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Glórienn – Mortalidade e Imortalidade

Depois de um longo recesso estou de volta! Abaixo vai um fanfic antigo meu ambientado no cenário do RPG Tormenta. Cheguei a dar uma revisada por cima antes de postar, mas sendo sincero tem muito o que melhorar, para ficar do jeito que deveria precisaria dobrar o numero de páginas. Entretanto, como não estou com muito tempo e quero postar ele agora, lá vai:

Glórienn – Mortalidade e Imortalidade

Kundali, Reino de Tauron.

Na Arena da Glória, o poderoso casco de Tauron atingiu o rosto de Glórienn, quebrando seu nariz e lhe arremessando em direção ao muro da arena. Enquanto cruzou o ar ela cuspiu alguns dentes e relembrou as lutas anteriores.

Sua luta de estréia foi contra um poderoso minotauro paladino do Deus da Força. Essa foi seu primeiro combate como uma deusa menor, uma mortal. Glórienn ainda sem muito entusiasmo pelo torneio conseguiu com certo custo se manter em pé de igualdade com o guerreiro sagrado. Até que ele a feriu, com um doloroso corte de machado no abdome. Pela primeira vez ela sentiu a dor que um elfo sente e teve medo, não da morte, mas da dor em si. Nesse momento instintos muito mundanos de autopreservação se manifestaram, e num instante, o paladino se viu em meio a um furacão de lâminas.

— Por Tauron o mais forte venceu. — murmurou o minotauro enquanto a morte o acolhia.

O público impressionado, então começou a clamar o nome de Glórienn, que foi tomada por uma satisfação e um orgulho bastante mundanos.

As lutas que se seguiram apenas acenderam nela cada vez mais o amor pela batalha, uma verdadeira mortal lutando na maior arena da existência em honra ao Deus da Força, o líder do Panteão. A satisfação, o medo, a dor e a alegria aos poucos a transformaram.

Pouco após o meio do torneio seu oponente foi um impressionante elfo guerreiro. Ela ficou horrorizada com a idéia de feri-lo, mas nos olhos dele percebeu apenas a antecipação, o desejo de machucar e destruir a deusa que decepcionou seu povo, ódio puro por ela. Ao começo da luta Glórienn tentou argumentar com o elfo, acalma-lo, chegou a ponto de soltar suas armas, mas ele apenas aproveitou esses gestos para feri-la severa e repetidamente, tanto com golpes de cimitarra, quanto com palavras. E foram as palavras que mais doeram, as acusações, a maioria verdadeiras, sobre seus atos, sua fraqueza e sua covardia. Mais uma vez as emoções da recém adquirida mortalidade lhe dominaram.

Tomada por indignação e fúria, a deusa menor dos elfos atacou com os próprios punhos. Urrando, ela descarregou todo seu ódio no guerreiro, parando pouco antes de matá-lo, deixando-o inconsciente e estirado em uma poça de sangue no chão, o rosto destruído pelos poderosos golpes. Glórienn lhe deu as costas e no caminho para deixar a arena recolheu suas espadas do solo, mas o guerreiro se ergueu usando reservas de força vindas do mais forte ódio e avançou para executá-la. Tão rápido e súbito foi seu movimento que a platéia nem mesmo percebeu, até que Glórienn se voltou no ultimo instante.

— Me desculpe. — disse a deusa. E o decapitou.

Enquanto chorava nos bastidores, seus pensamentos finalmente pareceram clarear. Pela primeira vez em anos ela tomou decisões determinadas e traçou planos concretos, sem duvidas, sem medo. Naquele instante, aqueles entre seus irmãos que ainda tinham interesse nela perceberam o nascimento de uma nova Glórienn. Tauron apenas sorriu e ponderou como iria punir os pensamentos de independência de sua escrava após a competição.

Para a final do maior torneio de gladiadores de todos os tempos, como não podia deixar de ser, chegaram Glórienn e o avatar de Tauron. Antes de entrar na arena ela pediu a seu senhor que todos os mortais de Arton com sangue élfico testemunhassem a luta, em uma visão ou em sonho e foi atendida.

A batalha começou e Glórienn lutou melhor do que nunca, mas o avatar da Força se manteve em vantagem.

