino médio).

    Vergonha é a parte 2 de Psicopata Americano. Meu deus….foi uma das continuações mais bizarras que presenciei.

  3. 13/06/2011 às 10:42

    É um bom mote pra livro, meu caro Mordred. Bem-vindo (bem atrasado) ao blog! Excelente post!
    Não cheguei a ler o American Psycho, mas 1984 é muito bom. Crítica nada sutil à opressão, mas, principalmente à sujeição social.

  4. 13/06/2011 às 12:49

    Valeu aí pessoal! Meu próximo vai ser uma mistura de Histórias de Robos, do Asimov, e algum conto do Bukowski…

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