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As melhores hqs de 2014

Seja pelo fato do cinema estar adaptando vorazmente hqs com mais voracidade do que fã da Beyoncé em site de fofoca ou por simples e bucólica fodasticidade auto-intrínseca, fato é que 2014 foi um ano excelente para os quadrinho, tanto no quesito super-herói quanto nas histórias mais aleatórias do que Ronnie Von jogando AD & D com o Roberto Justus. Vamos a elas:

– Trees, de Warren Ellis e Jason Howard

Jason Howard

 

A primeira hq que li deste genial autor foi o Excalibur nos tempos do Wolverine em formatinho da Abril e simplesmente detestei, achei mais chato que reprise de Grey’s Anatomy em turco; mas desde Autorithy, Planetary e Transmetropolitan tornei-me fã desse cara capaz de ensinar física quântica a um leitor de Crepúsculo.

Trees nos mostra uma visão diferenciada da clássica e overabusada invasão alienígena, onde, como num dia de temporal em São Paulo, árvores gigantescas descem do céu, pousam em lugares aparentemente aleatórios do globo e nada mais fazem além de nos ignorarem como só as árvores e gatos gordos sabem fazer.

Para quem espera ação michaelbayniana desenfreada, pode esquecer, o negócio aqui é roteiro primeiro, tiro-porrada-sangue depois, já que Ellis utiliza o cenário para mostrar problemas político-sociais relevantes e sempre atuais.

 

– She-Hulk, de Charles Soul, Javier Pulido, Ron Wymberli e Kevin Wada

Javier Pulido

 

A Mulher-Hulk é aquele típico personagem que só funciona em histórias relativamente curtas e fechadas, já que não possui nenhum grande motivo para atuar no cenário super-heróico e Charles Soule (que parece ser o Beneditch Cumberbact das hqs, já que está em tudo que é lugar) conseguiu criar uma série em que Jennifer Walters aparece ora lutando contra robôs defeituosos, ora defendendo pessoas comuns no tribunal, numa narrativa leve e descontraída, bastante semelhante à fase atual do herói abaixo.

Esta é uma hq que mostra que não existe personagem fraco, e sim roteirista preguiçoso e mal pago.

– Demolidor de Mark Waid, Chris Samnee e Javier Rodriguez

Javier Rodriguez

 

Mark Waid tem uma espécie de Toque de Midas no que se refere aos personagens que escreve (até agora, a única hq dele que não gostei foi a Legião dos Super-Heróis pré reboot), já que procura se concentrar no personagem e não no mundo em que ele se encontra, criando histórias divertidas e deliciosamente agradáveis de se ler.

Seu Matt Murdock é irônico (tira sarro de si mesmo ao usar um suéter onde está escrito “Eu Não Sou o Demolidor”), desencanado (como foi o seu Flash) e trollador, e enfrenta inimigos do décimo escalão, como o Fenda, Toupeira, uma cópia desgarrada do Garra Sônica e por aí vai.

Não contente em desvirtuar a vida do “Batman da Marvel” (como ele chega a ser chamado em dado momento), Waid ainda remexe no seu passado, resgatando a pouco conhecida relação entre os pais de Matt e os motivos pelo qual eles nunca ficaram juntos.

Se nos últimos anos virou modinha ferrar com a vida do Matt, Waid resolveu ir pelo caminho oposto e, é claro, acertou em cheio.

 

– Saga, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Fiona Staples

 

Brian K. Vaughan é uma espécie de John Ostrander atual e um dos melhores escritores da atualidade, sempre envolvendo temas sociais e políticos (como na excelente Ex-Machina) com enredos interessantes e personagens curiosos, e com Saga não é diferente, já que aqui ele se utiliza do megaclichê “inimigos ideológicos (Marko, (a magia) e Alana, (a tecnologia)) que se apaixonam e colocam em risco o status quo vigente” para nos brindar com uma envolvente e vibrante, cheia de reviravoltas e conflitos pessoais divertidíssimos.

E o traço limpo e expressivo de Fiona Staples é perfeito para narrar este quadrinho que já nasceu clássico.

– Cavaleiro da Lua, de Warren Ellis, Brian Wood, Declan Shalvey e Greg Smalwood  

Declan Shalvey

 

O multi-personalizado Marc Spector é outro personagem que só funciona em histórias pequenas e independentes, embora aqui Ellis e Wood mostrem o que ele é mais desperdiçado e mal aproveitado do que wi-fi em comunidade amish.

E dá muito bem para ser um vigilante encapuzado sem ser exageradamente sério e sombrio, basta saber dosar o absurdo de se ter o deus egípcio Konshu como confidente e mentor com a seriedade de acreditar nele.

Spector aqui é uma espécie de guardião da cidade, rodando de limusine à noite observando as ruas e as pessoas à procura de acontecimentos mais estranhos do que ele próprio.

Ellis e Wood souberam muito bem criar uma atmosfera de mistério e misticismo sobre este subestimado e curioso super-herói, tratando-o com dignidade e admiração.

