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O Império Romano e a história de sua aparente invencibilidade: percursos e percalços – Parte II

Foi Timeu de Tauromênio que primeiramente escreveu, em grego, um relato histórico de Roma e do ocidente, tornando-se fonte de informação para os historiadores posteriores ao século III a.C, incluindo-se o primeiro historiador latino, Fábio Pictor, bem como Políbio, escravo grego do círculo de influência dos famosos cônsules e Prínceps cipiões.

Timeu era um exilado político da Sicília que viveu em Atenas entre os anos de 315 e 265 a.C, dedicando-se a escrever um relato do “ocidente”, ou seja, da Itália e da Gália, incluindo sua geografia, etnografia e história político-militar. Isso significa que Roma tornar-se-ia conhecida aos gregos de Atenas, ou seja, Roma finalmente apareceria ao mundo “civilizado” dos gregos da península balcânica e depois aos povos do antigo mundo helenístico formado por Alexandre, o Grande.

Timeu narrou fatos da história da Sicília, principalmente a guerra dos romanos contra o rei epirota, Pirro, que invadiu a Itália entre os anos de 280-275 a.C, mesma época em que o historiador siciliano estava por terminar sua obra.

Pirro reinava sobre um pequeno povo de montanheses gregos, subordinado à supremacia da Macedônia, mais ao norte. Teria sido comparado ao próprio Alexandre, em razão de uma suposta ascendência de Aquiles, além de tentar fundir o  mundo grego a um mundo desconhecido, desta vez o Ocidente, cujo núcleo central do novo reino seria o Épiro, na península balcânica (atual Albânia) e a Magna Grécia, sul da Itália, incluindo-se a Sicília.

Pirro

O rei epirota, Pirro surgiu na Itália como um aliado das cidades gregas da Magna Grécia (Grande Grécia) contra o poderio romano, principalmente as cidades de Tarento e Siracusa.

Os romanos haviam acabado de vencer os samnitas no ano de 290 a.C, derrotando também o levante etrusco-gaulês de 284-283 a.C, quando Pirro aportou na Itália com suas falanges compostas por cidadãos do Épiro junto de mercenários do Oriente helenístico. Logo, o rei epirota contou com o apoio de cidades gregas da Itália, tais como Tarento e Siracusa, convocando suas próprias falanges contra Roma, muito em razão do temor difundido nestas cidades de serem absorvidas pelo República Imperial Romana, em constante expansão.

As legiões romanas e as falanges gregas entraram em vários combates iniciais, sem vitórias de qualquer dos lados. Na batalha de Heráclea, que se seguiu, Pirro apresentou aos romanos seus elefantes de combate, auxiliados pela cavalaria tessálica (Grécia Central), que na ocasião, massacrou as legiões romanas. Os cônsules avaliaram suas baixas em 15 mil homens contra 4 mil somente das tropas do rei grego invasor, significando uma primeira derrota de destaque. Logo, os itálicos do sul se uniram a Pirro contra Roma. A República se viu envolvida em uma guerra perigosa contra uma nova confederação de povos inimigos, significando o mais sério percalço ao Imperialismo romano até então.

Após a vitória de Heráclea, Pirro ofereceu paz aos romanos, mas logo retomou sua ofensiva, penetrando na Apúlia (sul da Itália, no salto da bota), perto de Ásculo, onde se travaria outro embate de gigantes. Do lado do rei epirota, 70 mil infantes, sendo 16 mil gregos e epirotas, com 8 mil cavaleiros e 19 elefantes, todos ladeados por italiotas do sul da Itália. Por sua vez, os romanos traziam mais de 70 mil infantes, com 20 mil soldados-cidadãos contados no censo e divididos nos comícios centuriatos, auxiliados por mais 8 mil cavaleiros, ladeados por aliados latinos da Campânia (entre o Lácio e a Magna Grécia), incluindo-se ainda, sabinos, volscos e úmbrios, do extremo norte.

No combate que se seguiu, Pirro tornou-se senhor dos campos de batalha, saindo ferido, mas vencendo formalmente.   O evento em questão foi chamado de “vitória de Pirro”, visto que se deu mediante um alto custo para as tropas do rei epirota, tal como atesta um excerto de outro historiador grego, Dionísio de Helicarnassos, do século I a.C.

Os exércitos se separaram; e, diz-se, Pirro teria respondido a um indivíduo que lhe demonstrou alegria pela vitória, que “uma outra vitória como esta o arruinaria completamente”. Pois ele havia perdido uma parte enorme das forças que trouxera consigo, e quase todos os seus amigos íntimos e principais comandantes; não havia outros homens para formar novos recrutas, e encontrou seus aliados na Itália recuando. Por outro lado, como que numa fonte constantemente fluindo para fora da cidade, o acampamento romano era preenchido rápida e abundantemente por novos recrutas, todos sem deixar sua coragem ser abatida pela perda que sofreram, mas sim extraindo de sua própria ira nova força e resolução para seguir adiante com a guerra.

Após a batalha – em que Pirro deixou a Apúlia para o controle dos romanos derrotados, mas contraditoriamente vitoriosos – o rei epirota tornou-se uma espécie de chefe de uma confederação siciliana de cidades-Estado. Pirro era senhor de Tarento e Siracusa, mas logo, os gregos destas duas cidades até então autônomas iriam se sublevar contra tal poder centralizador. Na prática, preferiram o jugo “suportável” de Cartago, mais distante, um Império africano que avançava pelo ocidente, não somente pela força militar, mas também pelo comércio marítimo.

Logo, um exército cartaginês aportava na Sicília em apoio aos tarentinos e siracusanos contra as tropas de Pirro. O rei epirota, de libertador do sul contra os romanos, tornou-se sinônimo de tirano conquistador do mundo helenístico. Em 275 a.C, Pirro voltou à Grécia, falecendo em combate no Peloponeso, no ano de 272 a.C.

A Itália agora seria dividida entre os romanos – situados ao norte, centro e sul, mais especificamente na Etrúria, Lácio, Campânia e Apúlia –  os gregos e seus novos aliados, os cartagineses – estes últimos situados mais ao sul, na Sicília. Logo, os romanos seriam testados novamente em seu expansionismo, agora contra um novo e poderoso império invasor, iniciando-se as chamadas Guerras Púnicas (241 – 202 a.C).

Veja a Parte I

http://fantasticocenario.com.br/2011/10/30/o-imperio-romano-e-a-historia-de-sua-aparente-invencibilidade-percursos-e-percalcos-parte-i/

Não deixe de acompanhar também os contos sobre a Roma antiga, com informações históricas e do cotidiano.

http://fantasticocenario.com.br/2011/11/06/em-roma-cronica-i/

http://fantasticocenario.com.br/2011/11/07/em-roma-cronica-ii/

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  1. Fábio Ochôa
    01/12/2011 às 16:51

    Muito bom, como sempre, o volume de informação é impressionante.
    Curioso para ver o próximo “Em Roma…”

  1. 01/12/2011 às 20:23

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