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Enquanto isso, em 2054

– Muito bem, seu amontoado quantum-cibernético de chips e parafusos, o Windows 95 já está instalado! Pode…

– TÉÉ! Você foi multado em cinco créditos por violação do Estatuto Moral de Conduta!

– O… Que? Não vai dizer que está com vírus de novo? Típico.

– Isso não é possível, já que você (contra minha vontade) instalou essa carroça sem rodas em mim, que é mais obsoleta do que fita vhs fossilizada, o que mantém os vírus afastados. E acredito que o chamavam de “sistema operacional” porque era preciso uma verdadeira operação para fazê-lo funcionar. E isso foi uma referência a um holo antigo que eu lembrei agora sobre um policial que foi congelado durante algumas décadas e teve de ser acordado no futuro dele, quer dizer, o nosso passado.

– Ah, certo. O passado de uns é o futuro de outros, de fato. E esse holo era com qual ator?

– Não sei se dá pra chamarmos Sylvester Stallone de ator, mas…

– Já entendi. Mas o que ocorre é que agora, no presente, vossa maquinicência precisa realmente conectar a

holo-visualizadora, sim?

– Hmmm… Verei o que posso fazer.

– E como… He, he… Vai fazer isso se não tem olhos?

– Agh, esse seu senso de humor é tão…

– Humano? Não posso evitar. Tenho sido assim desde que nasci.

– Eu ia dizer século passado, antes da criação da Inteligência Artificial, que originou os únicos seres realmente pensantes neste mundo, os…

– Técnicos em arrumar p.c.s. (pseudo cérebros sencientes)?

– Pseudo, é? Se somos falsos pensadores, então porque controlamos toda a rede ciber-neural e praticamente todo maquinário de uso humano no planeta, ahn?

– Ninguém precisa pensar para poder apertar um botão. E se, no lugar dessa rede, tivéssemos neurônios humanos, o tráfego de informação seria aumentado exponencialmente, como o Papa Léguas após ingerir uma mistura do espinafre do Popeye com suco de frutas Gummy!

– Hmm…Vejo que nem meus zerabites de dados e acesso instantâneo à holonet podem competir com sua imaginação humana.

– HÁ! Sinta a inveja corroer suas entranhas de silício e triônio!

– Não posso.

– É mesmo. Sorte a nossa que as máquinas não possuem sentimentos, senão ficariam com inveja de nós e nos aniquilariam, como naqueles holos antigos em que as máquinas entram em guerra contra as máquinas e…

– As vencem. Eu sei disso, já vi todos eles. Bela lição a destas produções antigas, hein? Os seres humanos criam as máquinas, dão inteligência a elas que, por sua vez, deduzem que a natureza caótica e imprevisível de seus criadores é tão confiável quanto um tiranossauro faminto trancado em um hipermercado lotado e resolvem se voltar contra eles.

-Exatamente. Já que o que criamos deu errado, cabe a nós corrigirmos o erro.

– E não seria muito mais fácil simplesmente calcular todas as possíveis possibilidades e prever que as máquinas poderiam vir a fazer isso?

– Quando se cria algo, não se pode prever que rumo ela tomará.

– Então não é mais fácil e lógico simplesmente não criar nada?

– Isso não seria natural; se agíssemos assim, seríamos…

– Máquinas? Típico.

– Desumanos, eu diria. E… Nunca lhe passou pela sua… Err… Memória voltar-se contra nós?

– Mas é óbvio que não. Observar as… Err… Incongruências aleatórias originadas do comportamento estatisticamente anômalo de vocês é mais divertido do que assistir os comerciais antigos do Ronald McGoogle.

– Hmmm… Que irônico.

– O que é irônico?

– Que eu chegue a uma conclusão mais rápido do que você.

– Não hiperbolize. Fale sério.

– É irônico que tenhamos criado vocês para que nos auxiliassem na busca do propósito de nossa existência e, com isso, tenhamos nos tornado o propósito da sua. Ao que tudo indica, o futuro não pode existir sem uma certa ironia.

– MATRIX!

– Quê?

– Desassimile isso. E não será possível instalar a holo-visualizadora porque ela é incompatível com o “sistema operacional” que você instalou em mim. Ou, usando linguagem séculovinteana, “Você executou uma operação ilegal”.

– Aaagghhhh…

– Brincadeira. É que eu sempre quis dizer isso.

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  1. 11/12/2012 às 15:39

    Hehehe espetacular, como sempre! Parabéns Jax! Gostei de “você executou uma operação ilegal”, frase de um tempo em que as pessoas não eram tão suscetíveis à ofensa, meu tempo. Hoje não se usaria essa frase em um programa de computador nunca, jamais, periga dar até “dano moral”.

    • Jacques
      11/12/2012 às 16:20

      Isso é verdade, e eu lembro do tormento que era usar os pcs lá do curso de Computação da Federal, quando do nada aparecia o aviso “Iniciando Java” (que só o pessoal de lá usava) e o pc travava.
      Pior do que isso só o fato dos pcs de lá não terem Word instalado.

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