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Pequeno Guiazinho de Quadrinhos Fantástico Cenário (parte 06)

26. Jack B. Quick

 

 

Em sua fase desencanada, Alan Moore conseguiu mais uma pérola do bom-humor: as aventuras de Jack B. Quick, o menino gênio.

Em um clima de humor nonsense, mostrando mais uma vez a incrível versatilidade do autor inglês, a série narra o cotidiano maluco de um pequeno gênio inventorem uma Américarural dos anos 30, saída diretamente dos quadros de Norman Rockwell.

Em histórias de 8 páginas, com a excelente arte de Kevin Nowlan, vemos aventuras que misturam vacas com buracos negros, planetas em miniaturas e a surreal reprodução do Big Bang utilizando uma máquina de aspirador de pó, fazendo constante brincadeiras com a metalinguagem dos quadrinhos, física quântica e tudo mais.

A série durou pouco, como tudo que é bom, sendo uma das pequenas obras-primas desconhecidas de Alan Moore.

E para mim, um dos seus trabalhos que eu mais gosto.

 

27. A Piada Mortal

 

 

Muito bem, o que dizer desta história que não foi dito até agora?

Vamos começar pelo nome em inglês, killing joke.

Killing Joke, piada matadora, uma piada de matar de rir, a piada definitiva.

Além do trocadilho óbvio com o personagem Coringa e tudo que ele faz na história, dentro do contexto da trama, qual é a verdadeira piada matadora?

Conforme o próprio discurso do vilão no final (outro dos grandes momentos de Moore, que sabe Deus como consegue manter a lucidez afiada em meio a tantas drogas que toma), a piada definitiva é nossa própria vida, ilógica, frágil e falha, construída sobre um castelo de cartas, onde corremos em vão até seu fim.

A verdadeira piada são todos nossos sonhos e esperança e quando confrontados com a fragilidade que cerca tudo, incluindo nossas crenças, afetos e certezas, a única saída é enlouquecer.

Tudo isto dentro de um simples título.

Ah, sim, é a história onde o Coringa aleija a Batmoça, um dos maiores momentos do Batman, a história definitiva dele e do Coringa e bla, bla, bla.

 

28. As Aventuras de D.R. & Quinch

 

 

Um dos primeiros trabalhos de Alan Moore e do excelente Alan Davis (que posteriormente faria carreira na Marvel em títulos como X-men e Excalibur na época que tudo tinha X na frente), D.R. & Quinch é, digamos, uma cruza bizarra de filme de rebeldia juvenil dos anos 50 com uma versão politicamente incorreta da série Guia do Mochileiro das Galáxias.

Deu para imaginar?

Tá, então vamos simplificar, a série narra as aventuras de dois marginais juvenis intergalácticos envolvidos em coisas tão sutis quanto a aniquilação de um planeta insignificante chamado Terra, uma prova escolar que pode colocar o universo em guerra, viagens no tempo, paradoxos temporais, tudo regado por um humor impecavelmente negro, fazendo questão de ser grosseiro e incorreto, mas sem nunca abdicar da inteligência.

Humor inglês da melhor qualidade, Eric Idle e John Cleese ficariam orgulhosos.

 

29. Balas Perdidas

 

 

Balas Perdidas é um dos marcos da retomada do quadrinho policial noir, uma espécie de subgênero que vem ganhando força na última década, com poucas obras, mas todas de qualidade constante.

É um dos pontos altos deste estranho movimento silencioso, com poucos adeptos mas fãs fiéis, lado a lado com Criminal de Ed Brubaker e 100 Balas de Brian Azzarello.

Esta obra de David Laphan é um mosaico, onde cada edição é uma história (de violência, sempre ela) fechada, mostrando um ato de brutalidade e o impacto deste na vida de todos que os cercam.

Cada edição se passa em uma época diferente. E quem é o principal em uma história, é o coadjuvante na outra, ou ainda apenas o figurante de fundo, montando, passo a passo um quebra-cabeça de implicações, onde os detalhes sutis ajudam a completar o que ficou vago nas histórias passadas.

