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Uma Pequena Parábola sobre o Valor do Bom Profissional

Direto do (fantástico) Blog do Divasca:

“Por algum tempo ponderei se iniciaria esta seção no blog ou não. Decidi que o faria porque é extremamente necessário que aprendamos com a história o que acontece quando não se dá o devido valor ao profissional. (Lembrando que sugestões de post para esta seção também são bem-vindas).

A história aqui é muito simples, trata-se do velho e conhecido “meu sobrinho faria por muito menos”. Aqui no caso não se trata necessariamente de um sobrinho mas a analogia me é oportuna.

O filme “The giant claw” lançado em 1957 foi produzido para rivalizar com os grandes filmes de monstros gigantes da época, tinha um diretor gabaritado (Fred F. Sears, que contava no seu currículo com o clássico “Earth vs. Flying Saucers”) disposto a fazer este filme como o expoente de sua carreira até então. O elenco também não era nada amador e a interpretação no filme foi muito boa. O que houve de tão errado então? – O monstro.
A produção do filme foi orçar com o grande mestre dos efeitos especiais da época Ray Harryhausen que até para os dias atuais, seus efeitos em “Stop-motion” ainda são de cair o queixo, eles acharam o valor muito acima do esperado e chamaram uma equipe mexicana que se disponibilizou a fazer por muito menos. Reza a lenda que Ray Harryhausen fazia seu trabalho sem ninguém por perto, fazendo com que todos vissem as cenas apenas na pós produção. Acostumando-se com este fato, a equipe mexicana exigiu o mesmo, fazendo com que todos os envolvidos (inclusive os atores) vissem pela primeira vez a criatura somente quando estava tudo pronto. O resultado é o pior monstro já produzido pelo cinema em todos os tempos, Não somente a modelagem que já é horrorosa como também os movimentos (foram usadas cordinhas em todas as cenas) Alguns acham que aconteceu exatamente aquilo que eu faço com clientes “sem noção” e os produtores foram profundamente sacaneados propositalmente pelos mexicanos porque não acreditam que se possa fazer uma criatura tão patética por acidente.

Eu sinceramente acredito na teoria do sobrinho aqui, e que não estavam gabaritados para fazer algo profissional ainda e os produtores só se preocuparam com o orçamento. Existem relatos que o ator Jeff Morrow viu pela primeira vez o monstro numa pré-estreia em um cinema de sua cidade, após 20 minutos, quando a criatura faz sua primeira aparição e com a plateia caindo na gargalhada compulsiva ele saiu discretamente foi pra casa e se embebedou.

O que torna o filme mais engraçado ainda é que os atores que nunca tinham visto o monstro fazem até um bom trabalho interpretando com o nada, imaginando algo realmente assustador em sua frente, aí quando aparece aquele urubu pateta interagindo com eles, o estranhamento é ainda mais cômico. O diretor Fred F. Sears nunca mais conseguiu emplacar um filme em sua vida, arruinando sua carreira.”

 

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Categorias:Entretenimento
  1. 09/10/2011 às 22:05

    hahahah
    Cara, a frase, “o barato as vezes sai caro é perfeita aqui”.
    É realmente o pior monstro cinematográfico que eu já vi.

  2. Jacques
    09/10/2011 às 22:16

    Eu já tinha ouvido falar desse filme, Ochôa, aconteceu que, após esse fiasco, o diretor se isolou numa fazenda do interior e morreu de depressão aos quarenta e poucos anos.
    Também, não foi por menos…

  3. Fábio Ochôa
    10/10/2011 às 18:04

    Se um filme meu tivesse um monstro desses eu ia fazer exatamente o mesmo.
    E o pior é que pela história toda a culpa nem foi dele, mas sim dos (sempre eles) produtores.

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