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Pequeno Guiazinho de Quadrinhos Fantástico Cenário (parte 12)

56. Rocketeer



Vamos aos fatos: tem coisas que simplesmente são legais e Rocketeer é uma delas.
A primeira vez que vi o personagem foi em um Superaventuras Marvel 80 e poucos, onde um anúncio estampava a chamada “um herói como nos velhos tempos”, todo em estilo retrô, parecendo um cartaz de filme B da década de 30, aquilo era tão, mas tão diferente de tudo que era feito na época… Pirei. Queria comprar a tal da Graphic Novel na hora. Porém, sabe como é, guri, 9 anos, mesada, Graphic Novel cara… Ah, os traumas de infância…
Demorou mais uns 6 anos até eu achar o herói como nos velhos tempos em um sebo, devorei a revista caminhando para casa. A trama não era grande coisa, rendendo homenagem a todos os clichês de filmes e quadrinhos dos anos 30, com gângsters, espiões e tudo mais, mas com um refinamento, uma elegância espetacular, os desenhos eram ótimos… Resumindo, não era a obra-prima que eu esperava, mas… Puxa, como era legal.
Com pouquíssimas histórias, o personagem conquistou fãs em todo o mundo, coisa que se nota até mesmo na introdução de Thomas Jane no álbum que reúne todas as histórias dele, foi a primeira vez que vi que não era o único fascinado pelo personagem.
Por uma característica que é difícil de mesurar ou até definir, talvez porque ele simplesmente seja… Legal.
57. Sherlock Time


É bem fácil de identificar um bom trabalho: é aquele que te dá vontade de arregaçar as mangas e produzir.

Um bom roteiro, dá vontade de escrever, um bom desenho, dá vontade de voltar pra mesa de desenho e desenhar.
Foi assim com Sherlock Time, acabada a leitura, deu aquela vontade de pilotar a mesa, sujar os dedos de nanquim e fazer aquele trabalho espetacular como só Alberto Breccia sabe fazer.
Aliás, Breccia é uma instituição dos quadrinhos argentinos, patriarca de uma família de desenhistas, todos ótimos e completamente ausentes do nosso mercado nacional. Vai entender.
Já o roteiro de Sherlock Time é de outra instituição viva, Hector Oesterheld, que desapareceu em plena ditadura.

Acabei achando uma coletânea importada da Sherlock no sebo Monte Cristo, achei uma chance verdadeiramente única, no dia seguinte, curso em Porto Alegre, acabo conversando com um sujeito de Caxias que tinha acabado de comprar… Sherlock Time. Sincronicidade é foda.

Bom, o desenho de Breccia é descaradamente copiado por Frank Miller em Sin City, e todo mundo ainda fica achando o visual da história a coisa mais inovadora do mundo.
E claro que o fato das histórias terem sido publicadas em 1958, ou seja, 35 anos antes das histórias de Miller é apenas um mero detalhe. Ê povo, ê mundo…

Vamos à história, Sherlock Time narra as aventuras de um detetive que viaja no tempo e tem uma nave espacial também, é, eu sei, não parece grande coisa, mas apesar da proposta absolutamente esdrúluxa (1958, lembrem…), até que diverte legal.
O roteiro é bem eficiente, mostrando a competência de Oesterheld em seu ofício, mas os desenhos, meu amigo, os desenhos…
58. Ranma 1/2

 


Ok, sendo sincero, este guia está desconsiderando boa parte da produção mangá.

Isso não se trata de nenhum tipo de preconceito ou desgosto, se trata apenas de puro e simples desconhecimento mesmo. Do vasto universo mangá, o que eu conheço é a mais absoluta minoria de títulos.
O porquê disso é uma soma de fatores, entre eles, talvez o longo tempo de dedicação que eles exigem, afinal, iniciar uma obra já sabendo que ela vai ter 56 partes não é para qualquer um e antes que você diga “ah, mas os comics…” nos comics você pode abandonar o barco assim que um arco se encerra e eles raramente duram mais que 4 ou 6 edições (os que valem a pena pelo menos, não as picaretagens).
Tem também o fator “bonde andando”, onde é muito complicado começar a ler, sei lá, One Piece lá pela edição 36, por exemplo, falta neste velho corpo a energia para catar edições antigas.
Finalmente, existe também a falta de informação sobre os produtos (outras escolas de quadrinhos pelo menos eu tenho alguma idéia do que se trata) e uma barreira cultural grande, que tenho inclusive com o cinema asiático.

