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Pequeno Guiazinho de Quadrinhos Fantástico Cenário (parte 08)

36. 90 Clássicos para Apressadinhos/99 Filmes Clássicos  para Apressadinhos

Vamos começar com uma escolha não-óbvia.

Uma das melhores compras dos últimos tempos foi a dobradinha de álbuns escrita/ilustrada pelo sueco Henrik Lange.

Com um traço despojado e um texto idem, ele narra sempre em três quadros, um bem-humorado megarresumo de obras clássicas, tanto do cinema como da literatura.

O humor sutil está justamente em como estas obras parecem absurdas quando resumimos seus roteiros a apenas uma linha básica e desconsideramos todas suas complexidades e também na extrema dessacralização que Lange promove.

Talvez alguns fãs se irritem, mas quem entrar na brincadeira vai adorar.

Recomendado ler acompanhado de amigos.

De quantos quadrinhos podemos dizer o mesmo?

37. Fábulas

Personagens dos contos-de-fadas vivendo no mundo real.

A primeira vez que ouvi sobre este conceito, pensei imediatamente “não tem como isso ser bom”. Não, não, antes eu pensei “realmente, não se tem mais o que inventar”.

E a série seguiu adiante e eu ignorando ela.

Lá pelas tantas, um amigo insistiu que era bom e resolvi dar uma lida. E realmente, o primeiro álbum era bom, não uma maravilha, mas bom e vi que mais uma vez, não se julga sem ler.

Segui acompanhando e a cada edição a história ficava melhor, à medida que nitidamente víamos o roteirista de primeira viagem Bill Willinghan aprender e dominar os truques de como construir um bom roteiro, até a série subir ao status de obra-prima e ali permanecer por quase 60 edições.

Fábulas é um respeito à inteligência e uma das melhores séries que você vai acompanhar em sua vida, poderia ter sido a obra-prima da década, mas este título já está ocupado por Walking Dead.

Surpreendente, com um elenco extremamente carismático, Willinghan deveria dar aulas ao superestimado Neil Gaiman sobre como construir tramas repletas de citações, sem nunca abdicar do drama, do humor e do horror, tudo convivendo em perfeita harmonia.

Pena que nos últimos dois anos o fôlego esteja acabando e as histórias parecem não saber exatamente para onde vão. Hora de parar Bill?

38. Macanudo

Humor poético de primeira linha, Macanudo de Liniers.

Este é disparado o maior sucesso dos quadrinhos argentinos atuais, influenciando muita gente boa do lado de cá também, como os trabalhos de Rafael Sica e Daniel Lafayette, por exemplo.

Inesperado, nonsense e extremamente poético, o trabalho de Liniers é difícil de classificar e por isso mesmo tão valioso, suas idéias se estendem para muito mais do que três quadros e a cada álbum, fica a certeza que vou comprar o próximo.

Obrigatório.

39. A Cripta do Terror

A capa da primeira edição (publicada no Brasil com 40 anos de atraso) anunciava “os quadrinhos que abalaram uma década”. Por incrível que pareça, não era marketing vagabundo, eles estavam falando sério.

Os quadrinhos de horror da E.C. Comics dos anos 50 marcaram época por seu tom absolutamente nilista, pela quase sempre ausência de finais felizes (e bota ausência nisso), pelo humor negro escancarado de suas tramas e pela mensagem de “ninguém está a salvo do horror e da violência” de suas tramas quase sempre passadas em bucólicos e inofensivos subúrbios.

Ah, sim, e eles também adaptavam na maior cara-de-pau os contos de Ray Bradbury para os quadrinhos, fato pelo qual eu sou eternamente grato à E.C.

Pois bem, as revistas vendiam feito água, o problema é que seu público leitor tinha uma média de uns 12 anos e que tanto nilismo decididamente não combinavam com os prósperos e otimistas anos 50, não deu outra, a E.C. foi acusada de antiamericana e caiu nas malhas do macarthismo.

Foi praticamente um massacre público, digno dos banhos de sangue de sua revista.

A editora se viu proibida de publicar quadrinhos de horror e esta ação deu origem ao famigerado Código de Ética, que imbecilizaram os quadrinhos por quase 30 anos, se lembram do que eu falei sobre a ausência de finais felizes? Pois é…

Nos anos70, a série foi adaptada em dois filmes da Hammer, teve uma homenagem bacana nas mãos de George Romero e Stephen King no filme Creepshow e virou uma série de sucesso da TV a cabo nos anos 90, quem aí nunca viu pelo menos um episódio dos Contos da Cripta?

40. Ordinários

Em um certo sentido, Ordinário, criação do quadrinista pelotense Rafael Sica, um dos grandes nomes da cena nacional, parece a versão dark de Macanudo.

Existe um traço de poesia na tira, mas uma poesia suja, mais uma vez, em um universo que se expande para muito além de seus quatro quadros.

Temos um exemplo de cotidiano alternativo, surreal, em alguns momentos lembrando várias coisas, como filmes de David Lynch, resquícios de Lourenço Muttarelli, algo de Francis Bacon e ao mesmo tempo, nada disso, algo completamente novo.

O fato é que é impossível ser indiferente ao trabalho de Sica, o que ele faz, de maneira até mesmo inconsciente segundo o mesmo, ressoa em nós, despertando algo que nem mesmo sabemos qualificar o que seria.

Preciso dizer? Para amar ou para odiar, obrigatório.

 

Links para outras partes do guia:

Parte 01:

http://fantasticocenario.com.br/2011/07/21/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-01/

Parte 02:

http://fantasticocenario.com.br/2011/07/26/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-02/

Parte 03:

http://fantasticocenario.com.br/2011/08/02/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-03/

Parte 04:

http://fantasticocenario.com.br/2011/08/03/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-04/

Parte 05:

http://fantasticocenario.com.br/2011/08/15/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-05-especial-super-herois/

Parte 06:

http://fantasticocenario.com.br/2011/08/31/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-06/

Parte 07:

http://fantasticocenario.com.br/2011/09/12/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-07/

 

 

 

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Categorias:Entretenimento
  1. 27/10/2011 às 16:15

    Olha, fiquei com muita vontade de ler Fábulas, Macanudo e Ordinário.
    Cripta do Terror já li a algum tempo e também gostaria de reler, e os clássicos para apressadinhos eu nem imagino o que esperar. Deve ser pura diversão para quem não é encanado com obra, sendo uma pedrada nos puristas de plantão.

  2. Fábio Ochôa
    28/10/2011 às 09:01
  3. Jacques
    28/10/2011 às 12:57

    Henrik Lange, Macanudo e Ordinários eu não conhecia, Ochôa.
    Fábulas (só as capas de James Jean e João Ruas já valem a pena) está atualmente entre minhas hqs preferidas, e acredito que Willingham não se perderá no final, o que estragaria a obra inteira.
    E tanto a Cripta quanto a Krypta valem muito a pena, por mostrarem terror sem conservadorismos ou bobagens pseudo filosóficas inúteis.

  4. Fábio Ochôa
    28/10/2011 às 14:57

    Olha que eu acho que ele já deveria ter acabado.
    A saga da entidade negra foi tão mais ou menos…

  1. 28/10/2011 às 13:12
  2. 07/06/2012 às 09:35

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