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DC 2000 – A revista uma década à frente!

Era dessa forma que o gibi em formatinho da Editora Abril DC 2000 (uma homenagem à revista inglesa 2000 A. D) se apresentava, pois, desta maneira pouco sutil, ficava subentendido que a revista mostraria ao leitor a vanguarda da hq.

E foi o que, de certa forma, aconteceu.

O ano era 1990, a inflação comia nosso dinheiro mais rápido do que conseguíamos gastá-lo, os humoristas da tv ainda tinham graça, a ideia que ainda se tinha de hq de super-herói era de que as histórias só seriam boas se tivesse muita pancadaria gratuita, o selo Vertigo ainda nem sonhava em algum dia vir a existir e Watchmen só era conhecida por quem lia gibi MESMO.

Pois foi neste ambiente que DC 2000 veio a público, com a clássica Mulher Maravilha de George Pérez e o lançamento da série Xeque Mate, de Paul Kuperberg e Steve Erwin (onde o submundo da espionagem do UDC começava a mostrar as garras e provou-se que não se precisava de superseres se esmurrando para se bolar boas histórias neste Universo) na primeira edição.

A estreia do escocês doidão Grant Morrison nas hqs de super-heróis no Brasil se deu com o divertidamente estapafúrdio Homem-Animal (com desenhos de Chas Truog) que, com a história O Evangelho do Coiote, deu uma palhinha do que seriam suas hqs nas décadas vindouras, e a hq Eu Era o Homem com Poderes Animais, do Homem-Animal, que fez com que Morrison se tornasse escritor de quadrinhos, foi republicada na edição 16.

Starman, de Roger Stern (que, ao lado de Paul Smith, foi responsável por uma das melhores fases do Doutor Estranho) e Tom Lyle, era uma hq padrão de super-herói, mas valeu a pena pelo carisma dos personagens e pelas meta-lutas bem boladas.

Este foi mais um personagem da DC a usar este codinome e, tirando a ótima fase de James Robinson e Tony Harris, sempre foi pouco aproveitado.

Das edições 11 a 13, o gibi foi interligado à mini-série Invasão (de Bill Mantlo, Keith Giffen, Todd MacFarlane (antes de ele criar aquela aberracionice exagerada chamada Image Comics) e Bart Sears), que serviu para integrar as raças alienígenas presentes nas hqs da Legião dos Super-Heróis, como domínions, psyons, daxamitas, khúndios, durlanianos, coluanos e gil’ dishpans ao presente do UDC.

O devagar quase parando Senhor Milagre, de J. M. DeMatteis e Ian Gibson, contava as fúteis tentativas de Scot Free ao tentar levar uma vida normal aqui na Terra, ao lado de sua esposa, Barda.

Capitão Planeta? Eu?

O transcendentalmente hilário Doutor Destino, de J. M. DeMatteis e Shawn MacManus, mostrou como se mesclar forças ocultas com humor de sit com, nesta fase em que ele era formado por duas pessoas, um rapaz envelhecido artificialmente e uma moça (yin e yang), o que gerava uma série de piadas.

A (até hoje) tenebrosa dupla Rapina e Columba, de Karl Kesel e Greg Guler, deve ter sido a pior hq entre todas que foram publicadas nesta revista.

E, como tudo que é ruim volta, eles retornaram “desenhados” por aquele que surgiu para as hqs em uma mini-série desta dupla, não coloca fundo em suas ilustrações e poderia dar aula de como NÃO se desenhar.

É dele mesmo que estou falando, o sujeito que fez tanto bem aos quadrinhos quanto Michael Bay fez ao cinema, Rob Liefeld (aaarrrghhh).

A célebre Legião dos Super-Heróis, de Paul Levitz e Keith Giffen também deu as caras por aqui, nesta fase que se tornou icônica, entre muitos outros motivos, pelo uso inteligente e imaginativo dos poderes dos legionários.

A bagunçada polícia intergaláctica denominada Legião 89, também de Keith Giffen, Alan Grant e Barry Kitson (que era formada por Lyrissa Nalor, Strata, Furtiva, Garryn Beck, Lobo e Vril Dox (alguns deles ancestrais da Legião dos Super-Heróis)), criada à força durante a Invasão, era um grupo bem curioso, já que brigava o tempo inteiro e só se mantinha unido por causa das manipulações de Vril Dox.

Nesta fase do Nuclear, de John Ostrander, Tom Grindberg e Tom Mandrake, ele descobre que é um Elemental do Fogo, o que faz com que, repentinamente, adquira consciência do mal que a espécie humana faz ao mundo, o que fatalmente significa que ele fica poderoso demais, o que resulta no cancelamento da revista ou simples redução parcial ou quase total de seu poder.

