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Pequeno Guiazinho dos Quadrinhos Fantástico Cenário (parte 13)

61. O Pequeno Livro do Rock/O Pequeno Livro dos Beatles

 

Estes dois livros de Hervé Bourhis são fenomenais.

De maneira pessoal e ao mesmo tempo tremendamente universal, Hervé conta em cada um,como diz o título, a história do rock e dos Beatles de maneira veloz, informativa, repleta de referências – e se você não pescar, bem, problema seu.

Sem se preocupar em ser didático e ao mesmo tempo, incrivelmente, conseguindo ser, Bourhis pula de um tópico para o outro em cada quadro, em um ritmo tremendamente caótico e pessoal.

No fundo, ambos os livros são uma descontraída conversa de bar, repleta de informação e conhecimento, acenando mais uma vez, para as possibilidades inexploradas dos quadrinhos.

Recomendando para fãs e não-fãs, aliás,  o trabalho editorial da Conrad neles é espetacular.

Tenha já em sua estante.

 

62. Mesmo Delivery

 

 

Estreia bombástica do pelotense Rafael Grampá nos quadrinhos, Mesmo é a um só tempo um bizarro road comic (se é que este termo existe), uma colagem de referências que passa pelo cinema de Sam Peckimpah e Tarantino, comerciais retrô, filmes B obscuros, animações dos anos 30, videogames e uma das mais instigantes aulas de design e narrativa gráficas vistas nos últimos anos.

Divertido, um tanto nonsense e sem se levar lá muito a sério, Mesmo Delivery é uma das leituras obrigatórias que surgiram nos últimos anos.

Os EUA se renderam ao inovador estilo gráfico de Grampá.

Bom, você devia fazer o mesmo.

 

63. Voodoo Child

 

 

Bill Sienkiewicz, mais do que um nome para curar qualquer problema de dicção, sempre foi um artista que dividiu opiniões, há quem acha ele um péssimo desenhista e há quem acha ele um gênio. Coisas da vida.

Como esta já é a segunda vez que ele aparece neste guia,  já dá para imaginar minha opinião sobre o assunto.

Após algumas obras de sucesso nos anos 80, Bill passou boa parte dos anos 90 fazendo obras artisticamente espetaculares (entre elas o ótimo e ignorado Stray Toasters) e solenemente esnobadas pelo público. Dentre estas, uma das melhores é a quadribiografia (estou bom em inventar palavras hoje) de Jimi Hendrix, Voodoo Child.

Particularmente nunca fui um grande fã de Hendrix, embora não desgoste, digamos que não chego em casa após um dia de trabalho e coloco seus CDs para tocar (aliás, só tenho um dele), mas a biografia realizada por Sienkiewicz é uma daquelas coisas para ler e reler, passando os olhos por cada inovação gráfica presentes em praticamente cada página.

A sua interação entre texto e imagem é exemplar, cada inciante em história em quadrinhos deveria dar uma olhada nelas, antes de pensar em sair por aí fazendo suas garatujas. Dinâmico, informativo, experimental e fácil de ler, é verdadeiramente o trabalho de um gênio em ação.

Nunca saiu em português, mas seja você fã de música, fã de Hendrix, ou simplesmente fã de uma excelente narrativa gráfica, dê um jeito de ter em sua estante.

 

64. Crepúsculo

 

Quem me emprestou foi um amigo, Vinícius, assíduo frequentador do blog. Mal sabia ele o estrago que estava fazendo.

A leitura de Crepúsculo (insira aqui a sua piada sobre a série cinematográfica), do espanhol Pasqual Ferry foi realizada nas condições ideais: quando você não tem nada para fazer, está entediado e não sabe absolutamente nada sobre a obra em suas mãos. Nada, nada que o prepare para o que vem pela frente, restando apenas navegar pelos rumos que a história oferece, sem expectativas, deixando-se levar.

Teve um impacto atômico.

Estava eu, na época, bastante enfadado de quadrinhos, comprando cada vez menos e lendo menos ainda. Ler uma história tão cheia de significados, duplos sentidos, ambiguidades e sequências inesquecíveis foi relembrar porque no fim das contas eu gostava tanto daquela mídia.

Crepúsculo é uma história onde nada é o que parece ser, e ao fim dela, o que realmente aconteceu ou não, depende pura e simplesmente da interpretação de cada um.

Começa com um escritor, com um serial killer na cidade, que pode ser o escritor, ou não, nem ele tem certeza disso, com uma seita chamada sociedade do Crepúsculo que aparentemente possuem poderes satânicos. Ou mentais? Ou não? E que tem relações com o tio do protagonista. Tio? Ou não?

Labiríntica e genial, melhor do que tentar entender os meandros da história é se deixar perder pelo caminho de paranoia e pesadelo que ela estabelece e para os adeptos da teoria de conspiração, imaginar o que realmente está acontecendo diante de nossos olhos.

 

65. Blanche Epifany

 

Este está em 65º lugar apenas por causa daquelas armadilhas que a memória coloca em nosso caminho. Blanche Epifany é uma das coisas mais engraçadas, picantes e refinadas que já vi na minha vida.

Publicado originalmente em capítulos na França nos anos 60 (notem, em plena revolução sexual e cultural), a história narra as desventuras da virginal Blanche, dos recônditos da Paris do século XIX, até os palácios do Saara, tentando manter sua virgindade intacta apesar de todas as ameaças que a cercam, sempre auxiliada pelo misterioso e inoportuno Defensor Mascarado.

Blanche Epifany é um primor do deboche, tirando sarro das novelas lacrimosas do século retrasado, com um senso de humor inteligente, impagável e que nunca resvala na baixaria.

E como se não bastasse, o traço de Pichard é elegantíssimo, uma das melhores comédias que tive a felicidade de ler. Mesmo.

Alguém sabe se houve alguma continuação?

 

Links para outras edições do Guia:

Parte 12

http://fantasticocenario.com.br/2012/01/27/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-12/

Parte 11

http://fantasticocenario.com.br/2012/01/04/pequeno-guiazinho-dos-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-11/

Parte 10

http://fantasticocenario.com.br/2012/01/02/pequeno-guiazinho-dos-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-10/

Parte 09

http://fantasticocenario.com.br/2011/12/27/pequeno-guiazinho-dos-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-9/

Parte 08

http://fantasticocenario.com.br/2011/10/27/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-08/

Parte 07

http://fantasticocenario.com.br/2011/09/12/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-07/

Parte 06

http://fantasticocenario.com.br/2011/08/31/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-06/

Parte 05

http://fantasticocenario.com.br/2011/08/15/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-05-especial-super-herois/

Parte 04

http://fantasticocenario.com.br/2011/08/03/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-04/

Parte 03

http://fantasticocenario.com.br/2011/08/02/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-03/

Parte 02

http://fantasticocenario.com.br/2011/07/26/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-02/

Parte 01

http://fantasticocenario.com.br/2011/07/21/pequeno-guiazinho-de-quadrinhos-fantastico-cenario-parte-01/

 

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Categorias:Entretenimento
  1. 19/02/2012 às 08:16

    Muito bom ver material pelotense nessa lista! Está enorme e muito bem bolada. Parabéns, Fábio.

    • Fábio Ochôa
      23/02/2012 às 17:12

      É o segundo que entra! Rumo aos 150!

  1. 09/05/2012 às 21:08

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