Entendam: sou uma criança dos anos 80.
Voltamos então ao nosso 58º lugar: Ranma 1/2 é uma das coisas mais divertidas que eu já li.
O mangá narra a história de Ranma, que treinando na China caiu na “fonte da donzela afogada” e cada vez que se molha com água quente (ou gelada, whatever, não me lembro) vira mulher e vice-versa e os quiproquós (antiguinha essa, né?) resultantes disto, quando vai estudar em uma escola após ser prometido em casamento.
A partir dessa premissa simples, Rumiko Takahashi desfia as mais diversas situações, sempre com um humor absurdo que chega às margens da genialidade, incluindo a figura de seu pai que caiu na fonte do panda afogado, o arquiinimigo Ryoga, que tem o pior senso de direção do mundo e caiu na fonte do porco afogado etc, etc, etc.
E assim a história segue, com doses de ação, romance e muito humor, no fundo, são tudo variações do mesmo tema, é como alguém contar a mesma piada várias vezes, mas sempre acrescentando algo diferente e deixando-a inteiramente nova.
Para quem se interessa por roteiros, com certeza é um caso a se estudar.
Ás vezes parece infinito, mas no fundo do fundo é um daqueles gibis que a gente não quer que acabe.
Agradecimentos ao amigo Pedro, que acabei “herdando” a coleção dele… Só assim para ler toda a história.
59. Hellboy


Uma das coisas que eu mais gosto nos quadrinhos é o seu potencial implícito para o surrealismo.

Como mídia pop e de custo baixo, os valores em risco quase sempre são muito poucos, o que acaba dando margem para que, digamos, certos arroubos de experimentalismo ou idpeias simplesmente muito fora do normal eventualmente apareçam no mainstream.
O que aliás, é ótimo.
O que dizer então deste discreto gibi surgido na Dark Horse nos anos 90, que conta as aventuras de um demônio destinado a destruir o mundo, que vaga caçando outros monstros a serviço de um Bureal especializado em resolver encrencas sobrenaturais?
É uma estranha mistura do horror de H.P. Lovecraft, com o descomprometimento e ação épicas dos universos de Jack Kirby e toques de expressionismo alemão.
Soa estranho né? Pois é. Mas é isso mesmo.
Hellboy tem uma diversão, um descomprometimento e um senso de design realmente únicos, com histórias ágeis, ligeiras, que frequentemente não explicam porra nenhuma, amparadas em um protagonista e um grupo de coadjuvantes que estão entre os mais carismáticos dos quadrinhos modernos.
Cortesia de Mike Mignola, talvez o desenhista mais revolucionário desde… Bem, desde Moebius, acho, e olha que isso faz tempo.
Com série em quadrinhos, filme, animação, games e brinquedos, Hellboy é também uma expressiva vitória dos pequenos, o caso raro de um criador que levou sua obra independente para o grande público, sem ter que ficar preso nas armadilhas das grandes editoras.
60. Top 10

 

Outra novidade da linha ABC Comics, capitaneada pelas barbas descomunais de Alan Moore, Top 10 não fez lá muito barulho.
O que é uma pena, porque a idéia é simples e genial: o dia-a-dia da força policial de uma cidade onde todos os habitantes são super-heróis.
Assim, o título era ao mesmo tempo uma homenagem-sátira ao mundo dos quadrinhos e um drama policial ao estilo Nova Iorque Contra o Crime.
Foi um dos títulos mais subestimados daquela leva, uma pena, porque as histórias eram ótimas e os desenhos de Gene Ha, muito bons, com literalmente centenas de easter eggs escondidos por suas páginas.
E assim seguiam as histórias, com os policiais desvendando assassinatos de deuses, casos de superabusos de mulheres e tudo o mais que a imaginação barbuda de Moore conseguia conceber.
As poucas vendas e a periodicidade irregular (problema crônico da linha ABC, aparentemente Moore só escrevia quando estava a fim) levaram ao título ao inevitável cancelamento.
O que não deixa de ser irônico, dado o seu tema, este era um dos poucos títulos que poderiam seguir indefinidamente.
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