O impacto com o muro a trouxe de volta de seus devaneios. A deusa lutou para se levantar do chão, a poderosa mão esquerda de seu oponente prendeu seu pulso direito e a outra se preparou para descer o poderoso machado e dividi-la em duas, ela tentou se libertar usando técnicas marciais sofisticadas, criadas pelos elfos com o intuito de usar a força de seus inimigos contra eles mesmos. Contra qualquer outro oponente ela teria girado seu pulso para fora e como em um passe de dança, passaria por baixo do braço de seu inimigo, cortando-o primeiro com a espada da mão livre e depois com a da direita. E como parte do movimento se libertaria deixando seu oponente em posição vulnerável, mas foi como se a força sobrenatural do avatar se recusasse a ser usada contra ele próprio.

O movimento de Glórienn foi interrompido na metade e o golpe que ia acertar seu tórax atingiu seu cotovelo direito dobrado. Sem dar atenção à dor excruciante ela aproveitou a liberdade, pisou no joelho semiflexionado do avatar e saltou girando, usando a espada que ainda lhe restava para fazer um corte fundo na lateral da cabeça dele, arrancando seu chifre esquerdo. Voltando ao solo Glórienn concluiu seu giro ao se agachar e decepar a pena esquerda de seu oponente logo a baixo do joelho. Ele caiu com o rosto para o chão e a deusa se levantando em um salto, caiu com a ponta da espada na nuca do avatar.

Tauron, o Deus da Força ficou em pé em sua tribuna, estupefato! Havia perdido sua escrava mais preciosa.

— Glórienn, minha escrava e deusa menor dos elfos, você é a campeã. Provou sua força, você é a maior guerreira do multiverso. — retumbou pela arena a voz do Deus Maior. — O premio além da glória é a realização de um desejo, qual o seu pedido.

— Desejo a liberdade do povo élfico. POIS DESTE MOMENTO EM DIANTE EU GLÓRIENN, MÃE DAS RAÇAS ÉLFICAS, SOU A DEUSA DA LIBERDADE! — gritou a divindade em frente ao publico da arena e aos elfos de Arton. — E sendo uma elfa, agora serei livre. — concluiu.

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Imediatamente após o termino do torneio começaram grandes comemorações em honra a sua campeã e a seu organizador.

— Por que você decidiu mudar sua área de influencia? — Tauron perguntou a Glórienn mais tarde já em seu palácio.

— Você criou os minotauros, mas na verdade é o Deus da Força, um conceito que tem influência em todas as raças. O mesmo vale para os outros deuses que criaram mortais, por isso vocês são poderosos. Eu era a Deusa dos Elfos e a queda deles foi a minha. Era o elo fraco da corrente. Mas quando voltar a ser uma Deusa Maior isso será diferente.

— Não há retorno, lembre da cerimônia onde seu status como Deusa Maior foi extirpado — disse Tauron, com um toque visível de pena e carinho, já pensando em alguma forma de no futuro escravizá-la novamente.

— Não há retorno para Glórienn Deusa Maior dos Elfos, mas ela não existe mais. Agora sou Glórienn, deusa da liberdade — respondeu a deusa com uma imensa determinação visível em seus olhos.

— Você vai embora? — perguntou já sabendo que sim.

— Quando amanhecer, mas está noite você terá uma mulher livre em sua cama — e ao dizer isso Glórienn se dirigiu ao quarto de Tauron.

Bastante impressionado e ansioso, o Deus a seguiu.

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Em algum lugar de Sambúrdia.

O Rei das Fadas estava caçando. Uma presa havia invadido o seu território em Pondsmânia e rapidamente deixado o reino, mas a Caçada Selvagem não se importava com as fronteiras, seu alvo não iria escapar.

Os caçadores chegaram até os restos bem escondidos de um acampamento. A temperatura do solo onde esteve à fogueira indicava que sua presa saíra a menos de uma hora. O Rei das Fadas sorriu, o fim desta caçada estava próximo.

A flecha que passou de raspão por seu ombro esquerdo lhe mostrou quem na verdade era a presa. Ele olhou para trás e viu a elfa.

