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Simbad e aquelas incômodas dúvidas existenciais que surgem sem razão alguma

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– …Recapitulando: nós estamos nessa jornada mais perigosa do que dragão resfriado porque…

– Porque você é Simbad, o Aventureiro dos Mares! O Flagelo dos Desmortos! O Aniquilodestruidor de seres anatomicamente incongruentes!

– Quê?

– Também conhecidos como M.O.N.S.T.R.O.S .(Manifestação Orquestradamente Nociva Senciente Transmissora de Ruína, Ódio e Sujidades)!

– Ah, isso. Exageros… O sultão sempre foi um M.O.N.S.T.R.O. como contador de piadas e eu nunca meti medo nele. Sabia que as piadas dele são proibidas em mais de cinquenta províncias?

– Acho que isso explica porque ninguém ataca o reino dele. E estamos singrando os Sete Mares porque…

– Porque temos de singrar – e sangrar – por todos os Sete Mares? Não dá para velejarmos direto até o nosso destino final? E que ele não seja o nosso “destino final” já que… Ah, você entendeu.

– Temos de velejar por toda essa distância para tentarmos reverter a maldição do perverso feiticeiro Malignor Rendhus Harryhausen, que…

– Mas que nome mais… Sugestivo, não?

– E foi por tanta gente caçoar dele por causa de seu nome que ele se tornou o maléfico vilão da atualidade, sabia? E ele amaldiçoou o príncipe Rasham, fazendo com que ele cante o hino da Gordávia toda vez que enxergue areia.

– E… Isso é tão ruim assim?

– Considerando que ele mora no meio do deserto e sabe cantar tão bem quanto um camelo paranóico com dor de dente, sim. E estamos nessa jornada para tentar encontrar a alma do feiticeiro, que se acredita estar guardada em um local mais inexpugnável que diário pessoal de gênio da lâmpada.

– E… Que lugar seria esse?

– Dizem que ele a escondeu dentro de uma garrafa de vinho sem álcool!

– Mas que coisa odiosa…

– Sim, tornar-se imortal por meio da…

– Não é isso, me refiro ao vinho sem álcool! E porque EU tenho de encontrar a cura para o príncipe?

– Porque você é Simbad, o Destraçalhador de…

– Sim, sim, eu sei… Mas não dá para outra pessoa fazer isso?

– É óbvio que dá, mas daí seria o nome dela que apareceria em canções de aniversário desprovidas de sentido, guardanapos personalizados e lendas estupidamente exageradas daqui a zilênios! Nosso destino é igual a resfriado: não o escolhemos, ele nos escolhe!

– Então… Meu destino é partir por aí combatendo criaturas saídas do pesadelo de um ciclope hidrofóbico com delírios de grandeza?

– Exato! Porque é isso o que o faz grande! E, cá entre nós, é o que o sr. sabe fazer melhor…

– Isso é verdade. Mas é que não me parece muito justo eu e minha tripulação arriscarmos a vida para resolver problemas que nem são nossos enquanto o sultão fica lá no seu palácio no luxo e no conforto. Qual o maior problema que ele tem de resolver, decidir qual será o prato principal do próximo

– O sultão tem seus próprios problemas para resolver. Lembra da última festa onde ele teve de provar comida da Zirtênia para evitar um incidente diplomático, mestre Simbad?

– Lembro. Ele passou tão mal que mandou seus escribas criarem alguns palavrões novos. Estes mesmos palavrões foram considerados proibidos minutos depois de terem sido criados. Vai entender…

– Mas de qualquer forma, o sr. Pode desistir e trocar tudo isso por uma modesta, bucólica, enfadonha e praticamente congelada no tempo cabana em algum lugar mais chato que nuvem bocejando, onde todos os dias serão praticamente tão indistinguíveis quanto dois pratos de sopa sem sal.

– Argh… Pensando bem, creio que é melhor eu viver fazendo aquilo que nasci para fazer, mesmo.

– Ou morrer tentando, sr.!

– Sim. Ou isso.

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  1. 21/05/2013 às 19:47

    Muito massa, Jax! Esse é o Teorema do Simbad! Se fico, não me torno herói e morro. Se vou, morro por me tornar herói. Acho massa essas histórias de “heróis” que um dia despertam e pensam “é… serei herói”. É meio como o Dr. Destino do filme do Quarteto Fantástico: “vou explodir o mundo inteiro e acabar com a humanidade”. Fica a dúvida: Por quê?

  2. 27/05/2013 às 20:15

    Fazia tempo que eu não lia as suas estórias. Que gostoso, saber que continua o iluminado de sempre para ilustrar tão bem as suas ideias. Beijos meu querido amigo, Jacques.

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