O reformulado Gavião Negro, também de John Ostrander, Timothy Truman e Graham Nolan (que deu sequência à mini-série de Timothy Truman e Alcatena e ao Superalmanaque DC 3), atuava como policial em Chicago para caçar o criminoso thanagariano Byt, que havia feito Katar matar seu próprio pai sem querer e havia fugido para a Terra.

Assim como fez no Esquadrão Suicida, Ostrander usou da ignorância de Katar Hol em relação à cultura humana para focar temas como direitos civis, desigualdades sociais, contradições da sociedade e a ambiguidade das leis humanas.

Caras maus não olham para as explosões...

De lá pra cá a DC já mexeu na origem de Katar Hol mais do que o Sílvio Santos mexe na grade de programação do SBT.

Tem gente que não aprende mesmo.

Com a saída de Giffen das duas Legiões e o provável cancelamento de alguns títulos nos EUA, a revista perdeu ritmo e qualidade e ainda se arrastou (com algumas histórias dos (bleargh!) Darkstars, de Michael Jan Friedman e Mike Collins) por mais algumas edições, tendo seu término no número 59, com uma história tapa buraco de Batman com a Caçadora.

Apesar do cancelamento prematuro (como o que ocorreu com a revista Vertigem, também da Abril, alguns anos depois), a imagem que ficou desta revista foi positiva, pois ela uniu ficção científica, humor, espionagem e ação, em uma ousada mistura de gêneros.

Ou, talvez, simplesmente não houvesse espaço para os personagens nas outras revistas.

Não importa.

O tempo se encarregou de mostrar que a frase que anunciava a revista estava correta.

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  1. 17/11/2011 às 17:20

    “De lá pra cá a DC já mexeu na origem de Katar Hol mais do que o Sílvio Santos mexe na grade de programação do SBT.” HAHA
    “o evangelho do coiote” é muito bom! todas as histórias do homem animal escritas pelo morrison (tinha que ser) a meu ver são bem incríveis, aliás…
    e olhando essa capa do firestorm de longe eu achei muito que fosse o deadman de peruca…

    e poxa, não seja tão injusto com o liefeld, vai… ele criou o deadpool, o cable, a dominó, fez a x-force ter uma fase marcante; e bem ou mal, quando a gente era pequeno NÃO se ligava se o personagem tinha 72 dentes ou não tinha pé…

  2. Jacques
    17/11/2011 às 22:32

    Tem razão, moça, eu não tinha me tocado que esse visual do Nuclear é MUITO parecido com o Desafiador.
    E reze para que um tal de Fábio Ochôa não leia este teu comentário, senão ele perseguirá até os Confins da Terra (também conhecido como Tocantins, onde até o pessoal do Acre tem medo de ir) para implantar em ti cirurgicamente um aparelho que toca Justin Bieber remixado por TODO O SEMPRE de tanto que ele detesta o ser por você mencionado.
    E eu não era exatamente “pequeno” quando li X-Force e Rapina e Columba desenhados por este cidadão, então…
    Valeu, moça.
    Um abraço.

  3. Fábio Ochôa
    18/11/2011 às 12:44

    Jacques, eu gosto do Liefeld.
    Sério.
    É o mesmo lado meu que faz eu acompanhar novela mexicana, ler Frank Miller, baixar The Fixer, comprar filme do Ed Wood… É sei lá, um prazer mórbido em ver quão ruim as pessoas podem ser.

    E por último, um sujeito que faz um desenho desses,

    não tem como não estar na história das histórias em quadrinhos. Absolutamente.
    Capeitão América.

    • Marco
      18/11/2011 às 13:33

      hahahahahahah. Muito bom o desenho. Parece meus desenhos antigos, sem perspectiva, noção nenhuma de anatomia e muitos músculos que não existem. O peito do cara é literalmente torto e a cabeça está nas costas.

  4. Jacques
    18/11/2011 às 22:22

    Normalmente, quando uma mulher é muito gostosa, se costuma dizer que ela é torta, Ochôa.
    Mas neste caso, o Capeitão ficou torto de mal desenhado, mesmo.
    E eu to lendo alguns dos Novos 52 da Dc e, sinceramente, é um pior do que o outro.
    Até agora só gostei do Superman Pedreiro do Morrison e da Mulher Maravilha do Azzarelo.
    Ô rebootizinho sem vergonha (como todos eles).

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