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Ahhh, Saudoso Futuro

Dia desses acabei de ler o Pioneiros do Espaço, do Edmund Cooper. Ouviu falar? Pois é, eu também não.

 

 

O livro é uma edição portuguesa de FC dos anos 50. Parece uma mistura um tanto trash de Flash Gordon, com 1984 e Admirável Mundo Novo, só que com a profundidade de um pires. Pulp até o osso.

É sobre um sujeito que é congelado por acidente, acorda em um futuro utópico onde as máquinas fazem tudo para o homem, but contudo, elas tem um plano de dominação e claro que nosso herói encampa uma rebelião, destrói todos os computadores e fica com a mocinha no final, que por sinal aceita abrir mão de uma vida de ócio para cozinhar e lavar pratos pro herói.

O mocinho deve ser muito bom de cama, é a única conclusão que consigo chegar para justificar.

Bom, mais anos 50 só se todo mundo dançasse de bambolê no final e antes que você pergunte porque raios Pioneiros do Espaço se o livro inteiro se passa na Terra com um cara que foi congelado, não sei, provavelmente quem nomeou nem se deu ao trabalho de ler o livro. Tenso, mano.

Tem um aspecto legal nas ficções antigas: o futuro sempre é limpo, e todos os problemas sempre se resolvem ao término de 198 páginas, como cada obra é um reflexo de sua era, Pioneiros do Espaço mostra aquele otimismo irrestrito do pós-guerra, onde nenhuma fronteira e nenhum desafio é grande demais para impedir a vitória do homem comum.

Bonito e anacrônico como só as coisas bonitas sabem ser.

Dá saudades do futuro.

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Categorias:Entretenimento
  1. 17/10/2011 às 12:52

    A tua definição “dá saudade do futuro” é perfeita.
    Quantos livros, filmes e contos de ficção da época idealizaram o futuro com base no progresso simples ou mesmo idealizaram a ação humana contra um progresso que literalmente escravizava a humanidade, etc. Enfim, esse contexto de otimismo do pós-guerra é bastante estudado e aceito, bem como a ideologia da época de vitória do homem comum, do indivíduo dotado de força moral e princípios libertários contra um estado ou um sociedade opressora.

  2. Fábio Ochôa
    17/10/2011 às 15:50

    É uma coisa fascinante, né? Dá para reconstruir todo o pensamento do homem do século XX só através dos valores e visões de mundo embutidos na cultura de massa.

    • 17/10/2011 às 16:39

      Exatamente isso.
      Claro que para isso é preciso não tratar a cultura de massa como algo de baixo nível, como fazem muitos estudiosos.

  3. Fábio Ochôa
    18/10/2011 às 09:02

    Pois é, outra vantagem que vejo na Internet, ainda naquela questão sobre arte é isso também, cada vez menos diferença entre “alta” e “baixa” cultura, tudo vira informação.

    • 18/10/2011 às 11:40

      Concordo em tudo.

      • Jacques
        18/10/2011 às 12:11

        Concordo também, Ochôa.
        E, pra passar de informação pra lixo, é um passo bem curto…

  4. 18/10/2011 às 23:23

    As ficções depois passaram pelo período onde o futuro apresenta tecnológias incríveis, mas a humanidade perdeu a tecnologia das vassouras e outros instrumentos arcanos de limpeza.

    Aquelas histórias onde tudo é sujo, poluído e corrupto.

    Hoje em dia acho que estão aparecendo versões mais equilibradas.

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