— Despistei a Caçada Selvagem pelo tempo que quis, trouxe vocês até uma armadilha e apenas poupei sua vida por um capricho meu — disse a deusa menor da liberdade, com um sorriso nos lábios.

— Exijo seu poder e autoridade, mas não aceito nenhuma de suas obrigações, restrições, deveres ou juramentos. Você contesta meus direitos?

A gargalhada do Líder da Caçada retumbou por Greenaria e ele se ajoelhou.

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Pondsmânia, o reino das fadas.

Em Sylarwy-Ciuthnach a Rainha Negra correu em direção à Árvore Negra. A pequena comitiva que lhe acompanhou em seu encontro com o Rei das Fadas foi destruída no meio do caminho e ela teve que fugir da Caçada Selvagem sozinha, mas ela sabia que quando chegasse ao palácio, seu maldito marido traidor teria o que merecia.

A Rainha adentrou a árvore Negra gritando ordens a seus soldados e não encontrou ninguém. Ninguém exceto a Caçada Selvagem, a sua frente o Líder da Caçada, seu marido, pronto para a matança.

Acima dela surgiu então um clarão intenso, seus olhos arderam com a luz, mas a Rainha Negra não pode evitar olhar para ela. Em meio à luz desceu um majestoso guerreiro trajando uma magnífica armadura brilhante, asas tão flamejantes como a espada em suas mãos, transportando-o pelo ar, morte resplandecente caindo sobre a Rainha.

Por um breve instante ela se encolheu de medo, até que percebeu a ilusão, mas já é tarde demais. A imagem do anjo vingador desapareceu deixando em seu lugar a deusa menor da liberdade.

— Amedrontei você, a rainha do medo. Me entregue todo seu poder e autoridade, mas nenhuma de suas obrigações, restrições, deveres ou juramentos.

— Foda-se — respondeu a Rainha Negra, mas entregou.

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Em Linnanthas-Shaed, Glórienn foi recepcionada com todas as honras no Castelo Daennhan. Os arautos a anunciam como Glórienn deusa menor da liberdade, mãe das raças élficas, rainha da Terra das Sombras e Líder da Caçada Selvagem.

Durante muitas horas ela participou dos jogos e futilidades da corte da rainha Thantalla-Daedelin, lhe impressionando e ganhando sua confiança, usando a mentalidade fútil e caprichosa da Dama a seu favor, até o momento certo.

— Veja! Um tabuleiro de xadrez. Faz anos que não jogo uma partida. — falou Glórienn com ar de inocência.

— Verdade? Então vamos jogar. Três partidas. Para cada uma que você vença, vou lhe conceder um desejo — respondeu Thantalla, com a certeza que não seria derrotada.

A primeira partida Glórienn venceu após uma disputa demorada e quase informal, em meio a conversas sobre roupas, festas e rapazes.

— Hora, vejam só, é a primeira vez que alguém me vence uma partida. Parabéns minha querida — mentiu a Rainha das Fadas com um sorriso encantador em seus lábios.

A segunda partida a deusa da liberdade venceu em uma partida também demorada, mas silenciosa e tensa, uma vez que Thantalla-Daedelin estava determinada a não ser derrotada outra vez.

— Parece que ganhei mais uma vez. Nimb deve ter rolado bons dados para mim — comentou Glórienn em meio a uma risada.

— Sim, mas é a ultima partida que é realmente importante e nem seu irmão vai poder ajudá-la! — disse a Rainha das Fadas em tom de brincadeira. Mas deixando transparecer sua raiva no olhar.

A terceira partida Glórienn venceu rapidamente.

— MALDIÇÂO! — gritou Thantalla-Daedelin enquanto arremessava o tabuleiro na parede.

— Parece que tenho direito a três desejos.

— Diga logo o que quer — declarou impaciente a Rainha.

— Toda a sua autoridade.

— Todo o seu poder.

— Nenhuma de suas obrigações, restrições, deveres ou juramentos.

— FEITO! — respondeu a ex-rainha das fadas depois de alguns instantes de choque.