– Jupiter’s Legacy, de Mark Millar e Frank Quitely

Frank Quitely

 

Mark Millar é considerado por muitos leitores um picareta maior do que o Bill Gates e o Stan Lee juntos, que suas histórias seguem a forma michaelbayniana de se ver o mundo, com muita explosão e pouca (ou nenhuma) profundidade dos personagens, mas o fato é que Jupiter’s Legacy é uma grande hq sobre a corrupção de superseres que com o passar do tempo passam a sentirem-se mais e mais distantes dos humanos normais.

A história conta como alguns jovens descendentes de super-heróis da velha guarda (representados pelo poderoso Utopiano, uma espécie de Superman envelhecido) pretendem mudar a forma como são tratados e resolvem chutar tudo que estiver na frente para tomar o poder.

As ilustrações únicas e de tirar o fôlego de maratonista queniano de Frank Quitely são perfeitas para mostrar meta lutas e a perspectiva singular que estes personagens têm do planeta, originando uma fluida e curiosa narrativa.

– Ms. Marvel, de G. Willow Wilson, Adrian Alphona e Jake Wyatt

Ms. Marvel (2014-) 002-010

Adrian Alphona

 

Este é um exemplo do que toda história de super-heróis poderia, deveria e mereceria ser, uma trama simples, com uma inexperiente adolescente muçulmana (Kamala Khan) megafã dos heróis que ganha poderes através das Névoas Terrígenas e precisa usá-los para tentar sobreviver à puberdade.

Nada do clichê “nerd que ganhou poderes em acidente de laboratório sendo caçado por organização governamental cheia de operativos mais burros do que o Batman de TDKR”.

Diversão, poderes estranhos, personagens cativantes e trama leve, sem nada de mega eventos e atrelamento a décadas de cronologia confusa e desnecessária.

– A Multiversidade, por Grant Morrison, Frank Quitely, Ivan Reis, Chris Sprouse e Cameron Stewart

Frank Quitely

Frank Quitely

Grant Morrison na atualidade só não tatua “Eu Quero Ser Alan Moore” na testa porque Moore deve ter entrado na Justiça impedindo-o de fazer isso, mas, apesar de tudo, ele ainda segue escrevendo bem de vez em quando.

Multiversidade é uma história que chuta o balde no tema Multiverso, utilizando o manjado tema da ameaça pan dimensional para unir personagens de diferentes universos, utilizando a mesma ideia que aparece em Tom Strong, onde o que acontece em um mundo aparece na forma de hq em outro.

Como de hábito, Morrison exagera um tanto na verborragia científica, mas o resultado é positivo, já que isso não chega a ser entediante já que a história funciona como uma homenagem às hqs de super-heróis e sua lógica e funcionalidades próprias.

– D4VE, de Ryan Ferrier e Valentin Ramon

Valentin Ramon

Esta dupla de artistas é pra mim uma novidade tão grande quanto a editora a que esta excêntrica hq pertence, a Monkeybrain Comics.

D4VE nada mais é do que um sujeito (no caso, um robô) normal que possui um trabalho tedioso e detesta sua vida e programação, e tem suas preces atendidas quando ets resolvem invadir seu mundo, começando por sua cidade.

Apesar de uma trama aparentemente clichê, esta mini-série vale a pena pelo humor bizarro e o ineditismo de vermos robôs vivendo um cotidiano de seres humanos.

– Lazarus, de Greg Rucka, Michael Lark, Brian Level e Tyler Boss

Lazarus2_001

Michael Lark

 

Acho o Rucka tipo filme bom reprisado na tv aberta: você só dá atenção se não tiver nada melhor pra fazer e até hoje a única hq dele que gostei de verdade foi a maxi-série 52, onde foi mostrado que o Universo DC pode muito bem funcionar sem a trindade Superman, Batman e Mulher-Maravilha.

Nesta instigante história, somos apresentados a um cenário de ficção científica onde Forever Carlyle é uma mulher modificada geneticamente para jamais morrer em ação (a chamada Lazarus da família Carlyle) e doutrinada para ser fiel a esta família, num mundo onde estes grupos privilegiados exercem o poder como bem desejam.

A história começa quando Forever passa a descobrir a verdade sobre sua origem e tem de decidir de que lado ficar.

Ou seja, ela vai chutar mais bundas do que um Paul Thomas Anderson apaixonado.

 

 

– Lumberjanes, de Noelle Stevenson, Grace Ellis e Brooke Allen

Brooke Allen

 

Pessoalmente não curto o estilo caricato e exagerado muito usado ultimamente em desenhos animados talvez para tentar diferenciá-los de alguma forma dos demais, mas esta divertida e simpática história é uma agradável mistura de Scooby Doo com Gravity Falls, contando os apuros de um grupo de adolescentes em um acampamento rodeado de criaturas bizarras e mistérios capazes de fazer qualquer um com bom senso fugir antes de terminar de perguntar sobre eles.

Felizmente, não é o caso destas abiloladas meninas que colocam o senso de aventura e curiosidade acima do instinto básico de sobrevivência.

Estas foram, na minha opinião, as melhores (ou, pelo menos, as que eu li) hqs do ano passado, resta esperar mais surpresas positivas neste meio onde Rocket Racoon vende mais do que o Batman.

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