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Microcontos muito micro mesmo…

Câmera

 

 

Hamilton comprou a câmera aos 14 anos, nunca entendeu porque ela só fotografava dragões, pombas e sombras, até que o velho chinês do antiquário explicou: ela fotografava almas, era isto, única.

Hamilton respirou aliviado, fez fortuna retratando pessoas e as pombas, sereias, sombras, tigres e dragões que elas escondiam dentro de si.

Nunca tirou uma foto de si mesmo.

 

 

Mitos

Foi a morte de Norato, Norato dos olhos-cobra que fez ele tomar aquela decisão, ver aquela serpente – que sempre tinha uma palavra amável para tudo – definhar e morrer pouco a pouco, sentir aquele cheiro de abandono, foi mais do que ele pôde suportar, iria embora para o meio da mata, jamais seria visto por mais ninguém, ponto, fato, não precisaria mais da fé dos outros.

 

Essa era a tristeza das coisas imaginárias, só existir enquanto alguém acredita e em troca, esse era o fadário de Mapinguari: ser Mapinguari; fazer coisas de Mapinguari, atacar pessoas, feder, vagar, se esconder; não era justo nem injusto, era apenas um fato.

 

Olhou as luzes elétricas e distantes uma última vez, enquanto por coincidência ou ironia, acima dele o cartaz publicitário corroído dizia “acredite em você”.

 

 

Onde?

 

Era a nona vez que vagava pelo estacionamento, o velho senhor sabia que o importante era não perder a calma, jamais perder a calma, o hábito de toda uma vida lhe ensinara isto, mesmo com as fileiras de carros permanecendo insondáveis, indiferentes a ele, com o silêncio e a paz que só as coisas têm.

 

Não sabia onde estava o carro, sabia apenas de seu cadáver no porta-malas.

 

Ironias do Alzheimer.

 

 

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Categorias:Entretenimento
  1. 16/09/2011 às 08:05

    Ei… muito bons!
    Gostei do fotógrafo… já imaginei um milhão de coisas.
    Sobre o estacionamento, isso não é Alzheimer!!! Eu já fui pro campus da federal de carro pela manhã e voltei de ônibus… depois tive que ir de ônibus pra voltar com o carro à tarde. Também já estacionei o carro no centro (juro que já fiz isso, apesar de muitos não acreditarem ser possível) e por ser a proeza tão inusitada, esqueci e voltei a pé.
    Gostei muito do fotógrafo… imaginei um milhão de coisas.
    Sobre o estacionamento, isso não é Alzheimer!!!

  2. Fábio Ochôa
    16/09/2011 às 18:16

    Ahahah essa idéia do Alzheimer é velha.
    Há horas tenho uma idéia sobre um serial killer com Alzheimer.

    Ahahah essa idéia do Alzheimer é velha.
    Há horas tenho uma idéia sobre um serial killer com Alzheimer.

  3. 16/09/2011 às 18:24

    hahaha
    Boa resposta.
    Pior é que um serial killer com Alzheimer dá um put personagem para contos e até série de tv a lá Mentalista.

  4. Fábio
    17/09/2011 às 20:24

    São todos legai, mais o do fotografo tem muito potêncial.

  5. 15/11/2011 às 17:29

    O microconto do fotógrafo me lembrou ‘fatalframe’, o segundo me lembrou ‘shrek’. Muito bom os contos, ‘Ironias deo Alzheimer’ foi boa, da um conto e tanto. Parabéns.

  6. Fábio Ochôa
    16/11/2011 às 17:23

    Valeu, Matt, só por curiosidade, Fatal Frame é um filme?

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