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Na sala do trono do Castelo Daennhan os três ex-monarcas da terra feérica se ajoelharam em frente a sua nova senhora. Cerimônias formais de coroação foram realizadas e Glórienn sagrada a Imperatriz de Pondsmânia, o local que os mortais acreditam ser um reino, mas que na realidade é apenas uma amostra do mundo das fadas. Naquele momento todos aqueles com sangue feérico receberam em suas mentes e almas a mensagem de que Glórienn, a deusa menor da liberdade, mãe das raças élficas, era agora imperatriz das fadas.

Com a sagração ocorreu uma transformação, ela própria se tornou uma lady feérica, uma mudança com reflexos visíveis em sua forma, que passou a transparecer o amadurecimento que teve após a queda do panteão, sua estatura aumentou; seu quadril e busto se desenvolveram; seus olhos agora sem pupilas tomaram uma magnífica e intensa tonalidade de azul claro; e seu cabelo púrpura cresceu até a altura do quadril. Da imagem de uma adolescente frágil e triste, passou a ser uma mulher adulta forte e determinada.

Seus recém adquiridos poderes foram usados para aproximar e ancorar o mundo das fadas a Arton, pois um dos maiores segredos da Pondsmânia é que a região na verdade existe em dois planos de existência ao mesmo tempo, Arton e Faerie. A região inteira é uma imensa passagem entre os mundos e até então por vontade de Thantalla-Daedelin era o único ponto onde eles se aproximavam. Por toda Arton surgiram conexões entre os dois planos, mas isso não causou nenhum tipo distúrbio no cosmo. Na verdade foi como se algo que estava faltando finalmente se encaixasse. Houveram conseqüências, é claro. Entre elas a que Glórienn buscou com seu ato: daquele momento em diante as fadas e seu mundo não tiveram mais qualquer vulnerabilidade especial aos efeitos da Tormenta, sendo afetados por ela tanto quanto os mortais.

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— Se jurarem fidelidade a mim como sua imperadora, receberão seus títulos de volta e seus súditos e domínios responderão a suas vontades como faziam antes, desde que não estejam contradizendo a minha. — proclamou Glórienn.

E os três fizeram seus juramentos.

Seu primeiro descanso após a coroação foi marcado pelas lembranças de sua queda.

Muitos seres são classificados como imortais, por não serem afetados pelas agruras do tempo e da doença, mas apenas os membros do Panteão, os vinte Deuses Maiores, ainda não tiveram esse titulo contestado, pois em bilhões de anos nunca um deles pereceu e acreditasse que em seus Reinos não podem ser destruídos permanentemente. Com a ascensão feérica a deusa da liberdade havia atingido o mais próximo desse status possível.

Até pouco tempo Glórienn era uma das verdadeiras imortais, a Deusa Maior do Elfos. Sua queda começou com a invasão de Lenórienn pela Aliança Negra e a derrota de seu avatar nas mãos do General Thwor Ironfist. Fatos que abalaram muito a fé que os elfos depositavam nela e lhe levaram ao mais profundo desespero, tristeza e medo, o que anos mais tarde levou a sua queda definitiva do Panteão.

Após a tomada de Lenórienn, Tauron o Deus da Força, da Coragem, da Proteção dos Fracos pelos Fortes e criador dos minotauros, veio a ela e ofereceu proteção em troca de escravidão. Por receio de condenar a si mesma e aos elfos a servidão eterna, durante muito tempo a deusa não aceitou a oferta, nem mesmo com a promessa de que se aceitasse, após tornar-se uma escrava, o Deus da Força lhe ofereceria uma chance de reconquistar sua liberdade no maior torneio de gladiadores da criação e ainda manter sua proteção.

A queda veio e Glórienn, agora deusa menor dos elfos, aceitou a proteção de Tauron. Tão grande era seu sofrimento que isso lhe trouxe alivio e mesmo alegria. Por um momento chegou a pensar em desistir de participar do torneio, pois achava sua nova condição protegida e sem responsabilidade muito satisfatória, mas a recém adquirida mortalidade mostrou seu peso, pois na presença do Deus da Força seus novos instintos e mente mortal imploraram pela oportunidade de servir a seu novo mestre, demonstrando sua força e coragem na arena. Até porque sabia, ainda que não admitisse que após suas lutas, teria qualquer ferimento curado por Tauron e mesmo a morte seria revertida, além disso, embora não houvesse notado no momento, escondida nos recantos mais profundos de sua alma estava à esperança de ser bem sucedida.

