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O Rio Grande do Sul está de luto: morreu Berega

Morreu hoje, aos 77 anos, em Uruguaiana, o artista gaúcho Luiz Alberto Pont Beheregaray, o  Berega. O artista nasceu em 26 de maio de 1934 e desde criança desenvolveu o gosto pela arte, mas somente passou a trabalhar profissionalmente na área na década de 70.

Berega ficou conhecido pelo traço inconfundível, que retratava o jeitão do homem do campo, com riqueza de detalhes. Ele ilustrou diversos livros, quadros e, principalmente os inesquecíveis calendários produzidos pelos Postos Ipiranga. Eu me arrependo hoje de ter jogado fora, mas tive uma agenda toda ilustrada pelo Berega, pelo Iotti e outros artistas, tudo com temática gauchesca.

Nos calendários, assim como em minha agenda, sempre tinha um texto acompanhando a figura. Aqui tem algumas que encontrei no site feito em sua homenagem www.berega.com.br:

Lindo Moço - 1986

Montado como um monarca – bem pilchado, afeitado e endomingado num jeitão mui pachola, a melena “rasqueada” e domada à força de azeite de mocotó. O pingo, um flete de lei que tem o andar de rede e a boca de seda. Este domingo promete muito: carreira, rinha e à noite, talvez, um fandango. Quem sabe se, na volta, a anca do mouro não virá enfeitada com a mais linda e faceira chinoca destes pagos? Vontade e coragem é o que não lhe falta.

Barbearia de Campanha - 1983

Embora a freguesia não seja nada vaidosa, seu oficial é competente, vaqueano na lida que escolheu e buenaço no manejo dos avios do ofício. Costuma transformar as mais rebeldes melenas no caprichado corte denominado “meia cabeleira” e se luzir ao “afeitar” barbas de muitos dias, onde a velha navalha deixa a cara dos bacudos “mais lisa que santo de louça”.

Velhas Mateando - 1985

Lá fora o Minuano toca por diante uma chuva fina e fria. Aqui dentro, em volta do fogo, as velhas, como um bando de gralhas, conversam abrigadas em seus chales, suas saias compridas, seus carpins de algodão e as alpargatas barbudas.
Enquanto charlam, corre o mate doce e o mate com leite acompanhado de sonhos. Um gato – entre tantos – ronrona sonolento num colo amigo.
Sobre o que conversarão? Reminiscências? Vida alheia? Ou quem sabe se Amaro Juvenal não acertou quando escreveu:
“As velhas de seus pecados
Cometidos em outras eras
No bamburral das taperas
Ou no fundo dos cercados”.

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