Uma das grandes graças é justamente a caça aos detalhes, verificar onde eles se encaixam, formando pouco a pouco um grande painel de vidas e da criminalidade em nosso tempo.

Saiu dois álbuns no Brasil, baratos e disponíveis. Arrisque o primeiro, leia a sufocante história de abertura e vire fã deste quadrinho obrigatório.

Literatura da melhor qualidade, Truman Capote ficaria orgulhoso, Hemmett também.

 

30. Batman – Ano 1

 

 

Sabe, sinceramente, Batman é um daqueles personagens que tirou sorte grande.

 

Se for olhar bem, pouca coisa é mais ridícula que um milionário que perdeu os pais e em vez de procurar terapia resolveu se fantasiar de mamífero voador e desfilar por aí junto com um moleque depilado com uma sunga verde enfiada no rabo.

 

É tremendamente inconsistente, é uma idéia que não resiste a nenhum tipo de análise mais aprofundada.

 

Mas, o fato é que o personagem enfileirou uma série de ótimas histórias nos anos 80, Cavaleiro das Trevas e Ano 1 de Frank Miller, Piada Mortal, de Alan Moore e emendou um blockbuster no fim da década que solidificou sua fama.

 

 

 

O que nos leva a Ano 1, que no fim das contas, é um ótimo filme policial nunca filmado.

 

Ótimo com Miller e Mazzuchelli na ponta dos cascos.

 

A história narra a grosso modo, o primeiro ano de atividade de Batman e do policial Gordon em Gothan, os primeiros passos dos personagens para serem quem eles irão se tornar.

 

O grande personagem da história é Gordon, acompanhar os dilemas do único policial honesto em uma cidade corrupta é fascinante e é difícil comentar mais porque Ano 1 já foi tão analisado por aí que não resta muito o que falar.

 

 

 

O fato é que a história deve muito a Dirty Harry, ao cinema de Martin Scorcese (a cena acima é puro Taxi Driver), um pouco a Will Eisner e seu Spirit, bastante Dashiel Hemmet e bastante Mickey Spillane.

 

Miller é um aluno atento.

 

Sorte a nossa.

 

Links para outras partes do Guia:

Parte 1: http://fantasticocenario.com.br/2011/07/21/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-01/

 

 

Parte 2: http://fantasticocenario.com.br/2011/07/26/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-02/

Parte 3: http://fantasticocenario.com.br/2011/08/02/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-03/

Parte 4: http://fantasticocenario.com.br/2011/08/03/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-04/

Parte 5: http://fantasticocenario.com.br/2011/08/15/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-05-especial-super-herois/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Categorias:Entretenimento
  1. 31/08/2011 às 14:45

    Infelizmente, ainda não li Jack B. Quick e Balas Perdidas, Ochôa.
    Piada Mortal é genial porque explica a “lógica” por trás do comportamento do Coringa: no mundo em que vivemos, é loucura ser são.
    Genial.
    D. R. & Quinch eu baixei não sei de onde e achei bem divertido; dois aliens viajando no tempo e avacalhando com tudo se se importarem com nada.
    Batman Ano Um é magnífica, uma hq cheia de referências que consegue te convencer que Batman é verossímil.

    • Fábio Ochôa
      02/09/2011 às 18:10

      Eu trocaria o verossímil por “menos inverossímil”.

  2. 01/09/2011 às 21:38

    Putz.
    Desta lista só li o Piada Mortal e o Ano Um.
    Acho que sou um maldito nerd que só lia super herói.
    hhehehe.
    Quando tiver tempo tenho que expandir os horizontes quadrinísticos (se bem que nem super herói eu leio mais).

  3. Fábio
    02/09/2011 às 00:40

    Ainda não li A Piada Mortal… eu me odeio…

  1. 09/05/2012 às 21:08

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