A deusa da liberdade saiu de sua meditação com a consciência que precisaria da ajuda de pelo menos um de seus irmãos. Não querendo dever nada a Tauron e não tendo certeza de quem concordaria em apoiá-la, começou a imaginar como abordar diversos deles, apesar de esperar resolver tudo na primeira visita.

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Magika, Reino de Wynna.

Em seu majestoso castelo, Wynna Deusa Maior da Magia recepcionou sua irmã com um abraço.

— É bom ver que você está bem — afirmou sinceramente a Deusa da Magia.

— Obrigada. Prometo que vou cuidar de seus filhos feéricos melhor do que cuidei dos meus.

A gargalhada de Wynna ecoou pelo palácio e trouxe alegria a todos os habitantes de seu mundo.

— Tenho certeza que sim minha irmã. Mas de onde veio seu interesse pelas fadas? Por que se tornar a maior delas?

— Você já sabe a resposta. Esse é o maior poder que poderia conquistar com exceção da Divindade Maior. E também imortalidade; ou pelo menos o mais próximo disso.

— Imaginei, mas queria ouvir da sua boca. Aceita um chá?

— Vim aqui lhe pedir ajuda. Gostaria de transformar todos com sangue élfico em seres feéricos, mas só o poder de um Deus Maior é capaz de um feito desses.

— Hum, seria divertido, porém não é tão fácil quanto fazê-los ter uma visão. Posso transformar os seus elfos, mas outros deuses têm influência na origem das demais raças élficas. Se você conseguir a autorização deles, considere feito. E quanto aquele chá?

— Eu adoraria.

— Você percebe que com isso, ganharei muito mais seguidores entre os elfos do que você?

— É claro, mas será bom para eles — respondeu Glórienn honestamente depois de um gole de chá.

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Arton, Montanhas Sanguinárias, próximo ao Monte do Dragão Adormecido.

— Olá Hydora, é um prazer finalmente conhece-lo pessoalmente — cumprimentou a deusa da liberdade.

— Ora, vejam se não é Glórienn, ex-Deusa Maior dos Elfos. O que você quer bípede? — disse o Rei-Dragão Azul com certo desprezo.

— Sou mãe de todas as raças élficas, mas você é o pai dos elfos-do-céu. Tenho um presente para eles, algo que vai diminuir as limitações que a herança élfica traz. Mais poder para seus filhos. Então, poderoso Hydora, você aceita que eles recebam essa benção?

— E devo acreditar que você não quer nada em troca por isso?

— O preço já está pago, quero que eles tenham a liberdade de tomar suas próprias decisões. E isso você já lhes deu.

Dragões são criaturas muito orgulhosas e poderosas, mas nem um pouco tolas, Hydora percebeu que não pode honestamente determinar se sairia vitorioso em um conflito contra Glórienn, embora o mais provável fosse que sim, mas então, não havia como prever a reação dos irmãos dela.

— Está bem, eu aceito, agora saia daqui bípede, antes que eu sinta fome.

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Vitalia, Reino de Lena.

Já haviam se passado horas, desde que a imperatriz feérica chegou, as duas irmãs brincaram bastante, porém era hora de Glórienn ir.

— Preciso ir, mas tenho um pedido para você.

— Tem que ir mesmo? — perguntou Lena fazendo um beicinho.

— Sim, tenho assuntos importantes a tratar em outros locais.

— E o que você quer pedir?

— Gostaria que me devolvesse um presente, os eiradaans, os elfos arcanos.

Lena ficou um pouco pensativa e Glórienn temeu tê-la deixado triste.

— Está bem, mas só se você brincar mais um pouco comigo — respondeu a criança com um sorriso maroto.

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Pelágia, Reino de Oceano.

A deusa da liberdade flutuou sobre as águas, procurando encontrar o melhor lugar para mergulhar e encontrar o castelo de Oceano. Ela enxergou alguns náufragos humanos lutando pela vida em meio às ondas. No passado já presenciou a mesma situação e, tomada pela amargura, não quis ajudar. Agora, conhecendo as agruras da mortalidade, ela não conseguiu ignorá-los. Com algumas palavras e gestos arcanos os humanos foram transformados em elfos-do-mar. Como que respondendo a esse feito a presença de Oceano se faz sentir, ela própria se transformou e mergulhou.

— Olá Deus Maior dos Mares. Trago um presente aos nossos filhos, espero que não se importe.

— Já sei do que se trata, vou permitir, mas apenas por que você é a mãe deles. Agora saia de meu reino ou me acompanhe para o jantar, minha pequena irmã. — as palavras de Oceano foram um misto curioso de condescendência e respeito.

— Vou aceitar o jantar, seu velho ranzinza. — respondeu a deusa com um sorriso.

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Mais tarde em meio a um banquete magnífico, onde todos os pratos foram servidos crus e alguns ainda vivos!

— Nunca fui uma boa mãe para os elfos-do-mar. — falou Glórienn com arrependimento na voz.

— Verdade, depois de entregá-los a mim, nunca mais lhes deu atenção.

— Você não tem motivos para reconhecer nenhum direito meu sobre eles.

— Na realidade, não fiz isso! — afirmou Oceano com um sorriso matreiro.

— Então por que aceitou…

— Por seus argumentos. — interrompeu o Deus dos Mares.

— Meus argumentos?

— Posso ler sua mente claramente. Sei o que planejava me dizer e tem razão. Não sou um dos deuses patronos da fadas e por isso sempre tive pouca influência nos oceanos do mundo feérico. Aceitando seu presente, mesmo que perca a devoção de alguns dos meus elfos, a grande maioria vai continuar fiel a mim e poderei espalhar minha vontade pelos mares de Faerie.

— Nossa! Não sabia que era tão persuasiva! — brincou Glórienn e seu riso alegrando o salão de jantar.

— Sabe, você nunca esteve melhor. — disse o Deus ao parar de gargalhar.

— Obrigada. — ela respondeu com um orgulho genuíno.

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Odisséia, Reino de Valkaria.

A Deusa da Ambição se sentiu um pouco enojada com a Deusa dos Elfos quando ela caiu, mas com a memória de sua participação na criação dos lefeu recuperada, tornou-se muito mais tolerante com as falhas da irmã. Além de sentir um pouco de culpa, pois a Tormenta teve uma participação importante no trágico destino que Glórienn trouxe sobre si mesma.

Ainda assim, Valkaria não facilitou as coisas para a deusa da liberdade e foi tornando a sua jornada pelo Calabouço do Desafio cada vez mais difícil, muito mais do que achou que sua irmã poderia suportar.

— Estou sinceramente impressionada com você! — declarou Valkaria quando Glórienn chegou ao centro do labirinto.

— Você não é a primeira a achar que estou melhor agora e agradeço por isso.

— Vejo a imensa ambição em seu coração, não sei se vai conseguir concretiza-la, mas quero vê-la tentar, pode dizer a Wynna para estender sua benção aos meio-elfos.

— Agora se não for muito incomodo, poderia acompanhar meu avatar a uma aventura em Lamnor?

— Seria um prazer — respondeu a elfa.

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Sombria, Reino de Tenebra.

Ao cruzar o portal para o reino da Deusa Maior das Trevas, Glórienn percebeu que sua magia foi desviada e surgiu diretamente em frente à Tenebra.

— Boa noite Deusa das Trevas, é uma honra ser tão prontamente recebida em sua presença.

— Ora, não é nada demais. Afinal somos uma família. — respondeu a bela vampira, aparentemente com toda a sinceridade.

— Soube que já visitou alguns dos outros, é verdade?

— Sim, precisei da ajuda deles em um projeto.

— Entendo. Por acaso precisa de minha ajuda também? — perguntou Tenebra com um discreto sorriso predatório.

— Sim, de certa forma. Na verdade preciso de sua autorização para conceder mais poder aos seus elfos-negros.

— Me escapa o que você teria a ganhar com isso.

— Eles vão saber de onde vem esse poder e você deverá parar de incentivar o ódio que eles têm por mim.

— Ao longo do tempo isso poderia me fazer perder alguns seguidores. Por que deveria aceitar, minha singela deusa da liberdade? — Tenebra não escondeu um tom malicioso e sarcástico ao proferir essas palavras.

— Vou recuperar meu lugar no Panteão e vai ser bom me ter como aliada, pois pretendo cumprir nossos antigos pactos e principalmente porque quando Ragnar cair, você pode precisar de ajuda para reclamar o controle sobre a morte. — disse Glórienn com certeza férrea.

Tenebra caminhou calmamente até a deusa da liberdade, parando em sua frente, com o rosto muito próximo ao dela, seus corpos já se tocando e olhou profundamente em seus olhos. A respiração de Glórienn chegou a falhar, seu coração se acelerou, desejo se manifestando. A Deusa das Trevas sorriu com a idéia de aumentar ainda mais sua influência entre as fadas e quem sabe no futuro dobrar a deusa da liberdade, talvez até mesmo vendê-la de volta à Tauron.

— Sinto ambição, magia, caos e poder em suas palavras e também um toque meu. — disse Tenebra, enquanto envolveu a cintura da elfa com um dos braços e a segurou pelos cabelos com a mão livre.

— Aceita verdadeiramente dividir os elfos-negros comigo? Mesmo sabendo que não vou mover um dedo para diminuir o rancor que sentem por você?

— Sim. — respondeu Glórienn e beijou a Deusa das Trevas.

Enquanto as duas passaram juntas horas de luxuria, em Arton todos com sangue de elfo nas veias se tornaram criaturas feérica.

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Apenas os elfos negros tiveram sua aparência modificada, graças à influência direta da Deusa das Trevas durante o processo. Sua pele se tornou negra como a escuridão dos subterrâneos; seus cabelos clarearam, se tornando brancos na maioria dos indivíduos; seus olhos ficaram sem pupilas visíveis, semelhantes aos dos eiradaans e aos da deusa da liberdade. Assim nasceram os drow em Arton, sabendo que Tenebra a partir de então era tão sua mãe quanto Glórienn.

Todos souberam de onde veio à mudança, de Wynna Deusa da Magia, como um presente há Glórienn deusa da liberdade, mãe das raças élficas e imperatriz feérica.

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Algum lugar de Faerie.

Uma gigantesca fortaleza estava sendo construída, sob a vigilância da imperatriz.

— Olá irmãzinha, é um prazer reencontrá-la. — o cumprimento de Kallyadranoch foi bastante caloroso.

— Olá irmão! — a deusa não escondeu sua supressa.

— Não posso ficar muito tempo, vim apenas entregar um presente e conversar um pouco.

— Tudo bem, eu também estou um tanto ocupada. — Glórienn sentiu o poder avassalador do Deus dos Dragões, mas estranhamente percebeu que ele não era uma ameaça, pelo menos não naquele momento.

— Então, quais são seus planos?

— Até a morte do General, vou alimentar a rebelião em Lamnor discretamente. Então ajudarei a destruir a Aliança Negra e a trazer a queda de Ragnar. Mas não me deixe curiosa, o que me trouxe?

— Ambas as Rainhas das Fadas têm dragões como montaria, não é justo que a imperatriz não tenha um. — enquanto falava Kallyadranoch materializou um grande ovo de dragão ao lado de Glórienn.

— Este será o mais poderoso dragão deste plano de existência e será fiel apenas a você. Nem mesmo eu terei domínio sobre ele. Além disso, se for preciso ajudarei Tauron a protegê-la de Ragnar.

— Eu estou muito grata, mas por quê? — a suspeita da deusa da liberdade era visível.

— Porque prefiro que o controle do Panteão fique apenas entre nós, a família original.

— A mais por trás disso, não há?

Kallyadranoch olhou-a nos olhos.

— É claro que sim. — e após essas palavras o Deus desapareceu.

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Valkaria, capital de Deheon, em algum beco sujo.

— Olá, Tillian. — disse o Deus do Poder.

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Categorias:Artes, Pessoal
  1. Valdir
    05/02/2013 às 12:18

    Uou, adoro contos e você foi muito bem sucedido neste, parabêns e espero que continue

  2. Kaleb Aneham
    03/09/2013 às 02:48

    Muito Bom, Show de Bola =D!!!

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